Inovação: nunca vi, nem comi, eu só ouço falar

Discutir inovação é algo que normalmente mexe com os aspectos cognitivos das pessoas que não fazem parte desse universo ou que sequer possuem o perfil inovador. Ao notar o comportamento do brasileiro nos negócios, na forma de operacionalizar suas estratégias, ou apenas conversar com grupos heterogêneos e multidisciplinares sobre este tema, algo fica claro: o brasileiro ainda não sabe, efetivamente, o que é inovação. E uma de suas causas está ligada à cultura educacional brasileira sustentada em um sistema falho que prepara os indivíduos para um futuro medíocre e recheado de inseguranças.

O fato é que a escola prepara os alunos para serem aprovados no vestibular, as universidades (com muito esforço) preparam os alunos para serem recursos intelectuais que serão usados para atender um objetivo normalmente traçado por outrem, o seu chefe. Em sua base, o sistema não apresenta alternativas concretas de educação para desenvolvimento de perfis planejadores que “tracem o objetivo“, mas que sejam as peças no tabuleiro de xadrez de outros, isto é, o sistema não ensina o indivíduo a pensar ou faz isso com uma visão míope e limitada. Neste cenário destacam-se aqueles que ousam mais e descobrem que não há um único universo a ser explorado, mas sim um multiverso! Um mar de possibilidades não apresentadas durante o processo educacional básico.

Sabendo desta “condição sine qua nom” do brasileiro em relação à inovação, é natural que tenhamos um mercado embasado neste sistema que ensina que o futuro está nas mãos de um diploma (que sim, tem seu mérito e é importante principalmente se a pessoa souber usá-lo); mas, como gosto de dizer, eu não contrataria um jogador de futebol pela escolinha de futebol que ele treinou, mas sim pelos resultados que apresenta, como faz para chegar lá e por que ele faz daquela forma.

Se compararmos o processo cognitivo dos indivíduos com as incertezas presentes no universo de negócios, tal como o multiverso com a fonte alternativas de soluções para os problemas (que muitas vezes representam as incertezas citadas) enfrentados, veremos que as definições errôneas de inovação que, em função de nosso sistema educacional, se constituíram ao longo do tempo com base em achismos e se concretizaram com definições que muitas vezes não são levadas a sério no mercado, principalmente por empresários que começam a buscar alternativas para sobrevivência de seus negócios perante o Oceano Vermelho – cenário onde as disputas comerciais são acirradas devido a uma concorrência intensa, às crises econômicas e a consolidação de um novo estado econômico para os clientes, que cada vez mais deixam de comprar produtos e serviços para comprar  relacionamentos, histórias e experiências.



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E aqui começa uma das consequências mais críticas, as soluções apresentadas para os problemas de negócios tendem a se firmar com um pacote de crenças moldado para cada indivíduo (que naturalmente acrescenta seus valores individuais) em um mesmo padrão de pensamento. O resultado? Soluções sem valor e sem impacto para o cliente e para o negócio. Não é possível alcançar resultados diferentes se o padrão de pensamento não pressupõe mudanças! (Einstein já dizia isso, de outra forma, mas dizia!)

O perfil inovador

Estarmos inseridos em um contexto educacional que não nos torna inovadores não nos exime da responsabilidade de buscar alternativas na forma de pensar e de traçarmos planos de criação dos nossos próprios diferenciais competitivos. O perfil inovador é resultado da interseção de conhecimentos, habilidades e atitudes que desafiam o status quo (que a propósito, foi justamente o que fez a Apple se tornar a empresa que é).

Este artigo o desafia a refletir sobre o fato de ter o conhecimento ou simplesmente o “ter o saber” (aquilo que nos ensinam pelo sistema básico) não ser o suficiente. As habilidades ou “o saber fazer”, e as atitudes ou “o querer fazer” são elementos fundamentais para compreender a inovação, defini-la e obter resultados a partir de práticas que sustentem sua definição teórica. A lógica aqui é, de que adianta um profissional ter 5 MBAs em gestão de negócios (conhecimento), mas nunca geriu uma operação (habilidade) e se quer se predispõe a fazê-lo (atitude)?

Concentrar esforços em desenvolver conhecimentos, buscar experiência-las para desenvolver as habilidades e consequentemente se permitir numa eterna busca por aprimoramento e cultivo de atitudes, o tornarão um profissional mais inovador, pois consequentemente você entenderá algo que mais uma vez não nos ensinam na base… que a inovação acontece através das pessoas!

O multiverso 

A inovação normalmente é resultado de observações sensíveis acerca das necessidades humanas mais latentes, aquelas que não são expressas e muito menos ditas, mas sim sentidas e percebidas. Um exemplo disso é o clássico Henry Ford, com a criação do veículo automotor. Na ocasião da proposta de solução para o transporte, Ford não perguntou aos seus contemporâneos o que eles desejavam, mas foi capaz de perceber e sentir que os desejos humanos da época não seriam ditos com palavras, até porque as pessoas não sabiam ainda o que era um carro, afinal ele não existia.

O carro, solução proposta, foi resultado de uma sensível observação de necessidades latentes dos seus “clientes”. Hoje, felizmente temos conhecimentos, habilidades e atitudes que nos permitem ter resultados inovadores como estes. Design Thinking, Design de Serviços, Creative Problem Solving, Innovation Games, Moonshot Thinking, Customer Experience Management e outras abordagens surgem como alternativas para alcançarmos estes resultados. E estes serão os componentes centrais do “multiverso” que trarei para o Negócios e Carreiras.

O looping da inovação 

A mensagem final que deixo neste artigo de inauguração é que o mais interessante é percebermos que uma resposta inovadora endereçada a qualquer tipo de problema ou demanda, seja social, de massa, corporativo ou específico sempre gerará um ou mais problemas a serem resolvidos; veja:

  • A partir da criação do carro (algo inovador) consequentemente nasceu o problema do excesso de velocidade! Qual a resposta imediata para isso? Velocímetro e redutores de velocidade.
  • A partir do desenvolvimento das tecnologias móveis e do comportamento do consumidor nasceram os smartphones, que consequentemente geraram o problema do consumo de bateria! Um mobile phone que se carregava 1 vez por semana agora precisa ser recarregado todos os dias, as vezes mais de uma vez por dia! Quais as soluções? Desde de capas carregadoras até serviços de recarga de bateria em estabelecimentos como restaurantes.
  • Ainda na linha de mobilidade, os smartphones possuem telas suscetíveis a arranhões e rachaduras. Qual a resposta para este cenário? Películas anti impacto.

Enfim, poderíamos passar a eternidade trabalhando nesta lista e mesmo sem ser necessário o que percebemos é que a inovação não é como o ciclo de vida humana, que nasce, cresce e morre, a inovação para ser considerada culturalmente reconhecida em uma organização, seja uma empresa ou uma pessoa, deve ser sustentável, perene e cíclica. Ela não morre. E o prazer de inovar é justamente esse. Quando se começa, você não pode parar! Você simplesmente não quer parar porque sabe que novas oportunidades virão para desafiar seus conhecimentos, habilidades e atitudes.



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Victor Gonçalves

Victor Gonçalves é Coordenador de Design de Estratégico na ADDTECH, Certified ScrumMaster pela Scrum Alliance, Practitioner em Programação Neurolinguística e membro profissional do Interaction Design Foundation. Formado em Design, é especialista em Neurociência e Antropologia pela ESPM - RJ, e em Mídias Interativas pelo Instituto Infnet. Possui MBA em Gestão de Pessoas, é especialista em Análise Comportamental e Microexpressões, e professor de Design de Serviços e Inovação em Modelos de Negócios no MBA de Design de Interação do SENAC RJ.

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