O que define a qualidade de uma publicação?

Tenho observado, há algum tempo, em inúmeros textos que são publicados diariamente em diversos canais de comunicação, que a abordagem textual de uma boa parte dos autores está inclinada a propor soluções “prontas”, modelos de conduta “predefinidos”, ou mesmo, os famosos “passo-a-passo infalíveis” a serem seguidos para a resolução de problemas, identificação de oportunidades e obtenção de desempenho. São textos que, geralmente, possuem “títulos de alto impacto”; alguns, com uma estrutura bem definida e com um direcionamento que é capaz de fisgar o leitor mais desatento que se torna alienado por um conteúdo repetitivo, de abordagem superficial e, muitas vezes, pouco funcionais. O mais interessante é que, embora o conteúdo tenha àquelas características, tais textos são capazes de impactar “positivamente” os leitores que se servem deles.

Daí, surge a questão: o que define a qualidade de uma publicação? O próprio termo “qualidade” é passível de diversas interpretações e, certamente, tem relação com a percepção daquele que recebe, nesse caso, a informação. Parece haver uma predisposição crescente para um tipo específico de leitor que tem preferência por este tipo de publicação e isso se relaciona, muito provavelmente, com diversas outras situações convergentes. Podemos associar essa predisposição à constante necessidade emergente e urgente de indivíduos orientados por motivações superficiais, ou seja, àqueles que não exercem um pensamento crítico sobre o problema  e esperam sempre, nesse caso, por soluções prévias. E diversos paradigmas estão inclusos nessa forma de pensamento.

Diversas pesquisas sobre “a qualidade textual” e a forma como a construção de um texto pode impactar positiva ou negativamente um público-alvo estão dispostas na literatura moderna. Há poucos dias tive a oportunidade de ler um artigo no LinkedIn Pulse® que falava sobre isso, sobre a importância de escrever bem (principalmente com cuidados na ortografia e na gramática) e ser estratégico na divulgação do seu trabalho, principalmente, na escolha do público-alvo adequado, entre outras coisas. Realmente havia muita coisa útil naquele texto, embora eu tenha certa resistência em considerar textos que sejam embasados em “atalhos”, ou seja, os famosos “10 regras disso” e “7 passos para aquilo”. E essa resistência é fundamentada pelo simples fato de que não acredito em “atalhos”.

Entretanto, devo admitir que o conceito de qualidade é muito relativo, embora eu compartilhe com muitas outras pessoas um certo grau de preocupação com o rumo que outras tantas pessoas escolhem trilhar: um rumo em que o indivíduo espera por respostas prontas que validem problemas complexos. Racionalmente, sabemos que isso é perda de tempo e não leva ao desempenho superior. Mas, embora isso seja vistoso, muitos preferem continuar seguindo na busca por respostas e por atalhos que evitem o exercício do pensamento crítico. O resultado é sempre o mesmo, seja no social, seja no profissional: desempenho pobre. E a questão que emerge é “por que as pessoas escolhem esse caminho?”. Certamente há diversos paradigmas envolvidos que este texto não poderá relacionar.



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