O BRASIL PODE VOLTAR A CRESCER

 

 

O dia 31 de agosto marcou o fim das incertezas pendentes sobre a economia brasileira.

Afastada Dilma Rousseff definitivamente, desaparece a possibilidade de que voltasse a adotar as políticas desastrosas durante seu governo que quebraram o Brasil.



Curso de Constelação Familiar e Sistêmica

Desaparece também um projeto criminoso que usou a aparelho de Estado , para auferir ganhos por meio de corrupção e propinas , objetivando a eternização no poder, enganando a população com uma escalada de aumentos de despesas na área social e que inevitavelmente levaria o país à bancarrota.

Mas, por isso, Michel Temer herda um fardo pesado e terá imensas dificuldades para recolocar o Brasil no rota do crescimento.

O Brasil está em um processo recessivo que começou no segundo trimestre de 2014 e já dura nove trimestres. Só perde para o ciclo de o de 11 trimestres verificado entre o fim de 1989  e o início de 1992.

As quedas foram  sucessivas : 2014 ,  -0,8%, -1,1% e – 0,7%;  2015 ,  -2,0%, -3%, -4,5% e -5,9%; 2016 ,  -5,4% e -,3,8%.

A queda acumulada de atividade atingiu 7,9%, ante 8,5% no início dos anos 1980.

Mas a atual recessão  é a primeira que o PIB caiu por seis trimestres consecutivos. A pior sequência anterior era de quatro quedas seguidas.

O déficit público para este ano está previsto em R$ 170,5 bilhões e para 2017, mesmo com maior controle o buraco deverá ser de R$ 139 bilhões.

Déficit público significa que o governo está gastando mais do que arrecadando o que resulta na continuidade do aumento da dívida pública.  Ela está em 69,5% do PIB em julho de 2016 e em trajetória crescente.

 



FORMAÇÃO COMPLETA EM PSICANÁLISE
Seja Psicanalista. Curso 100% Online. Habilita a Atuar. Teoria, Supervisão e Análise. SAIBA MAIS



Henrique Meirelles destaca que as despesas públicas subiram mais de 50% em termos reais , acima da inflação de 1997 a 2015, ou seja uma trajetória insustentável.

Para sustentar essa escalada de gastos, o governo “retira recursos do setor privado que poderiam estar disponíveis para o investimento e o crédito, restringindo a capacidade de crescimento econômico”.

Isso terá que ser alterado e com modificação constitucional porque “atualmente , 80% das despesas são regidas por leis específicas e, sobem todo ano  sem interferência do governo”.

Se Dilma Rousseff continuasse no governo, o déficit em 2017 seria da ordem de até R$ 280 bilhões e portanto os R$ 139 bilhões já representam uma redução de mais de 50%, mas ainda é déficit.

Mas para chegar aos R$ 139 bilhões já será necessária  a aprovação de uma das mudanças estruturais do novo governo que é a aprovação do teto às despesas , tendo como limite a variação da inflação.

Com a aplicação do teto, haverá uma redução de ao menos R$ 80 bilhões , com ajuste e mais um aumento das arrecadações tributárias da ordem de R$ 45 bilhões, chega-se à meta para 2017 que é de déficit de R$ 139 bilhões, com possibilidade de haver superávit fiscal em 2019.

Uma das principais críticas ao teto é o reflexo nas áreas de educação e saúde e dois trabalhos , do Ministério da Fazenda e da consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados , mostram que os investimentos nestas duas áreas aprovado o teto , vão depender mais da recuperação da economia e da arrecadação  e menos do indicador escolhido para fixar o repasse mínimo para as duas áreas.

O “The Economist” que antes dizia que era hora de Dilma partir, criticando seu governo e a chamando de “inepta”, mudou de tom e agora afirma que esta  é a “hora de Temer”.

A agência de classificação de risco Moody’s  afirmou que o impeachment de Dilma tira uma incerteza sobre a economia brasileira , mas disse que Temer pode enfrentar desafios para aprovar as reformas econômicas e “ uma melhora tangível nas contas fiscais do Brasil ainda precisa se materializar”.

Portanto o Brasil livrou-se de uma mandatária inerte e incompetente, mas Temer além de pouco tempo para mostrar resultados e oposição ferrenha que vai enfrentar do PT, tem que evitar o mesmo caminho de  Dilma Rousseff.

No período de interinidade houve problemas neste sentido.  Aceitou os reajustes do funcionalismo que ela negociou . Os governadores do Norte e Nordeste, insaciáveis, querem uma ajuda emergencial de R$ 7 bilhões, nos mesmos moldes dos R$ 2,9 bilhões dados ao Rio de Janeiro, mas sem olimpíadas. Querem mais R$ 7 bilhões em garantias e autorizações para contrair novos empréstimos, ou seja, não entenderam ainda que o  governo federal esta à beira da falência.

As pressões por aumentos de despesas no funcionalismo são inúmeras. Estão em greve os servidores do Tesouro Nacional,   da Receita Federal. Funcionários do Itamaraty, do Ministério da Transparência e da Defensoria Pública pleiteiam benefícios parecidos. Há um projeto que prevê reajuste de 56% para os defensores públicos, que passariam a ter salário inicial de R$ 28.000,00. Se todos atendidos, os reajustes podem implodir o ajuste fiscal.   Nos anos do PT, o gasto  com itens como salários do funcionalismo e aposentadorias cresceu 400% e beirou R$ 1 trilhão em 2015.

As pressões por  cargos continuam fortíssimas , deputados e senadores querendo garantir seus feudos e concessões nesta linha continuam sendo feitas, embora em menor intensidade.

O teto de gastos públicos enfrentará dificuldades de aprovação. Maiores serão os obstáculos para a reforma da Previdência .Infelizmente, para ajustar as contas do Brasil são inevitáveis medidas antipopulares que serão registradas pelos dilmistas como regressão e adoção de medidas para extinguir direitos e garantias sociais .

No caso da Previdência, a evolução das contas também é insustentável e se nada for feito em dez a quinze anos, o governo não terá dinheiro para pagar os aposentados.

Nesta questão os números falam por si.  Hoje temos 11 idosos ( 65 anos), para cada 100 pessoas  com 15 a 64 anos.  Em 2060, serão 44 para cada 100, ou seja a relação de 1 para 10 vai mudar de 2 para 5.

A despesa com a Previdência deve passar de 8% do PIB agora para algo entre 17% e 18% em 2060.

O INSS teve necessidade de financiamento de R$ 85 bilhões em 2015 e em 2016 serão  R$ 150 bilhões. A proporção de pensionistas que também recebem aposentadoria triplicou entre 1992 e 2014. No início dos anos 1990 eram 9,9% e agora um terço dos pensionistas estão nesta situação , e 2,39 milhões de pessoas passaram a acumular os dois benefícios.

Portanto, regras terão que ser mudadas e haverá grande oposição a isso. A fixação de uma idade mínima está entre as possibilidades, mas terá que  ser correlacionada com o tempo de contribuição para preservar  aqueles que ingressam mais cedo no mercado de trabalho.

Há outras mudanças significativas que já foram ventiladas e que eram anátema para a administração petista. Uma delas é  acabar com a regra que obriga  a Petrobrás a ter participação de pelo menos 30%  em todos os projetos de exploração do pré-sal. Os petistas criaram uma camisa de força para a empresa, mas a estrangularam com  a roubalheira e a política de  controle de preços dos combustíveis e a empresa, altamente endividada e sem dinheiro em caixa , não tem mais condições financeiras de participar de novos leilões de exploração, .

Outra regra a ser mudada é a de conteúdo nacional que obriga empresas a comprarem produtos no mercado interno , mais caros e de qualidade duvidosa.

Outra área de grande potencial está nas  novas rodadas de concessão de infraestrutura  com oferta de R$ 113 bilhões em projetos de rodovia, aeroportos, ferrovias e portos á iniciativa privada em dois anos.

O novo governo tem a vantagem de que  com o retorno do bom senso nas decisões econômicas , haverá muito capital externo que deve entrar no país em busca de oportunidades lucrativas pois o Brasil é um dos países com mais potencial no cenário internacional,  atratividade ampliada   com países praticando taxas de juros negativas ou próximas a zero.

Os bancos centrais de Japão, zona do euro, Dinamarca, Suécia e Suíça continuam adotando taxas de juros negativas.  São quase 500 milhões de pessoas que vivem em economias que correspondem a 25% do PIB global. Cerca de US$ 19 trilhões , em títulos públicos e privados , 25% do mercado mundial de dívida , são negociados com taxas negativas.

Segundo a gestora Black Rock, mais de 70% dos índices de títulos públicos de mercados desenvolvidos tem retornos de até 1%. Isso pode criar um “tsumoney” para os emergentes, inclusive o Brasil, só  contido se os juros americanos subirem.

Nos 12 meses até agosto, os fundos de renda fixa já acumularam um saldo positivo de US$ 16,8 bilhões e os de ações US$ 800 milhões. E Índia , Indonésia, Rússia e Brasil estão  entre os países preferidos dos investidores. Já há a percepção de que o pior da desaceleração de Rússia e Brasil ficou para trás.

Os preços de várias commodities recuperaram parte das perdas registradas no início do ano.

Mas, com a saída de Dilma Rousseff acabou a incerteza e os investidores estrangeiros começam a voltar.  A parcela aplicada  no país, pelos fundos que investem exclusivamente em títulos de renda fixa de mercados emergentes  atingiu 9,4% em julho ,maior nível desde junho de 2015, segundo dados da consultoria EPFR Global.

Nos casos dos fundos de ações e renda fixa, focados em América Latina , os percentuais de aplicações atingiram em julho os maiores patamares desde o segundo semestre de 2014, quando a economia do país começou a dar sinais claros de desaceleração. Mas não voltaram ainda aos patamares registrados entre 2009 e 2010 , quando  o otimismo em relação ao país atingiu o seu ápice.

O fluxo deve continuar aumentando  se reformas propostas por Michel Temer , mostrarem eficácia em contribuir para a retomada da atividade econômica.

A aprovação das reformas propostas no Congresso Nacional é que dará a sinalização de que o governo Temer será capaz ou não de controlar as contas públicas e mudar a trajetória do país rumo ao abismo.

Na economia a mudança de humor já é patente. Os  indicadores mostram que já estamos  diante de uma recuperação.

A produção industrial como um todo vem se recuperando nos últimos meses. A produção de bens de capital , como máquinas e equipamentos está crescendo desde o início do ano.  Pela primeira vez em 28 meses, o índice de confiança do empresário industrial , medido pela CNI está acima dos 50 pontos , marca divisória entre otimismo e pessimismo.  A Bovespa subiu quase 60% desde janeiro. Os contratos de CDS – Credit Default Swap , instrumento financeiro que funciona como um seguro para os investidores em caso inadimplência , caiu abaixo de 300 pontos, quase metade da marca que estava em setembro de 2015.

O Índice de Confiança da Construção do Brasil , avançou 1,8 ponto em comparação com julho e chegou a 72,5 pontos em agosto, o maior patamar em mais de um ano, de acordo com a FGV. A percepção é de uma lenta retomada da atividade no setor.

Portanto, o caminho da recuperação está dado, as incertezas desapareceram , é preciso prudência para evitar os erros dos últimos anos, mas o Brasil tem potencial para voltar a crescer.

 

 

 


Curso de Psicanálise

Deixe seu Comentário Abaixo :)

Edson Leal

Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *