Evo Morales e o Colapso do Bolivarismo

 

Evo Morales perdeu o plebiscito na Bolívia para que pudesse concorrer a um quarto mandado presidencial. Foi a sua primeira derrota em dez anos.

A derrota de Morales soma-se à derrota de Nicolás Maduro na Venezuela e de Cristina Kirchner na Argentina. Os três praticando um regime “bolivariano”, com traços semelhantes e que está mostrando seu esgotamento total.

Nos três países , a  população sinaliza pela mudança e contra a continuidade. Morales já está no terceiro mandato, mas queria tornar-se um presidente eterno. Os Kirchner governaram a Argentina por quatro mandatos.  O chavismo predomina na Venezuela desde 1999, e Chávez deixou de ser presidente porque morreu , por confiar na medicina cubana,  e Maduro tem mandato até 2019.



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Se a democracia fosse plenamente praticada , o resultado deste esgotamento seria o fim de todos os regimes bolivarianos. Mas a realidade pode ser diferente.

Na Argentina Cristina Kirchner foi derrotada nas urnas e agora o que Maurício Macri está fazendo é desmontar o kirchnerismo e é isso que Morales, Maduro e os petistas temem.

Na Argentina , como no Brasil, a estrutura pública foi loteada e agora a limpeza está ocorrendo. O  desaparelhamento político está em pleno curso . Mais de 8.000 pessoas foram demitidas nas repartições federais e 12.000 nas administrações locais. No Brasil seriam 25 mil no governo federal.

E não é só isso. Tem o lado do combate à corrupção. A Justiça argentina acelerou os trabalhos de investigação contra kirchneristas desde que Cristina Kirchner saiu da presidência. Em pouco mais de dois meses, sete funcionários do alto escalão de seu governo  ( 2007-2015) , viraram alvo de ações judiciais, em uma espécie de “purga” do governo anterior.

E a própria Cristina Kirchner  foi convocada pela Justiça a prestar esclarecimentos  sobre um caso que investiga operações financeiras no final de seu governo que podem ter causado prejuízos  ao Estado. Junto com ela , estão sendo investigados o  então ministro da Economia Axel Kircillof , e o ex-presidente do Banco Central, Alejandro Vanoli .  Cristina ainda  está sendo alvo de  investigação em um suposto caso de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.

O que está acontecendo na Argentina, apavora petistas no Brasil. Todos os brasileiros  estão vendo pela imprensa o trabalho exemplar do juiz Sergio Moro , do Ministério Público e da Polícia Federal na Operação Lava Jato , mas estão vendo também uma imensa pressão por parte de políticos para que haja interferência no trabalho da Polícia Federal  para impedir que as apurações se aprofundem.

Portanto, na Bolívia, na Venezuela, e no Brasil, os partidos no poder,  farão de tudo para manter a hegemonia, não por questões de princípio, mas para escapar das investigações de corrupção e não perder “empregos”.

Como Morales ainda permanecerá na presidência mais quatro anos , até 2019, ele terá tempo e brechas jurídicas para tentar mudar o jogo a seu favor.

Pode voltar a apresentar uma proposta de plebiscito como mesmo teor do que perdeu, ou com alguma modificação caso observe uma melhora no cenário político que o favoreça.



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Pode convocar uma Assembleia Constituinte  para mudar a Constituição e permitir mais um mandato.  Atualmente ele possui maioria maior do que dois terços , necessária para a aprovação do pedido.

Pode coletar assinaturas equivalentes a 20% da população  para sustentar a mudança na Constituição que lhe permitirá concorrer novamente à reeleição.

Pode em última instância, compor uma chapa  liderada por Alvaro Garcia Lineira , o atual vice-presidente, na qual obviamente continuaria mandando na presidência.

Desde que Morales assumiu, o PIB cresceu uma média anual de 5%, a taxa de pobreza caiu e sua popularidade disparou.

Para este crescimento , é forçoso lembrar, o governo Lula deu sua colaboração à custa dos interesses nacionais.  Em 1º de maio de 2006,  o governo Morales nacionalizou a produção de gás . Foi decretada a nacionalização de duas refinarias da Petrobrás, de Andina e de Chaco, e  Evo Morales liderou pessoalmente a ocupação militar de instalações de refinaria da Petrobrás .  Qual foi a reação de Lula? Não fez nada, apenas abaixou a cabeça.

A Petrobrás , sem outra saída , foi obrigada a aceitar os contratos desfavoráveis impostos pelo governo boliviano , de venda de gás ,  sob o risco de uma crise de desabastecimento no Brasil .

O populismo distributivista de Evo foi beneficiado pelo aumento do preço do gás natural  puxado pela alta recorde do petróleo , a expansão das lavouras de soja e a valorização dos minérios.

A realidade atual é muito diferente. A desaceleração da China derrubou o preço das commodities , atingindo petróleo, gás natural, soja e minérios. Mas, a Bolívia demora mais para sentir o impacto porque parte significativa do dinheiro que circula no país não tem origem na economia formal.

Segundo estimativas do governo americano, os bolivianos tem um potencial de produção  anual de 210 toneladas de cocaína  apenas nas áreas monitoradas.  Isso resulta em receitas que podem superar US$ 3,1 bilhões, que contribuem para a estabilidade econômica do país.  Altos membros do governo boliviano são alvo de investigações nos Estados Unidos por dar suporte aos cartéis locais.

Cerca de  80% a 90% da cocaína consumida no Brasil vem da Bolívia e obviamente o governo boliviano é cúmplice desse tráfico, ao não fazer nada para combate-lo.

Na Venezuela , o presidente Nicolás Maduro tem ainda muitos anos de mandato, mas já perdeu totalmente a sua credibilidade.   Um governante incompetente aventurar-se a disputar eleições é derrota na certa , por mais manipulador que seja.

O chavismo foi derrotado de forma avassaladora nas eleições parlamentares,  porque, apesar de toda a manipulação política, apesar da cooptação das camadas populares por medidas populistas, a situação econômica no país degradou-se a tal ponto, que ninguém aguenta mais. Mas  o  presidente Maduro segue no governo e manobrando para perpetuar esse regime perverso, que ele acha ser o melhor do mundo.

A oposição venezuelana agora trabalha para abreviar o seu mandato , ou por meio de uma emenda constitucional para reduzir o mandato ou por meio de um referendo revogatório, ou reiniciando os protestos anti-Maduro .

Mas, na Venezuela , democracia é apenas fachada e Maduro vai lançar mão de todos os expedientes que puder , para manter-se no poder e anular a vontade popular.

O Brasil está em uma situação muito parecida com a da Venezuela. Uma presidente eleita com base em estelionato eleitoral e com a campanha turbinada com dinheiro sujo da Petrobrás  , não admite os erros que cometeu , mergulhou o país em uma crise histórica , encontra-se isolada sem apoio do próprio PT e tem mais dois anos e dez meses de governo.

Pelo andamento das investigações da Operação Lava Jato, cresce a probabilidade de que  sua permanência no poder , seja abreviada  pelo impeachment , seja pela cassação do mandato. Mas, se não o for , o resultado será mais inflação, mais desemprego, mais dívida ativa  e crescimento nulo.

Agora, com informações da delação premiada de Delcídio do Amaral a situação agravou-se significativamente com informações de envolvimento da presidente em tentativas de manipulação da Justiça que é um ato gravíssimo.

A situação na Argentina já foi resolvida e um governante competente e com carisma como Macri, está recolocando o país na rota do crescimento e apagando as heranças negativas do kirchnerismo.

Na Bolívia e na Venezuela, Morales e Maduro tudo farão para contornar  a vontade popular e perpetuar seus modelos populistas .

 

E no Brasil?  Se estamos em uma verdadeira democracia, caberá à população decidir se o país continua na rota do atraso, ou retoma a rota do crescimento. 


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Edson Leal

Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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