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EUA a diplomacia do Tomahawk

Donald Trump tomou posse no dia 20 de janeiro como o 45º presidente dos EUA.

Trump surgiu como uma novidade, um  candidato não convencional e inimigo do politicamente correto que prometeu virar Washington de cabeça para baixo

Alguns que escreveram sobre sua posse chegaram a falar em apocalipse e mencionaram impeachment, sugerindo que o presidente não iria permanecer no poder  por muito tempo.

Nós no Brasil já tivemos um péssima experiência sobre essa questão. Depois de cinco anos tendo uma presidente que conseguiu quebrar as finanças da oitava economia do mundo, realmente estamos precisando de um governante que mostre competência para restaurar os cacos que sobraram.

E o presidente americano começou falando grosso assinando decretos que proíbem a entrada de imigrantes nos EUA, decretos que foram suspensos pela Justiça dos EUA, o que não significa que e Justiça está correta, porque  ela também erra nos EUA, como erra no Brasil.

Aliás, mais um caminhão jogado sobre a população em Estocolmo, é exemplo de que a loucura do terrorismo está conseguindo acabar com a tranquilidade de um cidadão para fazer compras em sua própria cidade.

Mas, pela quantidade e variedade de decisões que tomou em pouco tempo, Trump já mostrou que não seria mesmo um  presidente comum como outros. e  mostrou  que tem plena capacidade de tomar decisões, uma qualidade rara entre governantes.

Um ataque com gás tóxico deixou dezenas de mortos na manhã de terça-feira, 4 de abril  em Khan Sheikhun, cidade síria controlada por opositores do ditador Bashar al-Assad.

Ao menos 100 pessoas morreram, segundo a União de Organizações de Assistência Médica, coalizão de ajuda internacional que atua no país. A ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos falou em no mínimo 72 mortos, entre os quais 11 crianças e em mais de 160 feridos.

A entidade diz que as vítimas eram civis e morreram enquanto eram encaminhadas para socorro em hospitais na província de Idlib. O gás provocou sufocamento, desmaios e vômitos. Centenas de pessoas ainda manifestavam sintomas após o ataque, segundo equipes de atendimento.

O chefe das autoridades de saúde de Idlib, Mounzer Khalil, disse acreditar que o gás é sarin ou gás cloro. “A maioria dos hospitais está transbordando de pessoas feridas.”

Segundo a Defesa Civil da Síria, bombardeios ainda atingiram um posto médico onde vítimas eram atendidas.

Testemunhas afirmam que o gás foi lançado por caças Sukhoi, que são operados tanto pelo governo da Síria como pelo da Rússia, que refutaram envolvimento.

Ainda que se suponha ser improvável que Bashar al-Assad  tenha decidido atacar a própria população com armas químicas, não pode ser afastada a realidade de que suas forças armadas tinham a obrigação de saber que no local do ataque havia um depósito de armas químicas, que atingido, vazaria para a população em seu entorno. O regime sírio foi obrigado por uma resolução de 203 da ONU a extinguir o seu arsenal químico e portanto estas armas não deveriam estar lá.

E o que Donald Trump decidiu fazer?  Ordenou  o lançamento de  59 mísseis sobre a Síria na noite de quinta-feira 6 de abril,  em retaliação ao ataque químico. O bombardeio foi ordenado por Donald Trump da Flórida, onde ele se reunia com o presidente chinês Xi Jinping. Segundo o Pentágono, 59 mísseis Tomahawk foram lançados de dois navios de guerra americanos no mar Mediterrâneo e atingiram a base aérea de Al Shayrat, em Homs, destruindo caças sírios, munição, radares e outros equipamentos militares. A ação durou entre três e quatro minutos.

Cada Tomahawk custa US$ 1,5 milhão, o que significa que  o ataque americano custou a bagatela de US$ 88,5 milhões. Os EUA tem mais de 3.000 disponíveis.

A Rússia disse que apenas 23 dos 59 mísseis dos EUA atingiram a base síria. Os militares russos disseram ainda que vinte jatos foram destruídos na base e que a pista está intacta. Segundo a agência estatal síria Sana nove civis morreram, incluindo quatro crianças. Outras sete pessoas ficaram feridas.”.

Os EUA deram uma fenomenal demonstração de agilidade e poder militar decidindo por um ataque imediato em uma área em que todo mundo sabe que é um barril de pólvora ,  com risco de produzir consequências inimagináveis entre a população muçulmana.

E o que fizeram a Rússia, o Irã, Israel e os países árabes?  Não fizeram nada em um primeiro momento, pois reconheceram o fato inegável de que o presidente americano tomou uma decisão acertada. Mas, é evidente com o passar do tempo, depois que a poeira baixar, vão dizer que os americanos exageraram.

A decisão foi tão acertada que até a oposição síria apoiou, não houve nenhuma condenação internacional e o povo árabe não se mexeu.

O militares americanos tomaram o cuidado de avisar os russos para não atingir nenhum avião russo , com 59 mísseis voando.

Os EUA conseguiram em pouquíssimo tempo dar uma resposta militar proporcional ao ataque e Trump deixou claro que não é presidente de ficar só no discurso. Fizeram um ataque eficiente mas localizado.

Trump deixou claro que não vai hesitar em usar o fenomenal poder militar americano se for necessário.

Foi um alerta ao Irã e à Coreia do Norte de que os testes de seus programas militares não serão tolerados. Porém, no caso da Coréia do Norte a situação é muito diferente porque o Estado inteiro é militarizado.

Não há dúvida que essa não foi uma ação isolada, mas uma decisão de Estado de mudança  para uma política externa reativa. Isso deixou bem claro o secretário de Estado, Rex Tillerson no programa “This Week”, da rede ABC, ao ser questionado sobre a Coreia do Norte. “ A mensagem que qualquer nação pode tirar é se você viola os acordos internacionais, se fracassa em cumprir compromissos, se vira uma ameaça para outros, em alguma hora uma resposta será dada”,

Mas uma análise mais aprofundada mostra que os americanos podem ter errado, fortalecendo o pior inimigo que seria o Estado Islâmico O grupo extremista que o próprio Trump havia prometido liquidar , estava em decadência tendo perdido mais de um quarto do território que controlava na Síria e no Iraque.

A história do EI mostra que seus militantes aproveitam espaços deixados por vácuos de poder. Cerca de 20% de “ toda a Força Aérea síria”, foi atingida e por isso o regime sírio perde capacidade de bombardear o Estado Islâmico, que não tem nenhuma força aérea.

Mas, o barril de pólvora continua no mesmo lugar e a nova estratégia americana de mudar para a diplomacia do míssil pode ter problemas sérios mais adiante.

Aqui, felizmente, não há capacidade militar para retaliar a Síria , mas mesmo com nossas limitações, demos demonstração em cinco anos o que a incompetência política presidencial pode fazer nas  relações internacionais.

Dilma Rousseff, além de quebrar o país  , conseguiu criar problemas com os Estados Unidos e cancelou a principal visita de Estado que faria aos EUA.

Em adendo, ao apoiar a Venezuela,  o Brasil paralisou as negociações no Mercosul com a União Europeia.

A obscuridade do Brasil no plano internacional foi tão grande que o país desapareceu na América  Latina, só ressurgindo agora como se pode ver, quando a Colômbia decidiu que as negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional serão feitas em território brasileiro, depois de o acordo com as Farc passar com o Brasil ao longe.

E aqui estamos em busca de um estadista e de decisões cruciais, mas infelizmente elas não acontecem. Predomina a política  pequena com decisões limitadas indicando pessoas comprometidas com irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato, que deveriam ser banidas do serviço público

Michel Temer ensaiou que estava no caminho certo quando a equipe econômica propôs e conseguiu aprovar a PEC do Teto. Foi muito criticado por aqueles que diziam que isso seria o fim do mundo e desrespeito á Constituição, como se quebrar as  contas públicas fosse um ato de acordo com o que prevê a Constituição de 1988.

Estava na  mesma linha quando encaminhou a reforma da  Previdência, pois muitas regras tem que ser alteradas, pois a situação não pode ficar da forma como está , sob pena de inviabilizar a previdência social em curto espaço de tempo.

Mas, o presidente hesitou, fez sucessivos recuos e o resultado é que a reforma está sendo desfigurada e o produto final nada terá mais a ver com o que era pretendido.

Temer disse que não se lembra de ter cometido nenhum erro, mas errou feio ao fatiar a reforma, decidindo que parte das mudanças ficassem  a cargo dos Estados.   Com isso conseguiu  transformar uma reforma de tortuosa tramitação legislativa em 27 reformas, o que é a mesma coisa de decidir por reforma nenhuma.

Decisões absurdas como esta já foram tomadas anteriormente e os resultados foram desastrosos . Uma delas, foi a definição de que os servidores públicos não poderiam receber mais do que o teto dos  ministros do STF, que se tornou letra-morta para o Judiciário.

O governo federal e os políticos decidiram que essa regra, salutar, deveria valer apenas para o funcionalismo federal e em relação aos Estados a decisão ficaria a cargo de cada Assembleia.  E o resultado é que os funcionários no Brasil inteiro passaram a ter seus salários atrelados ao salário do governador e não ao dos desembargadores.

Uma decisão  insensata como essa acabou criando situações como em São Paulo, onde um professor da Universidade Federal de São Carlos tem seu salário limitado pelo dos ministros do STF e um professor da USP de São Calos tem seu salário atrelado ao salário do governador de São Paulo.  E o governador de São Paulo, que é um político e não precisa de salário, simplesmente decidiu congelar o seu salário por quatro anos, criando um gravíssimo problema com o funcionalismo.

É por isso que falamos tanto que o Brasil está precisando de estadistas.  E um estadista não congela o salário da Policia Militar por quatro anos,  como  fez o governador do Espírito Santo,  causando o motim que aconteceu no Estado, como não poderia ser de outra forma.

Estamos precisando de estadistas que tomem decisões cruciais e substantivas que estejam muito além dos limites de um mandato. Por exemplo, decisões que proíbam a nomeação de apaniguados para o serviço público em cargos de confiança e decisões que obriguem a nomeação de servidores para cargos de secretaria, , como a da Segurança por meio de lista tríplice e não por mera indicação política como ocorre atualmente.

Em suma, precisamos de um estadista para acabar com o fisiologismo no Brasil.

 

Edson Leal
em
Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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