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O DISCURSO DO MEDO E MENTIRAS ELEITORAIS

A campanha de Dilma Rousseff começou com o discurso do medo.

 

Em evento na Bahia, Dilma afirmou :” Tenho certeza de que o povo brasileiro não vai retroagir, voltar atrás, desistir disso que conquistamos : a redução da desigualdade social, da maior criação de empregos que o Brasil já teve, ressaltando que “em governos conservadores”, o peso da crise “recaía nas costas do trabalhador”.

Os termos “retrocesso” e “voltar atrás”, passaram a ser vastamente usados pela candidata e sua legenda.

O primeiro programa partidário do PT de 2014, em rede nacional, em maio de 2014, confrontou famílias felizes e mostrou cenas de seu passado de pobreza e ao fundo um locutor alertava:” Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo o que conseguimos”.

É um discurso do medo, consequência direta da queda de Dilma Rousseff nas pesquisas,  que quer inocular o medo da “volta ao passado” ( rótulo que o PT tentará colar no candidato do PSDB, Aécio Neves) ou o “salto no escuro” ( referindo-se a Eduardo Campos).

A campanha eleitoral de Dilma deixou de lado todos os escrúpulos, esqueceu o debate de ideias e propósitos , ignorou, enfim, as decências básicas da convivência civilizada entre adversários.

Demétrio Magnoli .  lembra o que já foi feito no caso do mensalão. “ O STF converteu-se em ‘tribunal de exceção’, e os políticos corruptos em ‘presos políticos’. Os críticos passaram a ser classificados como representantes da ‘elite branca paulista’ ( se apontam as incongruências da ‘nova matriz econômica’), ‘fascistas’ ( se nomeiam como ditadura todas as ditaduras, inclusive as de esquerda’), ou ‘racistas’ ( se objetam às leis de preferências raciais)…Não é um ‘voto de classe ‘, como interpretam cientistas políticos embriagados com um economicismo primário que confundem com marxismo. É um voto do país que, ainda muito pobre, depende essencialmente do Estado . A antiga Arena vencia assim, espelhando um atraso social persistente…O país moderno, cujos contornos atravessam todas as regiões, sabe identificar a empulhação, a mistificação e a truculência…O PT pode até triunfar nas eleições presidenciais, mas já perdeu o futuro”.

Empresários por sua vez estavam reclamando de estarem sendo vítimas de um processo de “satanização”. Um empresário do ramo industrial disse que o setor privado está sendo retratado como inimigo dos trabalhadores e de programas sociais na propaganda petista.  Outro reclamou corretamente que esse  tipo de propaganda vai contra o discurso oficial do Palácio do Planalto de reaproximação com o empresariado. Outro afirmou que “satanizar” o setor privado, só vai agravar o desgaste no relacionamento do setor privado com o governo.

Antonio Delfim Netto sobre as promessas de campanha destacava:” Uma das falácias de mais fácil aceitação pelos cidadãos desinformados é a crença que o Estado cria recursos físicos do nada e que, portanto, não tem limite – a não ser a ‘vontade política’ – para atender as suas demandas…Para o ‘marqueteiro’, tudo isso não interessa. Se vendeu ou não o seu ‘sabonete’, embolsa a grana da sua genialidade e vai descansar até a próxima eleição. Para o candidato eleito não! As falsidades que o elegeram são as mesmas que lhes serão cobradas no exercício do governo”.

 

As mentiras eleitorais durante a campanha presidencial foram inúmeras:

A primeira  desculpa era de que a culpa da crise era mundial e não brasileira. A economia brasileira cresceu entre 2007 e 2010 uma média de 4,6% e a economia mundial 3,2%. No governo Dilma, 2011 – 2014 a média caiu para pífios 1,7% , enquanto a média mundial subiu para 3,2%.

O segundo argumento era de que os investimentos em infraestrutura foram mantidos. Mas a realidade é que a taxa de investimento  vem caindo seguidamente desde 2011 e , como proporção do PIB recuou de 19,5% em 2011 para os atuais 16,5%.

Outra alegação era que o governo não descuidou da solidez fiscal e da estabilidade monetária. Aqui a situação é preocupante. Com a gastança desenfreada o superávit primário despencou de 2,7% do PIB para 0,9% do PIB e isso com o uso das artimanhas da chamada contabilidade criativa.  Tratava-se do pior resultado da série histórica, iniciada em 2002. Os números estavam de deterioração acelerada e o superávit desapareceu a passou para déficits de grande magnitude a partir de 2014.

A inflação por sua vez, subiu do centro da meta para o teto , permanecendo próxima ao limite superior de 6,5% e isso mesmo com o controle de preços dos combustíveis e da energia elétrica. Em 2014 disparou e chegou em 2016 a  mais de 10%.

Com o petróleo o discurso era que “ a média de produção de petróleo cresceu 50% , entre 2002 e 2013”. A produção média aumentou 39% no período mencionado, mas de 2011 a 2013, a produção caiu 1,5% e as importações de petróleo subiram 20% e a de derivados 12%.

O governo rejeitou a acusação de que o BNDES elegeu campeãs nacionais para concentrar os financiamentos, mas as grandes empresas com faturamento superior a R$ 300 milhões, em condições de negociar e buscar dinheiro no mercado e em bancos privados e públicos, receberam 60% de tudo o que o BNDES desembolsou nos últimos três anos. Foi um montante equivalente a 294 bilhões de reais.

 

A criação de vagas de trabalho e a queda no desemprego, parecia um dos poucos pontos positivos, mas devido á recessão econômica , as vagas começaram a desaparecer e chegamos a 11 milhões de desempregados.

Outra mentira na propaganda:  “A independência do Banco Central significa menos comida no prato do brasileiro”.

Disse Dilma: “Um Banco Central que não tem como meta o máximo emprego tira, sim ( comida da mesa). Tira comida e perspectiva de vida das pessoas”. Tornar o Banco Central formalmente independente o deixa mais apto a combater a inflação que diminuindo, resulta em mais comida na mesa das pessoas.

Dilma também assinalou que nunca houve tanto combate à corrupção no Brasil . Deveria ter dito  que nunca houve tanta corrupção no Brasil  e pior há muitos políticos do PT e do PMDB envolvidos , principalmente no caso da Petrobrás.

Dilma acusou o governo Fernando Henrique de quebrar o país três vezes se esquecendo de que ele foi o responsável pelo Plano Real que salvou o país da hiperinflação. Nos dois mandatos de FHC, o Brasil pediu três empréstimos ao FMI e o último foi feito em 2002 , entre outras coisas , por causa da crise desencadeada pela possibilidade de Lula chegar ao poder. O FMI contribuiu para dar mais tranquilidade aos investidores no início do governo Lula. Quem quebrou o Brasil na verdade foi a própria Dilma Rousseff.

Muitas das conquistas que ocorreram no governo Lula foram resultado da evolução natural de programas e realizações decorrentes do sucesso  do Plano Real.

Dilma ,acusou também FHC de varrer sujeira para debaixo do tapete. Mas, nem é possível imaginar o tamanho do tapete para o qual foram varridas as sujeitas do mensalão e do petrolão.

A dívida publica no governo Dilma passou a ter crescimento exponencial, e este crescimento não se refere à incorporação de esqueletos de dívidas passadas não contabilizadas como no governo FHC, mas pura e simplesmente decorrente do excesso e descontrole de gastos . A dívida pública brasileira deve chegar a 74% do PIB em 2016 e 79% em 2017. O estoque de dívida chegou em junho de 2016 a R$ 2,958 trilhões.

Outra mentira : “A oposição deseja acabar com os reajustes do salário mínimo”.  Dilma em 9 de outubro citou Aécio: “Ele não gosta do salário mínimo, Ele acha que no Brasil, para resolver os problemas, eles tem de reduzir o salário mínimo. Isso é um escândalo”. Aécio se comprometeu a manter a política de reajuste do salário mínimo e criar oportunidades para que as pessoas possam ganhar bem mais do que esse piso salarial.

Dilma disse ainda que: “Aécio votou contra o reajuste do mínimo”. Aécio votou contra a proposta governista, mas por defender um aumento maior em 2011, que teria levado o salário mínimo para 600 reais e não 545 como ficou.

Outra mentira : “O PMDB vai dar o pré-sal para as empresas estrangeiras”. Lula e Dilma deram a Petrobrás aos corruptos da base do governo. Sobrou pouco para vender.

“O PSDB chega ao poder , vai acabar com os programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa , Minha Vida”. O objetivo dessa mentira era alimentar o pânico entre os milhões de pessoas que dependem desses programas sociais. É evidente que nenhum presidente seria maluco de acabar com estes programas sociais.

Por decisão do governo federal , os dados sobre o desempenho dos alunos em português e matemática , aferidos pelo Ideb , e o resultado da arrecadação de tributos em setembro somente ficaram para ser divulgados depois do segundo turno. A decisão somou-s  ao adiamento das decisões sobre desmatamento na Amazônia e do estudo do Ipea sobre o número de miseráveis no país. Ou seja, notícias ruins sobre o trabalho do governo federal, só depois das eleições.

 

Dilma Rousseff tinha tanta certeza de que não iria inovar em nada que recusou-se a por no papel qualquer proposta mais ousada  que somente poderia ser feita por meio de uma carta de intenção. “ Não pretendo fazer carta de intenção nenhuma. Tenho palavra, sou presidente da República”.

Dilma não iria  fazer carta nenhuma não é porque é presidente da República , é porque não queria se comprometer com nenhuma medida a ser tomada. Não queria  amarrar seu governo a determinadas metas. Queria  ter liberdade para fazer o que quiser, inclusive continuar com a sua desastrosa política , ou até dar uma guinada à esquerda, nos moldes de Venezuela.

Por isso,  a mentira final no segundo turno.  Orientada pelo marqueteiro e pelas pesquisas que indicavam que 70% dos eleitores queriam mudanças , Dilma passou a afirmar que iria encarnar a mudança e até inventaram um slogan novo: “Governo Novo – Ideias Novas”, como se fosse possível seu governo inovar em alguma coisa. Portanto o slogan foi criado para captar votos e não expressando uma efetiva mudança de postura em termos de propostas eleitorais.

Todavia ela não percebeu, nem seu eleitorado, que este raciocínio continha uma contradição implícita. Ao falar que ia fazer mudanças, estava reconhecendo tacitamente que tudo o que fez nos seus quatro anos de governo não deu certo, deu errado e precisava ser mudado, ou seja está reconhecendo que seu governo fracassou. Mas, como nada mudou no começo do  segundo governo Dilma , ficou evidente que era apenas mais uma estratégia para enganar o eleitor.

 

 

Edson Leal
Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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