Informalienação: a informação que aliena

Uma das coisas que mais me preocupa sobre o presente e, por que não, o futuro da humanidade é quando vejo que muitos não se importam em conhecer a fonte ou os detalhes das informações, apenas se contentam com os cabeçalhos, por mais sensacionalistas que sejam. Diariamente me deparo com postagens sem nenhum sentido lógico, aos quais os que compartilham defendem com intensidade, muitas vezes nem sequer leem o conteúdo da “informação” que estão distribuindo.

De frutas híbridas a curas milagrosas, de citações fora de contexto a leis inexistentes; a vastidão do conteúdo é extensa. Há também a crença em notícias claramente falsas, como era o caso da mais recente “previsão de fim do mundo”, feita por uma pessoa de quem nem mesmo o Google tem conhecimento sobre sua carreira ou de sua existência antes de tal notícia, ou os “alertas sobre produtos que causam prejuízos à saúde” feitos por “médicos” com CRM falso. A facilidade de iludir às mentes ignorantes – considerando a palavra no seu mais puro sentido literal, daquele que ignora algo – me leva a acreditar que a distopia do filme Idiocracia (Idiocracy; Mike Judge, 2006) onde o mundo é totalmente dominado por pessoas de Q.I extremamente baixo, pode um dia se tornar realidade.

Infelizmente, o problema não é recente. Basta baixarmos o nível do tipo de informação para compreender: Lembra-se daquela sua vizinha que sempre espalhava as famigeradas fofocas sobre quem cruzasse seu caminho? Pois bem, com a maior facilidade de distribuição de conteúdo hoje as “fofocas” são mais intensas, atingem públicos maiores, alienam com maior velocidade. Vivemos num mundo digital de fofocas globalizadas.

A falta de instrução pode sim ser um agravante desta inocência em massa, no entanto não creio que seja a origem de tal feito. Me decepciono cada vez que vejo colegas a quem costumava admirar, com formação superior, bons empregos e bons argumentos sobre diversos assuntos, simplesmente levarem-se a crer nas bobagens publicadas ou, ainda pior, serem os que produzem tal lixo informativo. Se a qualidade do ensino brasileiro é considerada baixa, cabe a todos nós trabalharmos para mudar a situação. Não falo aqui de centralizar o conhecimento nas melhores instituições de ensino, muito pelo contrário, minha intenção é conscientizar sobre a crescente necessidade de difusão do conhecimento à maior parte possível da população e, isto sim, é responsabilidade de cada um de nós.

A busca por sabedoria nada mais é do que uma das manifestações do instinto chamado curiosidade, o mesmo que nos foi ensinado como inadequado através de ditos populares como o de que “a curiosidade mata o gato”. É fato que existem aqueles que simplesmente não desejam que tenhamos conhecimento da verdade, afinal isto poderia ser prejudicial a seus planos. Tal motivo só me faz crer que é ainda mais importante ser sempre mais curioso. Diariamente podemos agir de forma a prover veracidade, atuando com integridade e buscando conhecer de fato o que nos é contado. Também é nosso DEVER incentivar às gerações futuras e até mesmo as anteriores a desenvolverem seu senso crítico e instigar sua curiosidade, através da argumentação fundamentada e do estudo, seja ele através de aulas formais, livros, documentários, ou a forma como melhor a pessoa for capaz de compreender, desde que os conteúdos se tratem da verdade.

É muito simples acreditar que a política é responsável por tudo, afinal é isto que nos vem sendo ensinado pelas mídias e passado através de gerações – mais uma inverdade difundida – o que muitos esquecem é que somos nós mesmos os responsáveis por tais políticas. Quando acreditamos em promessas de campanha impossíveis, quando colocamos ou retiramos alguém do poder através da nossa manifestação de vontade, seja na rua ou nas urnas, somos nós que escolhemos qual é o pensamento político no qual vamos confiar.

A única chance de salvar o planeta de nós mesmos é através da capacidade de impedir ou lidar com os problemas que criamos, e isso somente é possível através do conhecimento que temos sobre as situações. Por este motivo é que, mais uma vez,  venho encarecidamente pedir que sejamos mais curiosos e busquemos sempre a origem e os detalhes da informações, pois somente desta forma uma escolha pode ser feita com precisão.

 

Denise Stanczyk
Estudante de Administração de Empresas na UFPR, tem paixão por aprender um pouco de tudo, conhecer pessoas e outras culturas. Acredita que curiosidade não é um defeito, e sim uma qualidade.

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