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Pare de culpar o gerente!

Estava tomando meu café, quando recebi uma mensagem de uma das minhas leitoras no Instagram. Ela dizia:

“Estou tentando juntar dinheiro para o meu casamento e para a compra de um carro no futuro. Gostaria de saber qual é o melhor investimento para mim?”

Difícil responder a uma pergunta sem nenhum contexto específico. Não sei nada sobre a vida dela e a sua estratégia para poupar. O diálogo foi mais ou menos assim (grifos meus):

Eu: Você já formou a sua reserva de emergência de 6-8 meses? (sempre faço essa pergunta pois muitos não pensam sobre isso)

Ela: Sim, já fiz (não me passou muita certeza) e estudo sobre investimentos pois não quero perder dinheiro para a inflação.

Eu: Você vai fazer o seguinte: vá ao seu banco e pergunte o que ele pode fazer por você a respeito de investimentos atrelados a inflação (sempre explore seu banco antes de fazer algo drástico como tirar todo seu dinheiro de lá).

Ela: Não tenho coragem de ir lá! Além disso o gerente do banco (sempre ele!!!) vai me empurrar produtos que eu não quero.

Eu: Você tem que fazer as perguntas adequadas. Se não exigir dele, ele não fornecerá nada dos seus interesses.

Entre as diversas pessoas na qual me pedem ajuda, existe sempre a conversa sobre o gerente de banco.

As pessoas possuem uma incrível capacidade de delegar a responsabilidade sobre seus próprios atos para os outros.

Por que?

Confira nesse post o comportamento padrão de quem culpa os outros pelos seus problemas.

GERENTE DO BANCO: UMA PESSOA MAL COMPREENDIDA

Eu trabalhei no banco Bradesco em meados de 2012/13 na função de escriturário em um bairro nobre do Rio de Janeiro. O escriturário é o funcionário que abre sua conta pela primeira vez.

Após a assinatura do contrato, dependendo do seu histórico de pagamento, você é encaminhado para um gerente responsável (pessoa física para clientes ou pessoa jurídica para empresas).

Em resumo: ele é o portão de entrada para o banco. Sem ele, você não pode negociar, transacionar ou adquirir os produtos bancários como cartão de crédito, empréstimo, financiamento, talão de cheque, etc.

Você precisa dele tanto quanto ele precisa de você: é uma via de mão dupla!

Para os que pouco conhecem a rotina de um banco, há um plano de carreira, que começa com:

  1. Escriturário
  2. Caixa (aquele que faz os pagamentos das suas despesas)
  3. Assisitente Pessoa Física ou Assistente Pessoa Jurídica
  4. Gerente Administrativo (para assuntos mais internos e sem contato com o correntista)
  5. Gerente Pessoa Física ou Gerente Pessoa Jurídica
  6. Gerente da Agência (cargo máximo por vias normais)
  7. Gerente Regional (cargo “político” em que você comanda as agências dentro de uma região do Estado)

Ao ser promovido para gerente (seja PF ou PJ), a sua vida muda. Por um mistério na natureza, ele se torna o vilão ou saco de pancada de tudo e todos.

Talvez porque a pessoa vizualiza o banco como uma entidade que “só quer seu dinheiro”. Em outras palavras, ao entrar em um banco, o cliente se sente intimidado.

O que poucos sabem é que suas metas não são estabelecidas por ele, e sim pelos seus superiores (e não é o gerente da agência, viu?!)

Agora, quero que você seja um gerente de banco por uns instantes….

Sim, aquele cara maldoso que você adora falar mal, mas no fundo você tem medo de encará-lo de frente.

Como seria a sua vida? Com certeza mais estressante!!!

O resultado?

As metas abusivas impostas pelos bancos, característica marcante do trabalho bancário nos dias atuais, transformou-se em um fator de risco inerente da profissão de bancário. Além dos riscos já estudados e conhecidos do trabalho bancário, como os riscos ergonômicos, os movimentos repetitivos, o ritmo de trabalho acelerado, o risco iminente de assaltos e sequestros, a imposição e a cobrança de metas abusivas (Retirado do site: Bancariose.com.br)

Se você acha que a sua vida está ruim e que está perdendo dinheiro, você não conhece bem o seu gerente.

Se você me disser: “Felipe, mas isso é problema dele, e não meu!”

Exatamente!

Você quer saber o que é melhor para o seu dinheiro da mesma forma que ele atenderá os interesses do banco. Ora, o emprego dele está em risco se não fizer.

A meu ver: ele é tão vítima quanto você!

Entenda que ele faz porque é mandando e não porque ele quer passar a perna em você.

A minha própria gerente é grata ao banco pois seu filho teve o tratamento custeado pelo seguro bancário. Depois dessa, você acha que ela não visará os interesses da instituição?

Sabia que a rotatividade do cargo de gerentes é alta? Segue o relato de um cliente (Fonte: Reclame Aqui):

Estou EXTREMAMENTE insatisfeita com as sucessivas trocas de gerentes responsáveis pela minha conta. Num curto período de tempo, houve cerca de 6 ou 7 gerentes diferentes.

Dessa forma, o cliente não sente uma relação de confiança, bem como de tranquilidade. Fidelizar perde o sentido. Nas poucas vezes em que aciono a gerência, me sinto desamparada, o histórico se perde, nunca sei com quem estou falando ou quem será responsável pela minha demanda ou a que telefone recorrer. Sensação péssima.

Veja que, apesar do ponto de vista do correntista, a chance de um gerente ficar no seu posto por muito tempo é pequena.

Não está convencido?

Sabia que os empregados acumulam funções no bancos?

“Vivo uma situação de estrangulamento”. É assim que um gerente de banco do Banco do Brasil resume suas condições de trabalho. Antes responsável pela tesouraria, hoje o bancário, além de continuar nessa função, tem ainda sob suas responsabilidade o setores de manutenção, limpeza, segurança e, frequentemente, tem de ir para o caixa. O resultado de quatro meses dessa “sobrecarga brutal de trabalho” foi o afastamento por estresse elevado e depressão. (Fonte: Spbancarios)

Então podemos concluir que tudo que o gerente faz para vender faz parte do jogo. Cabe a você nivelar para o seu lado.

Ele não tem escolha! Entretanto você tem….e muita!

Então por que você ainda culpa o gerente pelos seus próprios problemas e deveres?

COMO CULPAR OS OUTROS

Aposto que você que se depara com o seguinte cenário (ou conhece alguém que passa por tal situação):

  1. A pessoa não sabe o que fazer, pois não busca informação o suficiente
  2. Resolve ir ao banco
  3. Fica mais ou menos intimidado ou sem graça ao abordá-lo
  4. Ele pergunta: “Qual seu perfil de investimento ou você quer investir em que?”
  5. De duas uma: ou a pessoa não sabe ou fica tão acanhada que não expõe a sua própria visão sobre investimento e como usar SEU PRÓPRIO DINHEIRO.
  6. Resultado: O gerente oferece o que ele precisa
  7. A pessoa vai embora arrependida e sem saber o que aconteceu!

Se identificou com o problema?

A questão não está no gerente; e sim em VOCÊ

Veja abaixo se já culpou algumas dessas entidades:

  1. A economia
  2. O governo
  3. Os políticos corruptos
  4. O gerente
  5. O banco que só lucra (e qual o problema com o lucro?)
  6. As estrelas
  7. A cor de pele e a condição financeira

Apesar da sua relevância, você precisa entender que VOCÊ NÃO POSSUI CONTROLE SOBRE ESSAS VARIÁVEIS.

O que você deve fazer então?

COMO PENSAR COM A PRÓPRIA CABEÇA

Por que você não se dedica aquilo que você pode mudar de fato? Por exemplo:

  1. Como poupar/economizar mais dinheiro
  2. Como minimizar compras por impulso
  3. Como adequar o padrão de vida de acordo com o que ganha
  4. Como ganhar mais
  5. Como sair das dívidas
  6. Como escolher um bom cartão de crédito dentro da sua capacidade de pagamento

Você controla todas elas! As vezes sem precisar sair de casa!

“A dívida é a mãe profílica de loucuras e crimes” (Benjamim Disraeli)

Nos meus posts no blog, eu ensino passo a passo a:

  1. Como se organizar sem saber muito sobre dinheiro
  2. Como juntar uma grana sem precisar de muito
  3. Por que os detalhes não fazem tanta diferença assim

Veja a enorme facilidade em transformar a sua vida sem culpar a “injustiça do mundo” ou ” os ricos que só pensam em si mesmo”.

Com simples acesso a internet ou ao celular, você transforma a sua vida de tal maneira que você para de “tirar o seu da reta”

E para falar a verdade você deveria ter pena do gerente. Porque você você (ou já sabia) que a chance de vê-lo daqui há um ano é pequena. Se procupe com o cargo dele e o que ele fará em seguida para se sustentar.

Isso é ter empatia; se colocar nos pés do outro.

É uma virtude quase esquecida, tamanha a vontade de olhar para o próprio umbigo.

Se coloque no lugar dele.

VOCÊ É O RESULTADO DAS SUAS ATITUDES

Chegamos ao final do post. Nele você viu que nem sempre colocar o gerente de banco como o maldoso é o melhor caminho. Ele fará de tudo para se manter no cargo devido ao dinheiro que ele ganha com o trabalho.

Para isso, ele oferecerá o que for preciso!

Você não precisa ter pena e aceitar qualquer coisa que ele ofereça (embora muitos clientes façam) mas esteja ciente do jogo dele e o que você deve fazer.

Busque informações e exija dele o máximo que conseguir. E tenha compaixão dele!

Espero que tenha gostado.

Acesse o blog O Dinheirista para acompanhar as últimas publicações.

Um grande abraço e boas finanças pessoais.

Felipe Cardoso
Um maluco que resolveu lidar com o mundo do dinheiro para resolver suas dúvidas e alcançar seus sonhos. Autor do blog de finanças pessoais O Dinheirista com presença no Facebook, Twitter e Instagram.

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