Risco: o que é, por que e como correr riscos?

O que é, por que correr e como correr riscos? Entenda as ameaças e as oportunidades inerentes a quem corre riscos.

A palavra risco pode adotar diversos significados. Segundo o dicionário Michaelis, a palavra risco é interpretada como a “possibilidade de perigo, incerto mas previsível, que ameaça de dano a pessoa ou a coisa”. Em se tratando de processo de tomada de decisão, o risco pode ser algo voluntário ou involuntário à ação humana através da escolha exercida, variando conforme as alternativas disponíveis num momento determinado e segundo parâmetros e métricas estabelecidos, dentro dos limites de interpretação e conhecimento humano de eventos passados.

Ou seja, os riscos existem e variam conforme o grau de exposição ao qual as pessoas estão dispostas a suportar de acordo com seus conhecimentos prévios, evidentemente segundo um conjunto de variáveis possíveis de interpretação e devido ao seu grau de incerteza, em geral, se utiliza um mecanismo conhecido como margem de segurança. Esse mecanismo nada mais é do que a disposição calculada a que uma ação escolhida poderá impactar o indivíduo ou o conjunto de indivíduos ou ainda, um ambiente, ou recursos naturais ou capitais, sem que cause danos irreversíveis.

O termo risco está associado ao termo incerteza. No ambiente de negócios, especificamente no ambiente macro, é simplesmente impossível livrar-se de qualquer espécie de risco dada as variáveis complexas que estruturam o ambiente de mercado. Tais variáveis podem remeter à política, à legislação, à cultura, à economia, à infraestrutura, ao câmbio, etc, e todas essas coisas fogem do controle das empresas.

Apesar da ampla maioria dos indivíduos, naturalmente, terem aversão ao risco, é irracional pensar na possibilidade de extingui-lo. Nesse sentido, o controle do ambiente interno organizacional precisa ser adequado e funcionar de forma efetiva para servir de catalisador, reduzindo os impactos da incerteza. Olhando por este lado, você pode pensar que há uma contradição: se o risco está associado à incerteza e esta não pode ser medida, como calcular os impactos de algo que não pode ser controlado? Certamente que há um pouco de verdade nisto.



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Drucker, em certa ocasião, disse: “Se você não pode medir, você não pode gerenciar“. De fato, isso é verdade. Mas, ocorre que certos riscos podem e devem ser gerenciáveis através de uma gestão interna efetiva, com controles e controle adequados, ainda que estes mesmos riscos não possam ser eliminados. Riscos são como gargalos e sempre vão existir, não importa o quanto se invista (capital e intelectualmente) ou o quanto se desenvolva técnica e tecnologicamente uma estrutura ou um processo, eles estarão lá.

Isso não significa que o indivíduo ou a organização tenham que ficar reféns do conformismo ou do medo que acabam drenando todas as suas forças e todos os seus potenciais. Pelo contrário, assumir riscos é uma ação vital em qualquer situação na busca pelo desempenho superior ou mesmo pela simples manutenção de um desempenho suficiente, na busca pelo progresso e/ou na busca pela inovação.

Se assumir riscos é algo intrínseco à própria razão de existir do indivíduo e/ou da organização, por outro lado, isso não significa que a pessoa tenha que se atirar do quinto andar de um prédio para comprovar sua assunção ao risco. Isso não vai significar mais coragem, maior tolerância ou, tampouco, maior responsabilidade. Muito pelo contrário, isso significa imprudência, negligência e irresponsabilidade, pois sabe-se prontamente o que poderá ocorrer quando o corpo chegar à superfície.

No mundo dos negócios e na vida cotidiana dos indivíduos, infelizmente, existem muitos casos e exemplos de atitudes desmedidas que acabam levando os mesmos ao fracasso e a decepção totais, alguns com reflexos de perdas materiais e naturais, e outros com efeitos de perdas de vidas. São movimentos sem volta e totalmente desnecessários, visto que existem meios que podem reduzir, substancialmente, os impactos dos riscos e das incertezas.

O meio mais eficaz conhecido é o planejamento estratégico que é conceituado por Drucker como sendo um “processo contínuo de, sistematicamente, tomar decisões presentes que envolvam riscos, com o maior conhecimento possível de sua futuridade; organizar sistematicamente os esforços necessários para levar a efeito tais decisões; e medir os resultados dessas decisões em relação às expectativas, por meio de um feedback organizado e sistemático”.

Depois desta breve conceituação, alguns podem dizer que parece que as coisas, agora, fazem algum sentido. E de fato fazem. Porém isto não significa que tudo está resolvido, pois a filosofia de planejar exige esforços contínuos sob o espectro da responsabilidade e da orientação à ação. E parece que muitos estão, ainda, engatinhando neste sentido, pois o que vemos de fracassos de empresas e de indivíduos cotidianamente é algo assustador.

As finanças talvez sejam o exemplo mais clássico sobre a importância de se planejar adequadamente, visto que é notório os casos de inadimplência de consumidores, de desequilíbrios orçamentários das famílias e dos governos, de refinanciamentos empresariais. Os riscos associados a estas decisões, muitas vezes, são mal interpretados ou subestimados pelas pessoas, o que acarreta, no pior dos casos, em danos irreversíveis.

Portanto, muita prudência ao tomar decisões. Considere um planejamento adequado e uma margem de segurança confortável que lhe dê possibilidades de arriscar racionalmente. Muito importante: não deixe de ousar, pois ao se utilizar dos mecanismos acima você estará muito mais confiante e protegido para tomar tais decisões. Ousadia é fundamental para o avanço e a conquista de desempenhos superiores.



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Diego Felipe Borges de Amorim

Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.

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