ELEIÇÕES 2016: PT UM PARTIDO Á DERIVA.

 

As eleições municipais de 2016 surpreenderam.  O resultado mostrou uma firme correlação com as eleições presidenciais de 2014 e projeta caminhos para 2018.

O resultado deixou claro que o estelionato eleitoral praticado por Dilma Rousseff refletiu-se na vontade popular, ou seja, o povo enfim percebeu e rejeitou fortemente o estelionato.

As eleições municipais de 2016 marcaram a maior curva á direita que o Brasil fez no século XXI.



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Mas, a curva à direita não ocorreu porque o eleitorado mudou de posição ideológica, mas sim porque mostrou que está cansado do desgoverno e da corrupção dos petistas.

Ou seja, Dilma Rousseff quebrou o Brasil e conseguiu o feito adicional de quase acabar com o PT. Para isso contou com a providencial colaboração de Lula que, como estão mostrando muito bem as investigações, comandou os esquemas do mensalão e do petrolão e apesar de suas alegações de inocência, a população já percebeu que as evidências são mais significativas do que as suas negativas.

Outro aspecto revelado pela abertura das urnas é a rejeição generalizada do eleitoral à tese do golpe.

Isso porque o grande derrotado nestas eleições foi o PT, que elegeu 256 prefeitos, queda de 60,2% em relação a 2012. O PT, partido que governou o país por 13 anos sofreu a pior derrota entre todas as legendas em todos os aspectos.

É o reflexo da Operação Lava Jato e do péssimo governo de Dilma Rousseff. Esse resultado desmonta de vez o argumento usado por Dilma de que tinha legitimidade garantida pelas urnas e de que o impeachment é golpe.  Como afirma o prefeito reeleito de Salvador, ACM Neto “O discurso do golpe não colou em lugar nenhum para efeitos eleitorais”.

O PT, em 2004, embalado pela vitória de Lula em 2002 e antes do escândalo do mensalão, elegeu 411 prefeitos. O número continuou crescendo, chegando a 644 em 2012 e agora despencou para apenas 256. O PT, após treze anos de governo, graças ao desastre chamado Dilma Rousseff conseguiu ficar em um humilhante, nono lugar, atrás de PMDB (1029), PSDB (793), PSD (539), PP (496), PSB (414), PDT (335), PR (295), DEM (265), PTB (261). Era o terceiro em 2012, atrás apenas do PMDB (1017) e PSDB (701).

O PT em 2012 teve a maior votação entre todos os partidos, 17,3 milhões de votos e agora caiu para uma humilhante quinta posição com apenas 6,8 milhões, atrás de PSDB, PMDB, PSB e PSD. As 256 cidades que conquistou reúnem uma população de apenas 6,1 milhões de pessoas, ou seja, menos de 3% da população brasileira.

O PT foi tão mal que não elegeu nenhum vereador em Osasco (SP), que já foi um de seus mais fortes redutos eleitorais.

O PT, com a perda de 388 prefeituras já projeta um cenário em que até 50 mil pessoas que ocupam cargos comissionados em administrações petistas, perderão os postos em 2017.  O partido foi desalojado de grandes estruturas, como as prefeituras de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. Há outro problema. As doações dos filiados perdendo cargos, também devem despencar.



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Com a entrada de Michel Temer no governo, os petistas que ocupavam boa parte dos 25 mil cargos de confiança, naturalmente foram demitidos.

Somados agora aos 50 mil que perderão seus empregos nas prefeituras petistas, formam um contingente considerável, que se somam aos 12 milhões de desempregados, e que irão abarrotar as 256 prefeituras restantes com cargos de confiança para não ficarem desempregados.

Para o cientista político Carlos Pereira, da FGV, “O partido errou muito: se envolveu em corrupção e fez uma gestão econômica desastrosa… Com a possibilidade real de enfrentar punições judiciais, o futuro do PT fica em risco. A tendência é que lideranças mais competitivas procurem outras siglas. Ficarão os que dependem da estrutura partidária. Nessa perspectiva, a possibilidade de o partido se desagregar ou acabar aumenta… A tendência é que o PT mingue e se torne um partido médio ou pequeno… Se Lula sofrer punições judiciais, a possibilidade de o PT acabar é real e preocupante.”.

O PT já admite que sua bancada no Senado possa ser dizimada pelas urnas em 2018, quando acabam os mandatos de 8 dos 10 titulares que o partido tem hoje na Casa.

Mas, o tsunami eleitoral de 2016 já está produzindo suas consequências.

O presidente nacional do PDT, ex-ministro Carlos Luppi diz que “o PT terá que cair na real” e apoiar a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes à Presidência em 2018.

Ele disse também que “mais do que o PT, a grande derrotada na eleição é a Marina Silva, cujo partido, a Rede, teve fraco desempenho na disputa”.

O PDT elegeu 332 prefeitos no Brasil, crescimento de quase 10% em comparação a 2012. O PT elegeu apenas 256 prefeitos. O PDT elegeu 3.749 vereadores e o PT 2.797.

Ou seja, o PT é um partido que não tem um plano B. Continua insistindo na possibilidade de Lula ser candidato à presidente em 2018 e não tem um nome alternativo, até porque a maioria está implicada na Operação Lava Jato.

Achar que Lula, réu em três inquéritos e que será réu de outros processos ainda em fase de investigação, terá condições de candidatar-se é a mostra de um partido à deriva, que perdeu totalmente a noção de realidade.

Lula deu mostras que não tem mais força para arrastar eleitorados. Saiu nas ruas em São Paulo ao lado de Fernando Haddad, que sofreu uma derrota histórica. Fez campanha com Jandira Feghali no Rio de Janeiro, que Dilma também apoiou e a comunista terminou em um humilhante sétimo lugar, com insignificantes 3% dos votos.

Lula não conseguiu nem reeleger seu filho vereador em São Bernardo do Campo, no ABC, que é seu reduto eleitoral.

Lula tem rejeição de 46% do eleitorado e dificilmente vai escapar da Justiça. Pode salvar sua candidatura devido aos prazos da Lei da Ficha Limpa, mas condenado, não terá nenhuma chance em eleições presidenciais.

Outro aspecto é          que partidos de esquerda, no mesmo espectro ideológico do PT, como o PSOL, a Rede e o PCdoB, não atraíram os votos petistas. Somados não elegeram mais do que 87 prefeituras no primeiro turno. Mesmo a alta do Pc do B de 51 para 80 prefeitos eleitos não foi capaz, nem de longe, de compensar o fosso aberto pelo recuo petista.

A Rede de Marina Silva também levou uma surra, conquistando apenas cinco prefeituras e ainda amargou uma dissidência na cúpula, após a abertura das urnas.  Com isso, os partidos de direita, PMDB, PSDB, PSD, PR e DEM em percentual de prefeitos eleitos, subiram de 70% para 78% e os partidos de esquerda, PT, PSB, PDT, PSOL, PSTU e PC do B caíram de 30% para 22%.

Dos partidos de esquerda, com a derrocada do PT, destacou-se o PSOL. O partido superou 10% dos votos em 5 das 22 capitais em que concorreu e está no segundo turno em Belém e Rio de Janeiro.  Mas elegeu apenas dois prefeitos no primeiro turno, ou seja, é um destaque insignificante. E pior, o único prefeito da sigla, Gelsimar Gonzaga, perdeu a reeleição em Itaocara, interior do Rio de Janeiro e ainda por cima a Câmara Municipal rejeitou suas contas de 2013 e 2014.

De vereadores, o PSOL passou de 49 em 2012, para 53 em 2016. Apesar do crescimento tímido, a sigla teve o parlamentar mais votado em capitais como Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre (Marinor Brito, Áurea Carolina e Fernanda Melchionna, respectivamente).

A Rede Sustentabilidade, fundada por Marina Silva, teve desempenho tímido. Lançou candidatos em 154 cidades, mas elegeu só cinco prefeitos no primeiro turno e três foram para o segundo turno. O partido elegeu 180 vereadores pelo país. Um partido que só elege cinco prefeitos não tem condições de lançar candidato para presidência da República.

As eleições municipais de 2016 mostraram a inutilidade da maioria dos partidos. Considerando em um país que tem mais de 5.500 municípios, e o número de 165 municípios como razoável, o que seria 3% do total, apenas 10 partidos conseguiram eleger mais do que esse número de prefeitos: PMDB (1029), PSDB (793), PSD (539), PP (496), PSB (414), PDT (335), PR (295), DEM (265), PTB (261), PT (256). Ou seja, exatamente este é o número razoável de partidos: dez.

Os demais ficaram abaixo disso e, portanto são partidos perfeitamente descartáveis: PPS (118), PRB (105), PV (101), PSC (87), Pc do B (80), SD (62), PROS (53), PHS (36), PSL (30), PTN (30), PMN (28), PRP (19), PT do B (15), PTC (15), PEN (14), PRTB (10), PSDC (9), Rede (5), PPL (4), PMB (3), PSOL (2).

Como se pode ver, caso vingue a cláusula de barreira ou de desempenho, o único partido de esquerda que sobra é o PT, um partido à deriva, que caminha para torna-se uma sigla pequena e inexpressiva.

A vitória espetacular de João Dória em São Paulo mostra a preferência do eleitorado por um novo tipo de político. É justamente o antipolítico, aquele que se coloca como um gestor, como alguém que vai dirigir a administração pública como se fosse uma empresa, buscando eficiência e produtividade.

Doria ganhou o voto de quem é contra invasão de propriedades. Contra bloqueios de ruas e avenidas. Contra financiamento de viciados em drogas e contra mascarados que destroem tudo o que vem pela frente.

Esse eleitor está cansado de corrupção, fisiologismo, gastança desmesurada e estelionato eleitoral, tudo o que caracterizou o governo Dilma Rousseff. Grande parte do eleitorado brasileiro está cansada de Lula e do PT.

Em algumas administrações municipais e Dória será um paradigma, podemos estar dando início a uma nova forma de administrar o Brasil.

E ele começou no caminho certo. Afirmou que os seus secretários serão escolhidos pelos critérios de eficiência, ficha limpa e representatividade. Portanto, os indicados por políticos devem ficar longe.

 


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Edson Leal

Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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