Existe alguma forma adequada de criticar?

Alguns dos atributos mais importantes para uma pessoa são sua credibilidade e sua autoestima. A credibilidade diz respeito à nossa honra, à nossa respeitabilidade e à confiança que transmitimos aos que nos rodeiam e àqueles que passam por nossa vida. A autoestima está relacionada com a nossa percepção de utilidade para nós mesmos e para os outros, onde reside a atitude para enfrentarmos desafios e buscarmos resultados que nos satisfaçam. Ambos os atributos – credibilidade e autoestima – são fundamentais para toda e qualquer pessoa, pois sem eles não há possibilidade de nos desenvolvermos por inteiro.

Trago essas questões em destaque por dois motivos: (1) primeiro, para dizer da imensa satisfação que tive ao ter tido a oportunidade de exercer a leitura de uma das obras mais fascinantes sobre o tema de relações interpessoais. Trata-se do livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” de Dale Carnegie, uma obra que ensina os fundamentos para desenvolver uma relação “saudável” com as pessoas; (2) segundo, para partilhar duas críticas pessoais que recebi há pouco tempo, uma através de um leitor, outra, por uma colega de trabalho.

Quero dizer que a leitura do clássico de Carnegie não poderia ter sido melhor exercida em ambos os casos. Entretanto, quero dizer que é muito frustrante quando recebemos uma crítica de “caráter corretivo” em meio à outras pessoas, seja no trabalho, seja no círculo social. Como identificou Carnegie: “Se os maiores bandidos e os homens e mulheres que se acham atrás das grades da prisão não se recriminam por coisa alguma – que diremos acerca das pessoas com as quais vocês e eu diariamente estamos em contato?” – (passagem adaptada)

Isso significa que – inclusive cientificamente comprovado – a crítica é fútil na maioria das vezes em que é exercida, pois a pessoa que a recebe coloca-se em posição defensiva e, muitas vezes, procura justificar-se de diversos modos para manter intacto o seu orgulho próprio. E isso é natural, todos fazemos. O perigo por detrás da crítica é que, ao ferir nosso “senso de importância”, ela geralmente tem como efeito o ressentimento que pode ser duradouro. Então, existe alguma forma correta de criticar? Sim, existe.



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A crítica saudável é aquela que permite a manutenção da “reputação” de uma pessoa, de forma que ela – ainda que o erro seja moderado ou grave –  possa encontrar uma “solução adequada” para corrigir seus desvios. Isso é muito maior e mais complexo do que uma “segunda chance”, e não significa a “obrigação” de mantê-la no quadro funcional – caso a situação seja insustentável – ou, muito menos, de “passar a mão por cima”. Trata-se de uma questão muito mais delicada e que exige uma visão mais apurada por parte do crítico.

Portanto, coloque-se no lugar da outra pessoa e evite condená-la diretamente. Ninguém gosta de “sermões”. A obra de Carnegie me ajudou muito nesse sentido, pois pude utilizar com minha colega de trabalho e com meu leitor. Em ambos os casos, fui eu quem recebeu a crítica. Mas, ao contrário da maioria, resolvi agradecer seus “pontos de vista” e me comprometi a ajustar minha conduta. Acredito que esta seja a melhor forma de tratar com as pessoas e de buscar o desenvolvimento pleno das pessoas e de si mesmo.


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