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O ESTELIONATO ELEITORAL E A DESCONSTRUÇÃO DE MARINA SILVA

Intitulado “A balada de Eduardo Campos”, artigo foi publicado em 7 de janeiro de 2014, o pelo PT em sua página no Facebook, e que teve o aval do vice-presidente nacional da sigla, Alberto Cantalice (RJ), atacando a ex-senadora Marina Silva, chamando-a de “ovo da serpente”. Segundo o artigo, Marina virou uma “pedra no sapato” em referência às divergências entre os dois frente à política de alianças do PSB.

O presidente do PPS defendeu “reação enérgica” à propaganda que comparou Marina Silva a Jânio e Collor, dois presidentes que não completaram seus mandatos:” O PT está apelando ao golpismo para assustar o eleitor. O compromisso com a democracia só vale se eles ganharem. Isso é muito grave. Dilma e Lula foram irresponsáveis”.

Pesquisas internas do PT e de analistas mostraram que a acusação de que Marina Silva era “contra” o pré-sal, tinha sido uma das mais eficientes, para “contaminar” a candidata. No Rio o efeito seria maior.   A campanha de Dilma também tentaria criar dúvida sobre “qual Marina vai governar”,” com qual das várias caras”, explorando recuos dela em temas como o casamento gay. Marina tinha pouca condição de reagir na TV, pois juntos, Aécio e Dilma tinham um tempo sete vezes maior do que o dela na propaganda eleitoral.

Segundo a Revista Veja, a decisão de passar um trator em Marina Silva foi tomada no dia 1º de setembro de 2014, em um jantar no hotel Unique em São Paulo, com a presença de Dilma Rousseff, Lula, o marqueteiro João Santana, o ex-ministro Franklin Martins, o ministro Aloizio Mercadante e o presidente do PT, Rui Falcão. Juntos, chegaram à conclusão de que o fenômeno Marina Silva era bem mais sustentável do que parecia a princípio. Se nada fosse feito, concluíram, Maria Silva estaria sentada na cadeira de presidente da República pelos próximos quatro anos. “Não tínhamos alternativa a não ser partir para cima com tudo”. Lula resumiu o clima reinante e deu a ordem de marcha: “Precisamos reagir e reorganizar a tropa”. Teve início o processo de destruição da candidatura Marina, eufemisticamente chamado de “dessacralização”.

 

Nunca se viu na história eleitoral deste país, uma combinação tão violenta de mentiras, falsificações, manipulações, exageros e falsas acusações como a despejada pelo PT sobre Marina.

Marina foi vestida com o traje da ignomínia e da vergonha. Passou a ser mostrada com uma candidata sem propostas muito claras e, portanto, difíceis de ser avaliadas e refutadas, mas com uma força aniquiladora e desumana. A política econômica de Marina equivaleria a levar os pobres a passar fome. Marina foi acusada de planejar acabar com o pré-sal e, assim tirar da educação 1,3 trilhão de real.  Marina foi comparada a Jânio Quadros , que renunciou, lançando o Brasil em uma crise profunda. Os petistas insinuaram que Marina era uma Collor de saias, mas Lula mandou cortar essa parte, pois Collor e o lulopetismo como são unha e carne e o risco é que Marina podia ser um Lula de saias pela sua origem.

O PT depois disse que Marina esvaziaria os bancos públicos, como a CEF e com isso afetaria o programa Minha Casa, Minha Vida. Ela ia ainda quebrar as indústrias e derrubar o investimento e o emprego.

Eliane Cantanhede destacou que: “Querem vender Marina como ‘elite branca’, quem sabe como ‘elite branca de olhos azuis’, quem sabe até como ‘ elite branca de olhos azuis do capitalismo paulista’, vai colar? Depois do sociólogo, do migrante nordestino e da primeira mulher, faz sentido uma mulher negra, saída dos cafundós do Acre e alfabetizada a duras penas aos 16 anos. Um ‘Lula de saias’. Daí o pânico da campanha de Dilma. O poder da imagem de Marina, a força de sua simbiose com a maioria do povo brasileiro” E vale tudo além das mentiras até João Pedro Stedile, do MST, ameaçando invadir tudo, todo dia, se ela vencer. Mas Eliane pergunta: “Será que os eleitores brasileiros somos tão imbecis, caímos como patinhos em qualquer lorota? Ou será que só cai quem é manipulável e quem está pendurado nas boquinhas e verbonas, na promiscuidade entre o público e o privado? Para cair no engodo, na ‘genialidade’ da propaganda, só por ignorância ou por má fé, pura e simples”.

As mentiras do PT sobre Marina não acabaram.  No dia 16 de setembro de 2014, no horário eleitoral do PT, foi dito que Marina, se eleita, “vai reduzir os subsídios dados pelos bancos públicos… Parece algo distante da vida da gente, né? Parece, mas não é”. Em seguida, o locutor, em tom grave, explica ao telespectador que a ideia de Marina seria “um grande risco para programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida e o Pro uni”, que são financiados com subsídios bancados pelo Tesouro Nacional. .

 

A Revista Veja completou:” Dilma e o PT estão preenchendo seis onze minutos e 24 segundos de programa com uma inescrupulosa sucessão de mentiras, exageros, manipulações e acusações falsas a Marina Silva. São imagens e narrações feitas para ludibriar o eleitor, e não para esclarecê-lo sobre os reais pontos fracos da adversária, o que seria altamente desejável em uma campanha eleitoral curta e tão cheia de surpresas como a deste ano. Mas não. O PT foge do confronto de ideias. O partido recorre a trucagens baratas em que pratos de comida somem de repente da mesa das pessoas, enquanto o narrador explica que é isso que vai acontecer se Marina ganhar e der independência ao Banco Central”.  Esse tipo de propaganda de baixo nível ofende a inteligência do eleitor… “No programa de Dilma, o PT mostra o que é capaz de fazer quando lhe é dada a oportunidade, na plenitude, de exercer o seu tão almejado controle social dos meios de comunicação. E o que o PT produz quando controla a mídia? Mentiras, exageros, manipulações e acusações falsas, que fariam a desgraça de qualquer órgão de imprensa sério e independente”. (Revista Veja, 17.09.2014, p. 12).

 

Como diz Valdo Cruz, só faltou dizer que os banqueiros comem criancinhas.

Segundo o Painel da Folha de São Paulo, o PT acusou Marina de pôr o comércio brasileiro em risco ao defender que questões ambientais e de direitos humanos sejam levados em conta nas negociações sobre comércio internacional.  Pois foi a política externa um dos maiores fracassos do governo Dilma e negociações comerciais praticamente inexistiram, portanto aí está algo que deveria ser melhor nem comentar.

Como assinala Clóvis Rossi, a campanha de Dilma Rousseff contra Marina Silva contra a proposta de autonomia do Banco Central tem cenas de cinismo explícito e de ilimitada desfaçatez.  Isso porque o governo Lula, do qual Dilma foi “gerente”, fez até mais do que Marina está propondo. Primeiro Lula entregou o BC aos banqueiros, ao indicar um deles, Henrique de Campos Meirelles para comandar o Banco Central. Segundo, Lula deu ao BC o status de ministério, ou seja, tiro-a da subordinação do Ministério da Fazenda. Terceiro, Lula permitiu a Henrique Meirelles mandar na economia.

“Luciana Genro sobre o assunto afirmou:” Dilma copia o PSOL ao acusar Marina de entregar o Banco Central aos banqueiros. O problema é que ela já faz o mesmo”.

Dilma Rousseff em entrevista à rádio CBN em 2010, quando era candidata disse que achava “importantíssima a autonomia operacional que o Banco Central teve no governo do presidente Lula… Sempre tivemos uma relação muito tranquila com o BC”.

Após a eleição, o então nomeado presidente do Banco Central, Alexandre Trombini, declarou que recebeu a determinação da presidente de atuar com “total autonomia” no controle da inflação e no estabelecimento da política monetária. Em entrevista coletiva, Trombini afirmara que Dilma havia dito a ele que “nesse regime [de metas de inflação] não há meia autonomia. É autonomia total”. Possivelmente Dilma se esqueceu de tudo isso.

Demétrio Magnoli enfatiza que “O PT preferiu investir na indignidade, na mentira, na difamação. Por isso, perdendo ou ganhando, já perdeu. As peças incendiárias de marketing referenciadas no pré-sal e na independência do Banco Central inscrevem-se na esfera da delinquência eleitoral… No plano eleitoral está a circunstância de que agora a ignomínia entrou no jogo antes do primeiro turno. A semelhança por outro lado, evidencia que o PT aposta na ignorância, na desinformação, na pobreza intelectual – enfim, no fracasso do país.”.

Para o filósofo Roberto Romano, “a campanha de João Santana está exagerando no medo, o que pode soar como desespero”.

O Diretório Nacional ficou incomodado com Marina Silva e decidiu apresentar ao Ministério Público Eleitoral uma representação criminal contra ela, a acusando de “difamação eleitoral”, contra a legenda. Isso porque Marina, no dia 11 de setembro, em sabatina ao jornal “O Globo”, afirmou que o partido não é confiável, já que, “coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobrás”.   Ou seja, o PT podia falar o que quiser de Marina Silva, que está tudo bem, mas Marina Silva tem que controlar o que fala contra o PT.

Marina Silva tinha argumentos fortes para demolir as mentiras que o PT está espalhando contra ela. Na terça-feira dia 16 de setembro, disse com a voz embargada que uma pessoa que, como ela, já passou fome na vida, jamais acabará com o Bolsa Família. Ou seja, bastava dizer isso para liquidar qualquer crítica a respeito.  Essa linguagem de Marina, o povo que não lê jornal, mas assiste televisão entende, ou seja, vai perceber que o que estão falando de Marina é mentira.

Dilma assumiu as ofensas e disse: “O problema são pressões de outras envergaduras que aparecem e que, se você não tiver coluna vertebral, não segura. Não tem coitadinho na Presidência. Quem vai para a Presidência não é coitadinho. Se se sente coitadinho, não pode chegar lá”.

Marina Silva respondeu: Fique tranquila, presidente. A senhora não vai receber de mim o que a senhora está fazendo comigo. Eu não vou agredir uma mulher, não vou mentir a seu respeito. Eu vou lhe tratar com todo o respeito, mas isso não significa que vou deixar de dizer as verdades”.

 

Edson Leal
Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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