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Finanças pessoais e mudança de mentalidade

O exercício das finanças pessoais é um assunto muito abordado hoje em dia em diversos meios de comunicação e socialização a nível global. Em alguns países, ele é praticado desde os primeiros anos de vida dos cidadãos, estes que são ensinados em seus lares e em suas escolas sobre a importância de lidar com responsabilidade sobre o orçamento individual e familiar. Os jovens aprendem desde muito cedo sobre isso e tornam-se adultos mais bem preparados, conscientes e responsáveis para o mercado de consumo. Entretanto, eles são exceções se compararmos com a dura realidade do restante das sociedades. No Brasil, especificamente, ainda engatinhamos nesse aprendizado cada vez mais latente.

Esse gargalo pode ser percebido através do número cada vez maior de inadimplentes e endividados. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – PEIC, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC, os dados demonstram que, em setembro de 2016, 58,2% das famílias brasileiras estavam endividadas. Este resultado é maior do que o observado no mês anterior (58%), mas é menor do que há um ano, quando havia sido 63,5%. Diversos motivos podem ser levantados para identificar esse revés, como a forte recessão econômica, aumento gradativo da inflação, restrições de crédito e desemprego.

Evidentemente que o cenário atual exerce forte impacto nos orçamentos individuais e familiares. Porém, este ponto serve para refletirmos mais profundamente sobre a necessidade latente de estabelecermos “restrições”, de “enxugarmos”, de limitarmos um “teto” para nossos gastos.  Isso se torna fundamental em momentos de crise financeira e econômica, mas essa prática não deveria ser usada, apenas, em momentos ruins: deveria ser utilizada continuamente em nossos modos de vida. Talvez por não adotarmos um contingenciamento, um “limite” de gastos apropriado ao nosso orçamento de forma recorrente, é que muitas pessoas e muitas famílias estão passando por momentos duros, difíceis.

Parece ser mais fácil falar quando estamos em uma posição privilegiada com relação aos demais. E realmente é. Mas quantos de nós estabelece um planejamento individual e familiar de forma adequada? Quantos de nós executa esse planejamento focado nos objetivos e mede sua real efetividade? Ainda, quantos de nós está disposto a “largar velhas formas de agir” e estabelecer a mudança necessária para “alcançar novas formas de crescer pessoalmente/profissionalmente e atingir desempenho”? Essas são questões importantes. Como também é importante “compreender” que a mudança de mentalidade é necessária para atingir o “novo”. E isso vale, invariavelmente, para toda e qualquer espécie de Organização.

Entretanto, para atingir o “novo” temos que descartar o “velho”. Sem isso, nada feito. E por que continuar refém de modelos de desenvolvimento e conceitos ultrapassados, “valores e hábitos” insustentáveis e mentalidade inflexível e extremada? Questão complicada. Porém, como primeiro passo, devemos rever muito do que fazemos e exercer um pensamento mais crítico. Sem esse movimento inicial, lutaremos por coisas que desconhecemos e continuaremos reféns de um sistema de desenvolvimento falido, já fracassado. Se quisermos mudar, de verdade, precisamos mudar nossa mentalidade e executar ações comprometidas com a responsabilidade que empenhamos.

Portanto, este texto não encerra a questão abordada. Serve, apenas, de “provocação” para refletirmos mais profundamente sobre o modo pelo qual usamos nosso orçamento, ou seja, como lidamos com ele. E a forma como entendemos e praticamos as finanças pessoais refletem de modo muito similar com a forma como pensamos e agimos sobre outros assuntos, sejam temas sobre economia, trabalho, política, sociedade, cultura, religião, ética, etc. Ou seja, para que a coisa funcione, o seu exercício deve ser diário, não eventual.

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Diego Felipe Borges de Amorim
Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.

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