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O OBJETIVO É O PODER, NÃO É O BRASIL

Dilma Rousseff teimou em concorrer a um segundo mandato, e como comentaremos a seguir, o que está acontecendo deixa muito claro que o objetivo do PT é manter o poder e não desenvolver o Brasil.

O PT, Lula e depois Dilma colocaram em prática um projeto para dominar o cenário político no Brasil e para isso escrúpulos não foram medidos.

Este projeto lançou mão de todas as formas de corrupção para cooptar políticos no caso do Mensalão, e no caso do Petrolão, as estatais tornaram-se instrumento de corrupção e arrecadação de propinas para enriquecimento pessoal de dirigentes e campanhas políticas.

Dilma Rousseff mesmo tendo feito um péssimo primeiro governo, candidatou-se à reeleição, vitaminada pelo crescimento exponencial dos gastos públicos que lhe permitiu benesses e apoios com programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Proer, Mais Médicos, entre outros.

Mas, mesmo assim conduziu uma campanha, com o maior estelionato eleitoral da história do país, tantas as promessas irrealizáveis e as análises fantasiosas de sua administração. Para piorar, essa campanha foi financiada com dinheiro proveniente de propinas da Petrobrás, como o provam fartas evidências já coletadas na Operação Lava Jato e que irão, caso escape do impeachment, inevitavelmente levar à cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2017.

Ganhou, mas ganhou raspando em um mandato que pelos precedentes não têm a menor legitimidade.

Porém, as pedaladas fiscais, manobras para esconder o excesso de gastos públicos em 2014, entre outras práticas irregulares da administração que quebrou o país, foram condenados pelo Tribunal de Contas da União e somadas aos decretos que liberaram gastos sem autorização do Legislativo, deram ensejo ao pedido de impeachment.

Este pedido tramitou regularmente pela Câmara dos Deputados e foi confirmado pelo Supremo Tribunal Federal.

O governo federal tentou por todos os meios, usando todos os recursos fisiológicos em termos de farta distribuição de cargos em ministérios, além de dinheiro de emendas parlamentares, conseguir apoio na Câmara para evitar a aprovação da admissibilidade do pedido, mas perdeu feio, em uma votação que foi transmitida na íntegra pela televisão e milhões de brasileiros assistiram.

O pedido de impeachment seguiu para o Senado, absolutamente dentro do rito previsto pela Constituição e foi aceito também por margem significativa e a presidente afastada.

Não obstante agora,  o discurso de Dilma Rousseff e dos petistas é centrado na absurda argumentação de que é “vítima de um golpe” e que Temer “não tem legitimidade” para governar.

O governo Dilma Rousseff quebrou o Brasil e saiu deixando um cenário de terra arrasada. Para se ter uma ideia do descalabro que estava sendo o seu governo, começou o ano de 2016 prometendo um superávit de R$ 24 bilhões nas contas públicas e apenas cinco meses depois, o governo Temer constatou que a realidade é de um déficit monumental de R$ 170,5 bilhões, ou seja, uma diferença de R$ 194,5 bilhões.

Mas, independente do desejo de voltar, um presidente da República antes de tudo deveria ter compromisso com o país e por isso, teria o dever cívico de não contribuir para piorar o que já está péssimo, mas o comportamento no final de mandato deixou claro um revanchismo generalizado no sentido de tentar criar o maior número de obstáculos para a nova administração que se instalou e tentar forçar o seu fracasso, em prejuízo do país.

Na Casa Civil, Eliseu Padilha vai revisar todos os atos baixados por Dilma desde 1º de abril e serão revisadas as demarcações de terras indígenas, feitas um dia depois do afastamento de Dilma.

Fazendas foram desapropriadas para a reforma agrária também no apagar das luzes, dando ao MST argumentos, com a sua suspensão, para acusar o governo de ter se rendido aos latifundiários.

Ministros encontraram a contabilidade quebrada com milhões de reais em dívidas com fornecedores, obras atrasadas e um emaranhado de nomeações de militantes petistas para cargos de terceiro escalão.

Temer encontrou apenas uma funcionária no seu gabinete.  Não houve transição alguma.  Até as secretárias foram levadas para o Alvorada. Ficou só uma jovem, que dias depois se foi.

No dia 17 de maio o ministro das Cidades, Bruno Araújo revogou uma portaria editada pelo governo Dilma, na calada da noite, que autorizava a CEF a contratar a construção e 11.500 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades.

Dilma nomeou 12 pessoas para o Conselho Nacional da Educação, sem previsão de recursos. Mudou no dia 6 de maio o sistema de avaliação básica.  As duas medidas serão revistas.

Dilma Rousseff teve a cara de pau de nomear, no dia 3 de maio, nove dias antes de seu afastamento, para um mandato de 4 anos, Ricardo Melo, para o cargo de diretor presidente da Empresa Brasil de Comunicação S. A, a EBC, gestora do governo federal de canais públicos de TV e Rádio.

A EBC é um exemplo de empresa estatal que gera imenso gasto público e não serve para nada.  É a chamada “TV do Lula”, criada por ele e tem orçamento em torno de R$ 530 milhões e 2.000 servidores concursados. Ou seja, com 2.000 funcionários, ainda contrata serviços de terceiros? O que é que esse pessoal faz?

Michel Temer exonerou no dia 17 de maio, o jornalista Ricardo Melo. Melo não aceitou. Bateu o pé e entrou com uma ação no STF e conseguiu liminar do ministro Dias Toffoli para voltar ao cargo. Agora coloca em risco a própria empresa, porque essa TV estatal tem audiência próxima à zero, foi criada para fazer propaganda do governo petista e se acabasse não faria a menor falta.

Dilma Rousseff saiu do Planalto com um séquito como se tivesse continuado na presidência. De jardineiros, camareiros, copeiros, garçons, fotógrafos e assessores políticos, Dilma Rousseff tem 200 funcionários à sua disposição: 160 no Palácio da Alvorada, sete no escritório politico em Porto Alegre e o restante na Granja do Torto. É uma verdadeira rainha, pois agora não tem função nenhuma.

Além do discurso de vítima de golpe a ordem dada por Dilma e pela direção do PT aos militantes é fazer tudo para sabotar o governo Temer.

Michel Temer foi ao Congresso no dia 23 de maio para entregar a nova previsão de meta fiscal do governo, com déficit primário de R$ 170,5 bilhões.  Os deputados petistas Paulo Pimentel (RS) e Moema Gramacho (BA), conseguiram acesso à área reservada para a passagem de Temer e gritaram “Temer, Cunha e Jucá, cadeia neles já”.

E essa falta de compostura está sendo cristalizada. Movimentos contrários ao impeachment estão convocando a militância para ”seguir” ministros de Temer e, a cada aparição pública, acusa-los de golpistas.

Cerca de 5 mil manifestantes da Frente Povo sem Medo, saíram no domingo, dia 22 de maio do Largo da Batata às 15h40 e foram até o Alto do Pinheiros, para chegar à casa de Michel Temer, mas foram bloqueados em cruzamento próximo. Cerca de 150 deles resolveram acampar no local. Em uma segunda noite de protestos 50 foram até a frente da casa de Temer para não deixar sua mulher e filhos dormir em paz.

Na 20ª Parada do Orgulho LGBT, realizada no dia 29 de maio em São Paulo, no trio elétrico da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, pasta ligada à gestão Fernando Haddad (PT), algumas pessoas exibiam cartazes com os dizeres “Temer jamais” e “Marta traíra”. Ou seja, protestos em um evento que nada tem a ver com o governo.

No exterior, o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, programou protesto no encerramento do 34º Congresso Internacional da Associação de Estudos Latino-Americanos, em Nova York no dia 28 de maio. Iriam encher o auditório com camisetas pretas em sinal de protesto com as inscrições “Brasil, La Democracia de Luto” e” Não ao golpe”. Fernando Henrique Cardoso que iria estar no evento, desistiu.

Entidades de enfrentamento à tortura mandaram carta ao Subcomitê de Prevenção à Tortura da ONU, manifestando preocupação com o problema no Brasil e com risco de enfraquecimento no combate a ele após o afastamento de Dilma Rousseff.

Um grupo de 34 deputados de esquerda pediu á comissária de política externa da União Europeia, a suspensão das negociações do Mercosul devido ao impeachment de Dilma Rousseff.

Agora Dilma Rousseff quer voltar à Presidência e pergunta-se voltar para que?

Em entrevista à TV Brasil ela indicou que convocaria um plebiscito sobre a realização de novas eleições: “A consulta popular é o único meio de lavar e enxaguar essa lambança que está sendo o governo Temer. Eu acho que pode ser um plebiscito de alguma forma. Eu não vou aqui dar o menu total, mas essa é lima coisa que está sendo muito discutida”.

Ou seja, fica claro que Dilma já inadvertidamente reconhece que não tem mais condição de voltar à presidência e por isso, com a ideia do plebiscito já reconhece que vai voltar apenas para convocar um plebiscito para o povo decidir o óbvio, que é que ela não deve continuar mais na Presidência e é preciso que sejam feitas novas eleições. Ou seja, quer voltar para manter o país paralisado, apenas para que seja efetuado o plebiscito e depois eleições presidenciais e aí ela renuncie à presidência.  Ou seja, quer voltar para manter o atraso no Brasil porque o governo está falido e ela não teria nenhum apoio no Congresso Nacional, nem legitimidade para aprovar qualquer coisa.

O que vai conseguir de imediato é recolocar os milhares de petistas que foram exonerados pelo governo Temer.

Edson Leal
Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo
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