A maravilhosa experiência do trabalho em equipe

Entre 2014 e 2015, eu tive a (maravilhosa) oportunidade de estudar na Noruega. Na época, fui aluno da Norwegian University of Science and Technology (NTNU). Em uma das aulas que participei, a professora propôs um desafio aos alunos: construir uma “fábrica de reciclagem”. Vale lembrar que estas aulas aconteciam toda sexta-feira pela manhã, durante meu semestre de inverno.

No primeiro momento, fiquei muito interessado no desafio e, ao mesmo tempo, muito, mas muito assustado. “Será que eu consigo?”, “Mas, como?”, “Eu nunca fiz algo assim.” e “Não vai dar tempo” foram alguns dos meus pensamentos. Contudo, hoje quero comentar sobre esta disciplina que acabou se tornando uma das lembranças mais felizes que tenho de meu intercâmbio.

Como disse, deveríamos construir uma fábrica, mas iríamos construí-la utilizando Lego. Não qualquer Lego, usaríamos Lego Mindstorms. Você já deve ter visto em alguma imagem ou em algum vídeo do YouTube robôs ou carros feitos de Lego. Era assim que construiríamos essa fábrica. Na primeira sexta-feira, a professora explicou que todo ano os alunos construíam algum projeto com Lego e que, naquele ano, o objetivo era construir uma fábrica de reciclagem e que, para facilitar a construção, deveríamos nos foca na separação de materiais. Basicamente, tínhamos quatro pneus de diferentes tamanhos e tínhamos que construir uma linha de produção capaz de separá-los. Parece simples? Não foi nem um pouco simples. Para “facilitar” a construção, também seríamos divididos em grupos. Cada grupo iria construir um pedaço da fábrica.

A primeira grande discussão foi “como iremos separá-los?”. Foi o primeiro desafio. Cada grupo discutiu suas idéias e desenhou o projeto de fábrica em uma cartolina. Assim, era possível comparar todas as idéias existentes e votar na mais adequada. Este foi meu primeiro contato com trabalho em equipe “de verdade”. Claro, como estudante, escrevi e apresentei muitos artigos e trabalhos. Na verdade, ainda apresento. O interessante é que nenhuma das fábricas foi votada como a melhor. Nós decidimos que iríamos unir dois dos projetos em uma única fábrica. Isso foi incrível! A melhor ideia não veio de um grupo, veio de  uma união.



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Assim, começamos a pensar em como a fábrica seria dividida entre os grupos. No fim, um grupo ficou responsável por criar um braço robótico capaz de colocar os pneus no início da linha de produção, outro foi responsável por criar “containeres” que se movimentassem automaticamente toda vez que estivessem carregados com os pneus, outro foi responsável apenas pelo gerenciamento das equipes e o restante com a construção da linha de produção e da separação dos pneus. Não recordo o número total, mas acredito que fossemos pelo menos seis equipes diferentes.

E então começos a construir. Foi assim, montando e desmontando nossos “pedaços de fábrica”, que aprendemos a trabalhar em equipe. Não apenas internamente, visto que meu grupo era formado por cinco pessoas (três brasileiros e dois noruegueses), mas com os outros grupos. Eu lembro que discutimos diversas vezes pois nosso “pedaço de fábrica” não encaixava corretamente com o próximo pedaço. No começo, era muito comum ouvir: “this is not my responsability!” (“isto não é minha responsabilidade!”).

Com o tempo, começamos a nos entender melhor. Acho que aprendemos que, no final, teríamos uma fábrica só e que, se um falhar, todos falham. Apesar de todo o stress, esta experiência foi, como dito anteriormente, uma das mais felizes que tive na Noruega. Passar a manhã inteira tentando construir um projeto que não depende apenas de você te ensina a lidar com a frustração e com o comprometimento um com o outro. Montamos a fábrica juntos e testamos os diferentes designs juntos. Garantíamos um fluxo de informação eficiente entre os grupos.

Um exemplo do bom fluxo de informação ocorreu com a altura que as esteiras deveriam ter. Para que o braço robótico levasse os pneus até a esteira, era necessário que esta tivesse uma altura “x”. Para que o outro grupo pudesse separar os pneus e utilizar a gravidade para levá-los aos “containeres”, precisavam de, no mínimo, uma altura “y”. Assim, tomávamos decisões em conjuntos e ajudávamos uns aos outros quando dúvidas surgiam.

Não tenho dúvidas que levantar cedo toda sexta-feira e enfrentar o gelo e neve para chegar no campus valeu a pena.

systemsengineeringntnu Fonte: NTNU

 

No fim do projeto, a professora levou a equipe de filmagem da NTNU à aula. No vídeo, tanto a professora Cecilia Haskins quanto alguns alunos comentam sobre o projeto. Veja o vídeo, disponível em inglês, em https://video.adm.ntnu.no/pres/5540916f4be5f

Até mais!



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Eduardo Polloni Silva

Aluno de graduação em Engenharia de Produção. Morou um ano na Noruega como bolsista do programa Ciência sem Fronteiras, onde estudou e teve a oportunidade de estagiar na área de Óleo & Gás. Possui certificações em Six Sigma, Scrum e Marketing. Atualmente, é colunista semanal do portal N&C e tradutor de palestras TEDx Talk. Possui interesse em estratégia empresarial, gerencimento de projetos, sustentabilidade e empreendedorismo.

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