Desenvolvimento sustentável: mobilidade urbana em foco

O desenvolvimento sustentável é de necessidade primária no cenário atual.

 

A urbanização e o desenvolvimento sustentável

A intensificação da urbanização, observada em escala global a partir da segunda metade do século XX, em seus níveis mais expressivos nos países emergentes, tem acarretado graves problemas no domínio dos transportes e da mobilidade.

Para Orrico Filho, Affonso et al a expansão urbana sem planejamento tem efeitos diretos sobre a formação do padrão de viagens e, consequentemente, sobre a eficiência da rede de transporte.


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Cidades pouco densas não conseguem sustentar sistemas de alta capacidade; e redes de baixa capacidade precisariam de vários transbordos para acessos específicos.

Assim, em uma cidade pouco densa, o sistema de transporte coletivo é pouco eficiente, logo, existirá uma preferência por viagens individuais que irão saturar o trânsito nas zonas centrais. (ORRICO FILHO, AFFONSO, et al., 2015)

 

Desenvolvimento sustentável no transporte

Isso demonstra que é imprescindível planejar o transporte em conformidade com a densidade de cada área urbana.



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Como o planejamento urbano frequentemente não cresce nas mesmas proporções das cidades, os preços do deslocamento sobem e o alto custo dos transportes interfere diretamente na qualidade da mobilidade.
O atendimento a todas as demandas individuais implicaria gastos consideravelmente altos de infraestrutura (FAPESP, 2016).

Elementos como a infraestrutura inseguras, áreas públicas impróprias e locais com baixa luminosidade causam dificuldades no ir e vir do pedestre e dos possíveis modais ali instalados, gerando engarrafamentos, periculosidade e incômodo, principalmente ao cidadão de condições físicas restritivas (FAPESP, 2016).

 

Sustentabilidade na América

Ainda que não de forma explícita, algumas cidades americanas parecem estar em confronto direto com a sociedade.

Várias cidades naquele país indicam que foram projetadas e repensadas com o propósito de desencorajar o pedestre, como se faz perceber nas vias com seis faixas, nas calçadas muito estreitas, com uma quantidade ínfima de árvores, no meio fio rebaixado.

 

Acessibilidade e o desenvolvimento sustentável

Não para o cadeirante mais sim para facilitar o acesso dos carros aos drive-thru espalhados pela cidade e às enormes áreas de estacionamento.


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Que transformam espaços urbanos em zonas de exposição automobilística, nas quais o conceito de pedestre não passa de uma esperança utópica (SPECK, 2016).

 

O desenvolvimento na mobilidade

A mobilidade urbana seria o oposto do cenário descrito acima.

O Ministério das Cidades define Mobilidade Urbana como:
[…] ações para a melhoria da infraestrutura do transporte público coletivo, por meio da requalificação e implantação de sistemas estruturantes de transporte público coletivo com ampliação de capacidade, terminais de integração e equipamentos que visam à integração, controle e modernização dos sistemas.

Exemplos práticos desses sistemas são os corredores de ônibus, o BRT, o Veículo Leve sobre Pneus – VLP, o Veículo Leve sobre Trilhos – VLT e os sistemas metroferroviários. Além dos sistemas de transporte estruturantes, engloba ações para a elaboração e a implantação de sistemas de transporte não motorizados, como passeios com acessibilidade e ciclovias. (BRASIL, 2015, p. 24)

Legibilidade é fundamental para o desenvolvimento sustentável

Além desses elementos, conforme afirma Lynch (1997), a clareza, ou legibilidade, é uma qualidade visual indispensável nas cidades.

A necessidade de criar padrões e compreender e reconhecer o ambiente é fundamental, tem grande importância prática e emocional para o indivíduo. Uma imagem clara permite que o cidadão transite de forma mais fácil e rápida pelos espaços urbanos.

Uma boa imagem ambiental faz com que o indivíduo sinta uma segurança emocional, por criar uma relação harmoniosa com o mundo a seu redor.

 

Desenvolvimento da estrutura urbana

Essa nova estrutura urbana ou metropolitana depende da conjugação de adensamento e formação de centralidades de funções diversas.

Além da sua articulação por redes de mobilidade, que, de alguma forma, revertam os aspectos indesejáveis da periferização em larga escala, que têm marcado a urbanização brasileira recente, especialmente no caso metropolitano (SYDENSTRICKER-NETO, SILVA e MONTE-MÓR, 2015, p. 32)

 

Mobilidade urbana para o desenvolvimento sustentável

A mobilidade urbana pode ser entendida como as condições de deslocamento humano e de bens pela cidade, independente da forma de transporte empregada: coletiva ou individual, motorizada ou não (GOMIDE e GALINDO, 2013).

Além disso, o conceito inclui também o planejamento urbano vinculado ao desenvolvimento das cidades no que tange ao transporte, como disponibilidade para população e a maneira pela qual a população circula pela urbe (MAGAGNIN e SILVA, 2008).

 

Mobilidade é acessibilidade: caminhos para o desenvolvimento sustentável

Ou seja, a mobilidade urbana está vinculada à acessibilidade de forma íntima, fazendo com que as pessoas possam usufruir do seu direito de se locomover pelas cidades livremente, sem nenhum empecilho.

Orrico (2015, p.13) afirma que:

Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação biunívoca com a cidade e com o espaço.

Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas.

Essa diferença de acessibilidade permite e provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.

Meio de produção socializado, fator de aumento de produtividade e instrumento de políticas sociais são algumas das formas nas quais as externalidades da implantação do sistema de transporte se apresentam (ORRICO FILHO, AFFONSO, et al., 2015, p. 12).

 

Desenvolvimento dos espaços públicos

Uma questão importante para sustentabilidade e mobilidade urbana é a necessidade dos espaços públicos serem arborizados.

As pessoas frequentemente buscam por lugares com as vistas mais agradáveis.

Esses ambientes causam impressões de descanso e comodidade e, portanto, torna os centros urbanos mais harmoniosos e satisfatórios.

Do ponto de vista da sustentabilidade, trabalhar para que a mobilidade seja atrativa pressupõe que todas as possibilidades que ajudem as pessoas a se locomoverem estejam à disposição do cidadão (FAPESP, 2016).

 

O desenvolvimento não é simples de se atingir: é necessário integração

Sendo assim, o contexto de mobilidade não se limita à compreensão e ao atendimento das necessidades de deslocamento das pessoas e das coisas.

Mas insere-se e impacta em ambiente muito mais complexo, o da própria composição das cidades e das atividades nelas executadas.

O aumento das preocupações relativas ao padrão de consumo humano, as quais se associam ao padrão de mobilidade, tem levado a questionamentos no que diz respeito à relação entre as várias formas de expansão urbana e os custos sociais e ambientais.

Essa discussão deu origem a uma gama de pesquisas e foi nesse cenário no qual se desenvolveu o conceito de mobilidade urbana sustentável. (CAMAGNI, GIBELLI e RIGAMONTI, 2002)

 

Mobilidade urbana sustentável

Destarte, a mobilidade urbana pode ser considerada sustentável quando consegue promover o acesso universal das pessoas à cidade.

Às possibilidades por ela oferecidas e quando fomenta o desenvolvimento socioeconômico, usando a infraestrutura viária de modo racional e sem atacar o meio ambiente (GOMIDE e GALINDO, 2013).

 

Mobilidade urbana sustentável: entenda mais

O entendimento da mobilidade urbana sustentável – intrinsecamente ligada ao espaço – não pode ser reduzido.

Portanto, aos aspectos tecnológicos de seu provimento, como a redução da poluição causada pelos automóveis, o aumento da eficiência do consumo energético desses automóveis e até mesmo a substituição das fontes fósseis de energia porfontes renováveis.

Precedentes a tudo isso estão o uso do espaço urbano, a eficiência e o acesso democrático de seu consumo(ORRICO FILHO, AFFONSO, et al., 2015, p. 13).

 

O desenvolvimento sustentável é amplo: a mobilidade urbana é necessária

Por fim, complementando o conceito de mobilidade urbana, é oportuno destacar que há outros fatores relevantes que a impactam.

Como por exemplo as causas econômicas, sociais e culturais na configuração das mudanças a ela relacionadas, com destaque para a representação demográfica e o aumento da presença feminina no mercado de trabalho.

O valor dos carros e dos combustíveis, os erros em aplicar políticas para o transporte públicos repassando os custos para os consumidores com o ônus frequentemente recaindo à parcela mais necessitada da população (ORRICO FILHO, AFFONSO, et al., 2015).

 

 

Esse texto sobre Desenvolvimento sustentável: mobilidade urbana em foco foi criado por Tomás Lima.


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