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Qual o significado do símbolo da administração?

Há muito tempo que venho pensando sobre o significado do símbolo da nossa profissão (administração) sem, em nenhum momento, me atentar à buscar tal informação em fontes detentoras de tal conhecimento. Parece uma coisa absurda não saber, tecnicamente, a resposta para algo tão trivial que diz respeito à profissão de um indivíduo. Não que tal informação seja imprescindível para exercer o ofício, mas desconhecê-la soa como um tom extremamente inconveniente ou algo muito próximo de uma miopia desagradável. Afinal, a representatividade que um símbolo exerce sobre as atividades humanas é de suma importância, pois ela revela as ideias, os ideais e a forma de linguagem humanas, entre outras coisas. E sabendo-se da importância em torno dos símbolos, conforme salienta Frege: “Sem sinais, também dificilmente nos elevaríamos ao pensamento conceitual”, tive a necessidade de saciar minha curiosidade e buscar informações úteis que conduzissem ao conhecimento que está por detrás de nosso logotipo.

Realizando uma busca simples no website do Conselho Federal de Administração – CFA, finalmente consegui chegar a resposta que perseguia mentalmente. Mas confesso que o suspense que me assistiu desde que entrei para a faculdade me trazia à mente algo muito mais “simples, claro e criativo” sobre o símbolo do que, em realidade, se revela – mais adiante discorrerei mais detalhadamente sobre isso. Resumindo, oficialmente consta que a justificativa para a adoção do símbolo é que o quadrado representa a regularidade e é ponto inicial para a construção dele e, as flechas, indicam um caminho, uma meta. Ou seja, conforme o CFA, “o centro funciona como um elemento de ação, destacando a pluralidade do ser humano para atingir estes objetivos, através dos elementos propostos, as flechas centrais se dirigem para um objetivo comum, baseado na regularidade; para atingir o mundo das ideias/para obter o supra sumo, chegando a uma meta comum, através de uma exposição prévia de fundamentos, partindo das razões de um parecer. (movimentação) interna das flechas”.

Tal exposição, num primeiro momento, me soou um tanto “técnica demais” e quase me causou certa confusão, principalmente com termos como “supra sumo” (o termo “excelência” talvez fosse mais adequado!). Talvez, eu esteja sendo um tanto crítico ou ignorante demais em questionar tal fundamentação que já é divulgada há mais de quatro décadas, mas prefiro pensar que todo tipo de questionamento racional deve ser válido, inclusive, porque em certas situações pode vir a reafirmar algo que já se conhece e/ou se havia caído em esquecimento. Nesse sentido, vou fundamentar minha “interpretação” sobre o nosso símbolo segundo o livre-arbítrio que me permite ser criativo, livre, questionador, filosófico, científico e não menos racional. Minha intenção não é a de colocar em questionamento algo que já se encontra estabelecido; ao contrário, minha intenção é a de instigar novas possibilidades de entender a filosofia da gestão a partir de seu símbolo, de forma clara, direta, e não menos abrangente.

Muito bem, vamos ao que interessa. A leitura que faço sobre o nosso símbolo é a seguinte: os dois triângulos do meio, onde o da base está de pé e o de cima está invertido, formam a figura de uma ampulheta. Ora, este instrumento é um dos objetos mais antigos para a medição do tempo. Isso me leva a perceber a correlação destes dois triângulos com as outras duas setas presentes no símbolo, a saber: uma aponta para a esquerda (entendo como passado) e a outra aponta para a direita (entendo como futuro). E o presente onde está? Dependendo do filósofo, ele não existe. Eu prefiro acreditar que o presente é a ação, o agora.

Então, relacionando as cinco figuras que formam o símbolo (duas pirâmides, duas setas, uma ampulheta), podemos verificar a relação dos objetos e a sua sinergia. A temporalidade é uma das principais variáveis da ciência da gestão, onde permeia as quatro funções básicas da gestão – planejar, organizar, executar e controlar. Dependendo do modelo teórico, a função executar pode ser substituída pela função liderar e pode haver, inclusive, uma quinta função básica: melhorar, aprimorar – particularmente, entendo que seja essencial esta quinta função, pois ela remete à busca pelo progresso contínuo.

O desenho das setas – uma à esquerda e outra à direita – como já disse, representam o passado e o futuro da ciência administrativa, bem como podem representar, inclusive, uma ideia de movimento. Conservar a história de uma ciência (seta à esquerda) é extremamente importante para subsidiar ações presentes (ampulheta) para resultados desejados futuros (seta à direita). A forma das setas podem, também, representar a figura de um bumerangue e, ainda, se entrelaçadas, podem dar a ideia da figura de uma cruz. Ambas as figuras (bumerangue e cruz) dão a ideia de movimento em ciclos, de continuidade. E esse é o espírito da gestão.

Portanto, este é o meu entendimento e aqui finalizo minha percepção sobre o nosso símbolo. Acredito que hajam muitas outras interpretações possíveis e que todas convergirão para o propósito central da ciência da gestão que é a responsabilidade e o compromisso com a ação, muito embora tracem caminhos alternativos. O importante é sempre mantermos a mente aberta para o presente e que cuidemos e aprendamos com o passado para que o futuro não seja completamente incerto, ainda que a incerteza não seja passível de controle e gerenciamento precisos e/ou confiáveis.

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Diego Felipe Borges de Amorim
Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.

One comment

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