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A OPERAÇÃO LAVA JATO E AS ELEIÇÕS PRESIDENCIAIS 2

 

O PT alega que somente recebeu doações legais. Mas , de acordo com os depoimentos prestados por Alberto Youssef, pelo empresário Augusto Mendonça entre outros, as fornecedoras da Petrobrás doaram às campanhas petistas e aliadas, dinheiro surrupiado da Petrobrás. O que entrou oficialmente nos cofres do PT foi o produto do roubo planejado e executado pelo partido. A propina foi institucionalizada para ganhar ares de legalidade e burlar a fiscalização da Justiça Eleitoral. Nunca antes na história deste país a ousadia foi tamanha.

Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, disse a procuradores da Operação Lava Jato que doou R$ 7,5 milhões à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff por temer prejuízos em seus negócios na Petrobrás se não ajudasse o PT.

Segundo Pessoa, a contribuição da empresa foi tratada diretamente com o tesoureiro da campanha de Dilma , Edinho Silva, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a pedido do presidente do BNDES , Luciano Coutinho.

Ele confirmou que havia vinculação entre as doações eleitorais e seus negócios na Petrobrás.

Pessoa também afirmou que fez contribuições clandestinas  à campanha de Lula à reeleição em 2006 , e a do prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, em 2012.

Para a campanha de Lula foram R$ 2,4 milhões , via caixa dois. O dinheiro teria sido trazido do exterior por um fornecedor de um consórcio formado pela UTC com as empresas Queiroz Galvão e entregue em espécie no comitê petista.

Pessoa também afirmou que , a pedido de Vaccari, pagou outros R$ 2,4 milhões para quitar dívida que a campanha de Haddad teria deixado com uma gráfica em 2012. Quem teria viabilizado o pagamento foi Alberto Youssef.

Ricardo Pessoa contou que só por uma única obra da Petrobrás, o Comperj , no Rio de Janeiro, a UTC destinou R$ 15 milhões ao caixa clandestino do PT .

O pagamento era condição para que a empreiteira fosse escolhida para o empreendimento. O Comperj, um complexo petroquímico projetado para ampliar a capacidade de refino da Petrobrás, começou a ser construído em 2006 . Foi orçado inicialmente em US$ 6,1 bilhões, mas a conta já passa de US$ 30 bilhões e ainda não há previsão de quando vai começar a operar.

A UTC, de Ricardo Pessoa, ficou com o maior contrato , de R$ 11,5 bilhões, em consórcio com a Odebrecht e a japonesa Toyo.

O pagamento das “comissões” ficou a cargo dos integrantes do consórcio. A UTC foi encarregada de pagar o PT. A Odebrecht de pagar o PP, representada nas negociações por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

Os pagamentos de propina ao PT não se limitaram ao período eleitoral, mas foram feitos “ de modo contínuo”, seja por meio de doações oficiais , seja por repasse de dinheiro vivo.

Na segunda modalidade, a transação era pilotada diretamente por Vaccari na sede da UTC. Pessoa contabilizou cuidadosamente os repasses,

Sob o título de “JVN-PT” ( João Vaccari Neto-PT),  planilha entregue ao Ministério Público traz valores pagos entre 2008 e 2013.  Pessoa também informou os números dos telefones celulares que Vaccari costumava atender e listou encontros em hotéis de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde se reuniu com o petista para tratar do rateio da propina.

Vaccari recorria com frequência a Ricardo Pessoa , dono da UTC, que coordenava o “clube do bilhão” e num dos encontros Vaccari negociou com a UTC o recebimento de 30 milhões de reais em doações eleitorais . Cerca de 10 milhões para a campanha de reeleição de Dilma Rousseff e 20 milhões , distribuídos por Vaccari ao PT e aos partidos da base aliada.

Segundo Ricardo Pessoa , no final de uma reunião com Luciano Coutinho, presidente do BNDES, a oito dias da eleição presidencial de 2014, quando negociava um financiamento para o consórcio que administra o Aeroporto de Viracopos, Coutinho lhe disse que Edinho Silva entraria em contato para  pedir ajuda financeira à campanha de Dilma. Edinho fez o contato e a UTC doou mais 3,5 milhões de reais.

 

O ex-diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro, uma das empresas envolvidas no escândalo do petrolão disse que , além de pagar propina ao PT e a seus dirigentes, financiou a candidatura de prefeitos petistas com dinheiro da corrupção.

Dinheiro das obras de construção do Comperj (RJ),  saiu para as campanhas eleitorais dos candidatos do PT em São Bernardo do Campo (SP), Campinas ( SP), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Contagem (MG) e Montes Claros (MG).

Da obra do Comperj , parte orçada em R$ 3,8 bilhões , executado por um consórcio formado pelas construtoras Odebrecht, UTC e PPI, para ficar com o contrato, as empreiteiras se comprometeram a repassar R$ 15 milhões ao PT.

Os pagamentos eram feitos à medida em que os recursos da Petrobrás eram liberados. O responsável pelo recebimento era João Vaccari Neto que segundo Pinheiro “ Vaccari parecia ter uma fragmentadora nas mãos , pois destruía todas as anotações de pagamentos”. Ele tinha de “cabeça”, o controle dos pagamentos.

Mas, a “conta Vaccari” era administrada na UTC pelo próprio Walmir Pinheiro que mantinha as planilhas dos valores e dos beneficiários dos pagamentos e os documentos foram repassados aos investigadores.

“Doações oficiais”, foram feitas ao ex-ministro José Dirceu ( R$ 1,6 milhão) , ao ex-deputado José de Fillipi (PT-SP) , ( R$ 400.000) ,  ex-tesoureiro do presidente Lula , e às campanhas municipais de seis candidatos do PT em 2012 ( R$ 1,8 milhão) . Destes, apenas Luiz Marinho , amigo íntimo de Lula, conseguiu se reeleger em São Bernardo do Campo. Os demais foram derrotados. Obviamente, segundo o PT, todas as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral.

João Santana e sua mulher . Mônica Moura, admitiram no dia 21 de julho de 2016 , em audiência com o juiz Sergio Moro em Curitiba,  que receberam dinheiro de caixa dois  para fazer a campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010.

Foram US$ 4,5 milhões. Mônica Moura deu maiores detalhes e admitiu que mentiu em depoimentos anteriores para não prejudicar Dilma Rousseff devido ao processo de impeachment.

Os trabalhos foram encerrados em 2010 e a campanha de Dilma não pagou tudo o que devia. Ficou uma dívida de quase R$ 10 milhões.

Cobranças foram feitas por três anos  e em 2013, o tesoureiro João Vaccari Neto orientou Mônica a procurar Zwi Skornicki , lobista que tinha negócios com a Petrobrás.

Zwi acertou que o débito seria saldado em dez parcelas, numa conta não declarada no exterior. Nove foram pagas e a última ficou pendurada.

Santana afirmou em seu depoimento que sabia como a dívida estava sendo saldada, embora Mônica fosse a responsável pelas finanças.

Mas, os dois afirmaram que não sabiam que Zwi tinha  relação com contratos   com a Petrobrás, nem que os recursos poderiam ser fruto de propina. Mas reconheceram que  o valor não foi declarado  às autoridades : “ Foi caixa dois mesmo , Excelência”.

O depoimento dos dois foi apenas uma audiência de defesa do casal e não tem relação com o acordo de delação premiada , em negociação.

Após ter seus pedidos para mudar garantias em dois empréstimos tomados junto ao BNB ( Banco do Nordeste)   – , o que ocasionou economia de recursos – o Grupo Petrópolis , da cerveja Itaipava, doou R$ 17,5 milhões à campanha presidencial de Dilma Rousseff, segundo edição da revista Época do dia 24 de janeiro de 2016.

Os recursos repassados pelo banco estatal à cervejaria somam R$ 830 milhões e foram depositados no início de 2013 e em  abril de 2014. Walter Faria, o presidente do grupo Petrópolis é próximo a petistas como Lula e João Vaccari Neto.

Alexandre Romano, o Chambinho, ex-vereador petista de Americana (SP), disse em depoimento que dinheiro desviado do Ministério do Planejamento  foi usado para pagar dívidas de campanha do ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira.

A delação premiada faz parte da Operação Custo Brasil, deflagrada em junho de 2016.

Segundo Chambinho, após as eleições de 2014, Ferreira procurou seu sucessor, João Vaccari  Neto, pedindo ajuda para quitar dívidas de campanha.

Ferreira disputou o cargo de deputado federal pelo PT  gaúcho.  Teve 43.787 votos , mas não conseguiu se eleger.

Vaccari pediu para Ferreira procurar Chambinho para que ele repassasse dinheiro da Consist , para firma indicada por Ferreira.

O valor seria debitado de metade do que ia para o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo e seu advogado Guilherme  também acusados de se beneficiar do esquema.

Ferreira indicou o escritório Portanova Advogados, que prestava serviços jurídicos para ele e que tinha feito um empréstimo para ele.

Foram repassadas três ou quatro parcelas de R$ 60 mil, metade para abater a dívida e a outra  metade para pagamento de despesas pessoais.

Depois que a empresa Jamp , que também participava do esquema , sofreu busca e apreensão, executivos da Consist  passaram a temer repasses sem serviços que os justificassem, mas mesmo assim, nada foi alterado nos contratos.

Procuradores e delegados da Polícia Federal já reuniram um arsenal de evidências que mostram que Dilma não só sabia, como se beneficiou do dinheiro desviado da Petrobrás. Suas campanhas foram alimentadas com propinas do esquema. Há ministros , ex-ministros e auxiliares diretos investigados , indiciados e presos.

Delcídio do Amaral contou em acordo de delação premiada que Dilma tinha pleno conhecimento da compra superfaturada da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Àquela altura era Chefe da Casa Civil de Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. A aquisição da refinaria deu um prejuízo de quase US$ 800 milhões á estatal. Outros delatores, como Nestor Cerveró, apontam a participação ativa de Dilma no negócio.

Na campanha de 2010, a Andrade Gutierrez fez pagamentos via caixa dois a prestadores de serviço da campanha petista. A agência Pepper , que trabalhou na comunicação da campanha, recebeu R$ 6 milhões da empreiteira.  A fraude foi acertada por Fernando Pimentel , então um dos coordenadores da campanha presidencial de Dilma e hoje governador de Minas Gerais e indiciado por corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

Ainda na campanha de 2010, Alberto Youssef entregou R$ 1 milhão a um integrante da campanha presidencial em um hotel em São Paulo. Era um adiantamento para manter no cargo um dos diretores da Petrobrás, integrantes do esquema de corrupção.

Na campanha de 2014, propina para a campanha foi paga pela UTC Engenharia, pela Engevix e pela Andrade Gutierrez.  A chantagem partia do tesoureiro da campanha , Edinho Silva, depois ministro da Comunicação Social de Dilma.

Erenice Guerra, ex-braço direito de Dilma e Antonio Palocci, coordenador da primeira campanha de Dilma, são acusados de cobrar US$ 150 milhões às empreiteiras escolhidas para construir a hidrelétrica de Belo Monte.

 

 

 

 

 

 

 

Edson Leal
Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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