Por que gestão? Por que gestores?

A administração como Ciência emancipada é relativamente uma Ciência jovem, pois sua “independência” das Ciências Exatas começou a ocorrer após a segunda grande Guerra Mundial. Até então, a administração não era tratada como uma Ciência “abrangente” e era submetida, exclusivamente, às teorias e às práticas das engenharias produtivas que tinham uma visão muito limitada a um modelo operacional focado, somente, na produtividade orientada ao produto. A gestão se limitava a relação homem versus máquina.

O declínio desse modelo de gestão se acentua ao final da segunda grande Guerra Mundial. Devido às necessidades urgentes de reconstruir países inteiros que foram arrasados pela Guerra, surgem enormes dificuldades para lidar com tamanho problema. Uma das Ciências que surgem nesse período é a logística que, oriunda de um modelo militar, ajuda de sobremaneira na reconstrução do Continente Europeu. Outras Ciências se desenvolvem em complexidade, como as Finanças e o estudo sobre Estratégias. E embora todas essas Ciências tenham, igualmente, contribuído para o sucesso desse “trabalho”, nenhuma delas tinha a “capacidade” de resolver os problemas sozinhas. Cresce a complexidade.

A partir desse momento nasce a Ciência Administrativa ou Gestão. O modelo limitante das engenharias é substituído, paulatinamente, por um novo modelo de desenvolvimento mais complexo, mais abrangente e mais científico. A figura humana desponta para o “centro” dessa nova Ciência que busca relacionar o equilíbrio entre trabalhador e trabalho. Já disse isso em outros artigos, mas devo lembrar que o pioneiro da Ciência da Gestão foi Peter Drucker que a validou através de sua obra “A prática da Gestão” publicada em 1954.

Este pode ser considerado o marco inicial da Ciência da Gestão. Desde então, muitas teorias, muitos estudos e muito trabalho vem sendo realizado para desenvolver esta Ciência que é de vital importância para o desenvolvimento das sociedades. E embora o processo evolutivo do homem e das sociedades seja contínuo e anterior ao surgimento da Ciência da Gestão, hoje percebe-se que sem ela não haveria a possibilidade mínima de desenvolvimento, desempenho e inovação.



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A resposta para isso é que as Organizações e as sociedades aumentaram demais em volume, em diversidade e em complexidade. Antes, as Organizações eram, basicamente, familiares. Haviam poucos níveis hierárquicos, poucos produtos, poucos competidores, baixo volume de informações, muitas barreiras comerciais e um mercado, de certa forma, previsível. A partir do período pós Guerra, o cenário muda completamente e continua evoluindo em direção a estruturas maiores e processos mais complexos, além de forte competição através da globalização, diversificação de produtos, informação veloz e massificada, além de mercados mais imprevisíveis.

Surge a necessidade de profissionalizar o negócio familiar, pois ele aumentou de tamanho. A figura do gestor profissional entra em cena e dezenas de escolas de negócios são abertas nos EUA ainda na década de 1950. O objetivo era formar gestores capacitados para enfrentar os desafios gerenciais que surgiam. E a importância do Gestor já à época é identificada por Drucker (1954) dessa forma: “Os gestores são o recurso básico da empresa organizacional”.

Devido aos novos paradigmas que surgiram como consequência da transformação dos negócios, uma nova abordagem surge para validar a figura do gestor e da gestão profissionais como exigências fundamentais para desenvolver as organizações e as sociedades de forma adequada. A administração como uma “mudança de fase” entende que os conceitos básicos, os princípios básicos e a visão individual do negócio até então utilizadas já não são mais termos aceitáveis.

Portanto, os gestores existem porque as empresas e as sociedades precisam ser administradas. Eles existem porque os recursos precisam ser geridos de forma efetiva, responsável e com orientação ao desempenho. Assim, “ser gestor é compartilhar a responsabilidade pelo desempenho da empresa. Qualquer pessoa de quem não se possa esperar tal responsabilidade não é um gestor” (DRUCKER, 2010). E sem gestor, não há continuidade nos negócios e  também não há desenvolvimento nas sociedades.


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Diego Felipe Borges de Amorim

Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.

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