A Individualidade nas Equipes Corporativas

Há décadas, o conceito de equipes corporativas tem sido usado em todo tipo de atividades paralelas auxiliares ao se mencionar visão e missão da empresa. Facilitadores, palestrantes, escritores, gerentes e mais uma gama de profissionais da área expõem suas ideias a respeito. Como ocorre agora, neste texto. Uma pergunta que talvez jamais tenha sido feita é como fica a individualidade nas equipes corporativas?

Em nossas palestras instrucionais – não motivacionais –, alertamos sempre para o fato de que empresas deixarão de ser falhas quando os seres humanos deixarem ser falhos, já que as primeiras são iminentemente compostas pelos segundos.

Continuarão sendo compostas pelos segundos ainda que a tecnologia evolua à qualidade absoluta.

E falhas são tão relativas quanto assertividades. Tanto umas quanto outras são percebidas de maneira particular, a depender de situações. Você pode considerar como falha:



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  • O ato de puxar o tapete do colega
    • Talvez não seja se sua filha estiver em cama de hospital e você concorrer diretamente com ele pela promoção, o que seria muito bom para o tratamento da pequena
  • O ato de aceitar comissões por fora para fechar contrato com fornecedor
    • Talvez não seja se o gerente de seu departamento receber o dele também
  • Enviar mensagem com denúncias – mesmo que verdadeiras – sobre a empresa concorrente em determinado projeto
    • Talvez não seja se a sua própria tenha sido denunciada em alguma ocasião passada

Isto significa que o indivíduo sempre toma decisões mesmo que seja componente de equipe com três colaboradores ou trezentos. Portanto, é importante que cada vez mais a psicologia organizacional e do trabalho desenvolva processos pelos quais a força individual esteja tão evidente quanto a da equipe.

Como Perceber a Individualidade na Equipe Corporativa

Nossa colega neste site, Maria D. Resende, pergunta “quando a crise está presente na história, alguns lamentam e outros abrem oportunidades, o que faz a diferença?” em seu belo texto Lidando com crises a partir de um novo modelo mental. Questão de individualidade.

Há profissionais muito bons no mercado de relações corporativas, mas com olhos voltados à produção e efetividade grupais. Quando veem o indivíduo, aplicam visões de extremo: ou ruim ou ótimo. Já tivemos chance de comentar neste site sobre a força da historicidade no colaborador. Mais do que qualquer outro fator, deve ser levada em conta no momento da composição da equipe.

Katia E. P. Palacios e Jairo E. B. Andrade buscam compreensão dessa postura, na dissertação O efeito da interdependência na satisfação de equipes de trabalho: um estudo multinível. No fim do trecho “Nas equipes de trabalho, em decorrência da sua estrutura, a interação dos membros é imprescindível, pois os objetivos serão atingidos apenas a partir do esforço conjunto”, quando falam em

Pode-se notar que a individualidade sobrepuja a equipe quando:

  • Os humores da equipe como um todo são variáveis, quase sujeitos a transtorno bipolar
  • Os índices de acertos e não-êxitos da equipe estão em extremos opostos: ou acertam em nível 10 ou se equivocam em nível -1
  • Determinados tipos de tarefas são escolhidos e não delegados
  • Determinado componente ou está sempre em destaque ou não tem destaque algum
  • Ocorrem tracos surtos depressivos de um ou mais componentes da equipe 

Mas, Afinal, é Bom ou Ruim?

Arte: Dreams Time

Depende da postura da gerência e diretoria e sua política de relacionamento da empresa

Um dos problemas nefastos do processo de monitoramento de efetividade de equipe é a busca pela solução mais fácil: ou rua para o indivíduo ou premiação mensal. A primeira gera transitoriedade de humores e oscilação de desempenho; a segunda, desencantamento dos outros membros.

O que Fazer, Então

“Jamais o indivíduo esteve tão encerrado nas malhas das organizações (em particular, das empresas) e tão pouco livre em relação ao seu corpo, ao seu modo de pensar, à sua psique.” Esse enquadramento de situações é de Eugène Enriquez, em tradução do jornalista Marcelo Dantas do ensaio “O Indivíduo Preso na Armadilha da Estrutura Arte: Dreams Time Estratégica”¸de 19 anos atrás, mas com alma de anteontem.



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Em prol do contrato de trabalho, o colaborador inibe sua personalidade ou assume outra em pelo menos um momento do dia, conforme visto em Relações entre Competências Pessoais e Tipos de Personalidade do Gerente de Projetos, de Flávio L. M. Fernandes.

Arte: RF Clipart

Estudiosos mais conceituados asseguram que duas ou mais das ações seguintes, por parte de gerentes e supervisores, podem levar uma equipe a considerar mais claramente as questões da individualidade nos grupos em uma corporação:

·    Incentive conversas toscas no cantinho do café (cinco minutos no máximo e duas ou três vezes por dia)

·    Mencione família (ou namorada[o])

·    Ao referir-se a êxitos, jamais nomeie componentes, mas equipe, por mais destaque que tenha obtido um deles

·    Não sendo possível o item acima, assegure-se e deixe claro que o elogio é fundamentado em fatos e não vazio; e sempre num tom abaixo do merecimento

·    Dinâmicas internas ou externas se um só componente da equipe não puder comparecer, adie

·    Alterne a função de porta-voz da equipe entre todos os componentes

·    Por mais bem composto que esteja um relatório de equipe e seja quem for o portador dele, encontre sempre um item a ser corrigido. Sempre; mas sempre em número menor aos itens elogiáveis

As relações trabalhistas são diferentes das relações entre colaborador e empresa. Aquelas nem sempre contemplam estas porque a função é mais jurídica e legal, o que favorece o conjunto e não a individualidade.

Contudo, nada impede que estratégias bem acomodadas na realidade da corporação vislumbre o bem-estar individual também, de forma que isso reflita no conjunto. 


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Serg Smigg

Ex-professor de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Ensino (SP), jornalista e filósofo, o autor nasceu em S. Paulo em 1958. Escreveu "As Últimas Ovelhas" (1998, ed. Papel&Virtual), "Tempestades de Palavras" (2013, ed. Amazon), além contos e crônicas corporativos diversos em sites e jornais regionais. Atualmente, é redator e revisor/formatador de textos em geral em revistas e jornais e palestrante organizacional.

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