Macri : A Esperança de Volta à América Latina

Graças ao esquerdismo vitaminado pelo populismo, nuvens negras formaram-se na América Latina. Na Bolívia não tem crise , mas Morales manobra para tornar-se presidente perpétuo, equiparando-se à ditadura Castro de Cuba. Na Argentina, 12 anos de kirchnerismo acabaram com as reservas do país e tiraram a Argentina do mercado internacional. No Brasil, 12 anos de petismo resultaram em contas públicas em frangalhos, em um mandato com base em estelionato eleitoral, garantindo mais quatro anos de crise. Na Venezuela, Chávez não está mais lá, porque confiou na medicina cubana e um câncer o matou, mas Nicolás Maduro continua cumprindo fielmente a missão bolivariana de destruir a economia do país.

Mas, a devastação na economia foi tão grande que ventos começaram a soprar para afastar o mau tempo econômico esquerdista.  Isso já ocorreu na Argentina e na Venezuela e quiçá ocorra no Brasil.

Na Argentina, o nome da esperança chama-se Maurício Macri que conseguiu derrotar 12 anos de kirchnerismo.

Macri representa uma esperança de retorno à racionalidade e para fazer isso terá que se mostrar capaz de enfrentar e superar as práticas que levaram à situação atual.



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Não será uma tarefa fácil porque as forças populistas tudo farão para sabotar seu trabalho, mas nas primeiras medidas que tomou como presidente já deu mostras que tem liderança e autoridade para conduzir a Argentina a um novo caminho.

Maurício Macri tomou posse em 10 de dezembro, como esperado, sem a presença de Cristina Kirchner. Em seu primeiro discurso afirmou que os políticos devem superar os seus egos e prometeu combater a corrupção.

A Argentina está vivendo uma onda de otimismo com o fim do ciclo kirchnerista e a entrada de Maurício Macri na presidência do país.

Jornais estão publicando matérias e colunas de opinião simpáticas ao novo presidente, sindicatos dão mais tempo para suas reivindicações e empresários estão eufóricos com o recém-anunciado fim das travas comerciais e do cerco ao dólar.

Nem a desvalorização do peso, provocada por uma alta de 40% do dólar azedou o humor geral, embora a disparada muito provavelmente chegue aos preços ao consumidor.

Henrique Meirelles destaca a posse de Maurício Macri como o evento mais significativo no início de 2016, que pode impactar a América Latina por muito tempo.

Macri terá uma tarefa hercúlea: ajustar as contas públicas e promover o desenvolvimento, problemas com os quais o Brasil terá que se defrontar.  O ajuste será longo.

A inflação deverá fechar 2015 em 28%, há déficit fiscal há quatro anos, ele foi de 7% do PIB em 2015, em dois dos últimos três anos o PIB foi negativo e deve crescer em 2015 apenas 0,5%.

As reservas internacionais de US$ 52 bilhões em 2010 caíram para US$ 25,8 bilhões, enquanto o Brasil tem US$ 370 bilhões.



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Para promover os ajustes necessários, Macri precisa desmontar o kirchnerismo e já começou a fazer isso.

Mostrou que tem disposição para a tarefa, tomando medidas duras logo de saída, medidas que foram consideradas autoritárias, mas que se justificam diante da necessidade de enfrentar a forte oposição dos kirchneristas que tudo farão para sabotar o seu governo. Portanto está mostrando mais autoridade do que autoritarismo.

Macri nomeou dois magistrados para a Suprema Corte por decreto, por causa do recesso legislativo e foi criticado porque deveria ter havido aprovação do Senado.

Em outro decreto, Macri revisou concursos públicos e demitiu 15 mil servidores, na maioria nomeados pelo kirchnerismo, por considera-los funcionários fantasmas ou indicados políticos.  No Brasil são 25 mil. Cristina Kirchner nos últimos dias de seu mandato, nomeou centenas de servidores.

Cristina Kirchner com a alta da inflação resolveu falsificar os dados estatísticos. transformou o Indec, o IBGE local em terra arrasada, caos. Foi dessa maneira que o novo presidente do Indec, disse que encontrou o local.

Cristina para tentar forçar os produtores a vender soja no mercado interno a um preço menor proibiu a exportação de grãos e o efeito foi desastroso. Os produtores se recusaram a vender a soja, e o produto ficou estocado. Macri consertou imediatamente tudo isso.

Formalizou no dia 14 de dezembro a retirada de impostos sobre a exportação de trigo, milho, girassol e carne, além da redução do percentual cobrado sobre a venda de soja de 35% para 30%. Ou seja, na Argentina o governo decidiu para enfrentar a crise, reduzir impostos, enquanto no Brasil todas as propostas são de aumentar impostos. Acabou no dia 16 de dezembro com o cerco ao dólar, ao eliminar os controles às despesas em moeda estrangeira.

Com as decisões, os produtores vão vender excedentes estocados e o governo espera aumentar as exportações entre US$ 8 e 11 bilhões, ajudando o país a enfrentar a severa escassez de dólares.

Macri, ao contrário de Cristina Kirchner, quer fazer avançar o acordo de livre comércio com a União Europeia e isso vai beneficiar o Brasil. Graças à Argentina e à Venezuela, as negociações do Mercosul com a União Europeia ficaram totalmente paralisadas.

Macri precisa superar o impasse com os “fundos abutres”, porque quer reintroduzir a Argentina no mercado internacional financeiro. Terá que pagar US$ 8 bilhões aos detentores de títulos da dívida que não aceitaram as reestruturações feitas em 2005 e 2010, como estabelecido pela Justiça americana.  Irá buscar um acerto “tão rápido e justo quanto possamos obter” e com a volta do crédito, a Argentina poderá dobrar a produção de alimentos.

Cristina Kirchner criou a Lei da Mídia para perseguir o grupo Clarín e ela será modificada, para anular tudo o que foi feito. Por decreto, Macri fez reformas na Lei da Mídia, fundiu os órgãos de aplicação e retirou diretores kirchneristas que não queriam sair.

Os dois órgãos a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca) e a Autoridade Federal de Tecnologia de Informação e Comunicação (Aftic) eram dirigidos por ultrakirchneristas.

Macri mostrou que não está para brincadeira.  O governo publicou no dia 23 de dezembro um decreto removendo os presidentes das duas autarquias. Martin Sabatella e Norberto Berner foram retirados do cargo contra sua vontade, porque formalmente seus mandatos terminariam em 2017 e 2019.

Macri disse ainda que vai fundir a Afsca e a Aftic em uma única entidade, a Enacom (Ente Nacional de Telecomunicações).

Após anos enfrentando dificuldades na Argentina, multinacionais brasileiras já preveem aumento de receita e algumas chegam a fazer planos de expansão.

Cristina Kirchner, a exemplo do Dilma Rousseff derrubou irresponsavelmente os preços de energia na Argentina, que se tornaram ridículos. Macri terá que restabelecer a verdade tarifária e isso terá consequências na inflação.

Os argentinos mostraram lucidez ao superar o populismo kirchnerista. Os equívocos cometidos por este modelo agora serão ajustados e o país poderá retomar a rota do crescimento.

Os venezuelanos também decidiram pelo voto, reprovar o bolivarismo chavista que está sendo aprofundado por Nicolás Maduro.  Mas foi apenas uma eleição parlamentar e o presidente continua no cargo, ou seja, não haverá mudanças significativas no curto prazo que permitam reconstruir a economia do país. Mas, a menos que o chavismo mostre sua verdadeira face e consolide uma ditadura, o voto vai por fim a um modelo falido.

Macri veio a Davos para o Fórum Econômico Global, com um time completo de auxiliares e disse que quer deixar claro que a Argentina é “Um país aberto, confiável, com regras estáveis para todos”. Ou seja, tudo o que o Brasil não é.  A Argentina brilhou em Davos e o Brasil não foi notado.

Em Davos reuniu-se com o premiê britânico, David Cameron, onde repetiu a histórica reivindicação argentina pela soberania sobre as ilhas Malvinas, mas sem deixar de “sentar-se para discutir sobre tudo”.

 

A chegada de Macri ao poder e as mudanças imediatas já feitas, mostram a importância da figura de um estadista em mudar os rumos de uma nação. Um presidente é como o comandante de um navio e pode conduzi-lo para navegar em águas calmas ou rumo ao fundo do mar como no caso do Titanic. 


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Edson Leal

Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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