o que é moeda

O que é moeda? Origem, história e novas formas de dinheiro

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A relação de dinheiro e moeda caminha junto ao humano há muito tempo. Vamos ver a trajetória da moeda, do início até os dias atuais.

 

O início da moeda

Inicialmente temos como “comércio” o sistema de escambo o qual é um modelo que, segundo o dicionário on-line Dicio, possua troca de mercadorias sem que haja uso do dinheiro.

Sendo qualquer tipo de troca e/ou permuta.


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Comércio

Esse procedimento atuou grandemente no contexto de exploração do pau-brasil.

No qual portugueses davam bugigangas (apito, espelho, chocalho, garfos etc.) para indígenas em troca de seu “trabalho” ao cortarem árvores de pau-brasil.

E carregarem os troncos até as caravelas vindas de Portugal.



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Conforme alguns historiadores esse método surgiu no período Neolítico (a cerca de 10 mil anos) dentro da Pré-história.

E foi com o surgimento da agricultura e da criação de gado que foi se modelando e favorecendo a troca de trabalho por produtos nesse período.

 

Escambo: antes da troca se basear em dinheiro ou moeda

Havia ainda a necessidade de que os dois envolventes conseguissem entrar em um acordo.

Ou seja, de haver a coincidência dos dois personagens quererem aquilo que o outro participante na troca tivesse para oferecer.

Logo, caso os interesses não convergissem, a troca não ocorria.

 


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Dificuldade na troca de mercadorias

O maior problema do escambo é a possibilidade sempre existente de um grande desequilíbrio na operação das trocas.

Um comerciante com mais esperteza, sabendo da necessidade ou do desejo de um indivíduo por certo item, poderia muito bem assegurar uma troca extremamente desigual.

Explorando obviamente o grande interesse de seu interveniente.

Historicamente, os elementos mais utilizados no sistema do escambo foram:

o sal, açúcar, o gado, tecidos, novelos, sem contar ainda peças de metal, em especial aquelas nos formatos de chave ou faca, comuns no continente asiático e africano.

 

O surgimento da Moeda

O conceito do dinheiro em forma de moeda, assim como o conhecemos nos dias atuais apareceu na Lídia, território grego, no século VIII a.C.

Ela facilitou bastante o acesso das camadas mais pobres às riquezas, o acúmulo de dinheiro e também a coleta de impostos.

Vale ressaltar que as notas só tornaram realidade a um longo tempo na Europa – e daí para o mundo – em 1661, na Suécia.

 

A Moeda e sua utilidade

Além de meio de troca, a moeda é uma reserva de valor e uma unidade de conta.

Reserva de valor é justamente a função de preservar o poder de compra no decorrer do tempo. Quando se troca algo por moeda pode usar a mesma moeda para adquirir qualquer outro bem depois.

Outras coisas podem ser utilizadas como sendo uma reserva de valor, como as ações e os imóveis.

Mas não podem ser trocados de modo universal bem como acontece com as moedas.

 

Moeda como cotação

Como unidade de conta, a moeda serve para cotar as mercadorias, um referencial de troca.

Se uma meia custa R$ 5,00, uma blusa R$80,00, caso a unidade de conta fosse a meia, poderíamos dizer que a blusa custa dezesseis meias.

Mas a unidade de valor não é a meia, e sim a moeda.

 

Tipos de moeda

Diferentes tipos de moeda-mercadoria competiram entre si no passado.

O sal era uma “moeda” muito utilizada (com ele surge a expressão salário), mas possuía certas desvantagens:

não tinha como ser molhado e porções poderiam se perder muito facilmente.

Os antigos romanos são um exemplo de pessoas que utilizaram o sal como dinheiro.

Em Roma, a elevação do nível do mar passou a atrapalhar na obtenção do sal.

 

Ouro e o dinheiro

Já o ouro, além de poder ser usado de modo decorativo ou como joia, continuava apresentando superioridade como moeda:

  • poderia ser dividido pela vantagem de ser moldado em diversos formatos.

Como em barras ou também moedas com diferentes pesos e denominações.

Não tinha como enferrujar, nem se quer se sujava sendo bem diferente do sal, além de que era totalmente resistente à água.

O ouro também era bem raro o suficiente para ser valioso, embora abundante o suficiente para ter ampla circulação, e fácil de ser reconhecido.

O que também possibilitava ainda mais o seu uso.

 

O ouro pela história

Por 600 anos, desde Constantino I, o Império Bizantino utilizou o padrão-ouro tanto no mercado interno quanto o internacional.

O Bisante (moeda de ouro) manteve seu valor no mercado por todos esses seis séculos.

De modo que a inflação se mantinha em níveis extremamente baixos e a economia tendia a prosperar cada vez mais.

Sem contar que era uma moeda muito utilizada em todo o Mediterrâneo e era reconhecida em diversos cantos do mundo.

 

Desvalorização e inflação

No ano de 1078, o imperador Nicéforo III tomou a escolha de reduzir a quantidade de ouro em cada moeda, aumentando o volume de dinheiro.

Com o objetivo de financiar uma guerra combatendo contra os turcos.

A moeda acabou se desvalorizando bastante e a inflação decorrente da política monetária dele trouxe o grande caos financeiro para Bizâncio.

E há alguns historiadores que apontam que o fim desse poderoso Império se deu principalmente pela tragédia financeira que surgiu nessa época.

 

Escassez

É relevante expor que a trágica inflação bizantina não aconteceu simplesmente pela redução de ouro nas moedas, e sim pela razão da qual tinha o propósito da redução:

o aumento da oferta de moeda, que acabou reduzindo o seu valor.

Embora a inflação seja bem mais rara no padrão-ouro, pode ocorrer também independentemente da redução do metal precioso no dinheiro.

Quando sua oferta cresce a níveis bem exorbitantes.

Foi justamente o que se efetuou com a Espanha em seu sistema econômico mercantilista.

 

Dinheiro de papel

Séculos depois, é a vez do dinheiro de papel surgir sendo lastreado em ouro.

As unidades das cédulas acabavam sendo unicamente o peso de ouro a que correspondiam.

“O dólar, por exemplo, foi definido como sendo 1/20 de uma onça de ouro, a libra esterlina como um pouco menos de 1/4 de uma onça de ouro e aí por diante.

Assim vários nomes das moedas eram meras definições de unidades de peso”.

Assim é que expõe o ponto de vista do economista norte-americano Murray N. Rothbard.

 

Moeda de papel e economia

Enquanto o padrão-ouro clássico lastreava a moeda de papel, a economia americana crescia e os preços decresciam.

O presidente americano Franklin Roosevelt passou a impedir que os americanos resgatassem seus dólares para ouro em 1933.

Possuir qualquer quantidade se quer de ouro no país ou no exterior também era considerado proibido.

Dólares só deveriam ser resgatados em ouro por bancos centrais e governos estrangeiros.

O Dólar por fim passou a desvalorizar, mas ainda foi mantido uma pequena ligação com o ouro.

E em 1945 acabou se tornando a moeda referência do mundo, através do Acordo de Bretton Woods.

 

A economia e a moeda norte americana

Posteriormente a esse feito teve um grande volume de saída de ouro dos Estados Unidos.

O presidente Richard Nixon então tomou a decisão definitiva de extinguir o que ainda se restava do padrão-ouro do Dólar, em 1971.

Assim é que foi estabelecido e se popularizou o sistema de papel-moeda fiduciário como temos hodiernamente.

 

Estratégia

A decisão tomada pelos americanos de solapar o padrão-ouro acabou sendo imitada por outros governos do mundo, inclusive pelo Brasil.

O dinheiro é ofertado dependendo unicamente das decisões governamentais de emitirem mais moedas ou menos, controlando a inflação que faz o poder de compra dos compradores cair.

E através de reservas fracionárias, sem nenhum lastro sequer além da confiança dos governos.

 

Cartão de crédito

Foi criado o cartão de crédito (chamado de dinheiro de plástico por muitos leigos), cuja a origem segue muitas controvérsias e a data estipulada de seu surgimento foi dada como no século XX.

Com origem nos EUA sendo a versão mais aceitável hoje sendo utilizado a priori por um grupo de amigos que frequentavam com regularidade um restaurante.

 

Confiança

O procedimento passou a ser aceito por causa da confiança e o pagamento era feito conforme as datas previstas sem atraso.

Logo foi assumindo diversas formas e corre no mercado do mundo substituindo o dinheiro em cédulas ou moedas até nas trocas mais simples.

Sendo a transferência de valores realizada virtualmente.

 

A nova moeda

Em 2009 nasceu oficialmente no mundo o Bitcoin, entretanto no ambiente da era digital, com a primeira transação de sua história sendo realizada por Satoshi Nakamoto.

Codinome do criador que não teve seu verdadeiro nome revelado podendo ser este uma única pessoa ou um grupo de pessoas.

Não é coincidência que essa criptomoeda tenha aparecido em meio às consequências da Crise de 2008 e do sistema bancário de reservas fracionárias.

Através de sua tecnologia Blockchain, contém uma delimitação matemática alusiva ao padrão-ouro dito que apenas 21 milhões de moedas podem ser emitidas.

 

Bitcoin

Os bitcoins não estão reféns da inflação e política monetária dos governos, eles não são emitidos por absolutamente nenhum banco central.

É também a volta do termo moeda-mercadoria.

Outras criptomoedas foram sendo criadas posteriormente, e há interesse de bancos centrais em desenvolverem criptomoedas estatais para tentarem fazer concorrência com as da rede privada.

 

Esse texto sobre A moeda e o dinheiro do início até hoje foi criado por Álvaro Fernandes.


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