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O vazio por detrás dos títulos de alto impacto

Hoje quero falar sobre uma situação que me chamou muito a atenção numa conversa que tive na rede de relacionamento profissional LinkedIn®. Uma de minhas conexões compartilhou um post em que falava sobre a sua indignação sobre a qualidade dos artigos que recebia via LinkedIn Pulse®.  Ele verificou que muitas das publicações partilhadas através desse canal de comunicação eram textos que, embora tivessem títulos impactantes, em essência não tinham absolutamente nada de relevante. Declarou que tais textos, ainda que tivessem um início promissor, se tornavam vazios a partir do momento em que se identificavam “atalhos” para questões extremamente complexas.

Exprimindo toda a sua frustração, ele compartilhou seu post com o intuito de dialogar com outros o seu pensamento. Sem demora, respondi a ele mais ou menos dessa forma: “eu chamo isso de títulos de alto impacto, mas vazios em conteúdo. Infelizmente parece que tais modismos já estão virando tendências! Me lembro do tempo da faculdade quando a maioria dos colegas não fazia o menor esforço para refletir sobre alguma questão proposta pelo professor, pois queriam e até, exigiam, uma resposta definitiva que solucionasse o problema”. Minha resposta, talvez um pouco dura, serve para alertar o caminho torto que muitos de nós estamos trilhando. E embora saibamos que não são as respostas que movem o mundo, ainda insistimos  nelas. E o resultado é sempre pobre.

Parece que esse comportamento é, de certa forma, natural em nossa cultura, pois muitos esperam por respostas definitivas para problemas complexos. Acreditam nesse absurdo, como se isso fosse possível. Querem o tal do “atalho” para garantir a manutenção de seu status quo. E embora muitos de nós exijam mais ética e maiores responsabilidades de pessoas e organizações nas esferas pública e privada, ainda somos frágeis ao assimilar que a ética e a responsabilidade são incompatíveis com qualquer espécie de “atalho”. O caminho certo é sempre duro e trabalhoso, mas não há outra alternativa. Responsabilidade, compromisso e ética são atributos interdependentes que não se fundem com “atalhos”.

Evidentemente que há outros tantos exemplos que poderíamos elencar sobre os perigos por detrás da “mentalidade de curto-prazo” que, também, é sinônimo de “atalho”. A indignação de minha conexão é comungada por mim, pois vejo com muita preocupação e alguma frustração o cultivo de uma cultura orientada ao agora em detrimento do depois. Digo isto, não por bel-prazer, mas porque sou testemunha de situações que ocorrem às vistas de quem quer enxergar e exprimir o que se passa. E enquanto muitos vendem ideias infalíveis como “seis passos para isso”,  “doze leis para aquilo” e, “dez erros para aquele outro”, que não agregam em absolutamente nada, outros tantos decidem pelo caminho mais difícil, árduo, responsável. E ainda bem que existem essas exceções. Aliás, elas são muitas.

Diego Felipe Borges de Amorim on sablinkedin
Diego Felipe Borges de Amorim
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Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.

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