Do modelo determinista à busca pela vantagem competitiva

 

Os primeiros estudos científicos realizados para a tentativa de buscar o entendimento conceitual sobre a estratégia no ambiente de negócios foram fragmentados até o final da década de 1970, segundo Hoskisson et al (2009). Até então, o termo mais utilizado para referenciar o tema da estratégia nos negócios se denominava política empresarial. Este termo foi disseminado por Chandler a partir de 1962, quando iniciou-se um amplo debate global sobre este novo campo de estudo. A partir daí, iniciou-se uma nova perspectiva sobre a dinâmica dos negócios que se aceleraram e se modificaram através do processo de globalização dos mercados.

O novo cenário mercadológico, mais aberto, desafiador, veloz e dinâmico, exigia uma maior capacidade de compreensão do que até então se conhecia. Gestores e executivos, de maneira geral, encontravam diversas dificuldades para impor suas estratégias efetivamente. Novos paradigmas, oriundos do ambiente competitivo, emergiam a partir do final da década de 1970 e faziam com que o atual conceito sabido sobre estratégia nos negócios não fosse mais suficiente. Foi assim, de acordo com Hoskisson et al (2009), que surgiu uma nova perspectiva para o estudo da estratégia nos negócios: “a administração estratégica começou a substituir a política empresarial“.



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Os pontos mais relevantes que fizeram com que gestores e estudiosos sobre o tema da estratégia, à época, procurassem novas abordagens para a ciência administrativa foram devido ao fato de que os mercados e a dinâmica de competitividade haviam se modificado tremendamente. O modelo conceitual de estratégia baseado na política empresarial já não era mais efetivo como outrora, pois novos desafios emergiam com uma velocidade de transformação jamais vista. A perspectiva determinista que julgava que a empresa deveria condicionar-se totalmente ao seu ambiente competitivo sob pena de fracassar, uma vez que, supostamente, era o ambiente externo que predeterminava quais estratégias deveriam ser utilizadas, foi contestada por Jay Bourgeois (1984).

A partir daí, a perspectiva determinista foi substituída, paulatinamente, pela perspectiva de atuação. “O princípio de atuação significa que as empresas não precisam submeter-se inteiramente às forças ambientais porque conseguem, em parte, criar seus próprios ambientes por meio de ações estratégicas” (HOSKISSON et al, 2009). Essa evolução do pensamento estratégico possibilitou a criação de diversos estudos e diversas teorias sobre o tema, mas devido à sua alta complexidade, até hoje não se encontra uma unanimidade sobre o seu entendimento conceitual, teórico e prático.

 O que se sabe é que, tanto o ambiente externo quanto o ambiente interno das organizações, são variáveis fundamentais para a escolha e implementação de estratégias. Ou seja, “a adaptação e a atuação são ambas importantes para a previsão e a adaptação a tendências e influências sobre as quais a empresa não possui controle ou que seriam muito onerosas para influenciar. Por outro lado, as empresas também podem influenciar seus ambientes de um modo que as torne mais bem adaptadas para o sucesso organizacional.” (HOSKISSON et al, 2009)

A partir do anos 1980, os estudos sobre planejamento estratégico ganharam forma e deram origem ao conceito de administração estratégica, cuja principal característica é seu processo desestruturado e sistemático. Tem como objetivos principais o desenvolvimento de valores e responsabilidades organizacionais, além de capacitar os gestores através de estudos de casos para refinar os processos de tomada de decisões em nível estratégico, tático e operacional. A busca pelo equilíbrio entre os ambientes – interno e externo à empresa – bem como a importância de alinhá-los à estratégia de negócio começaram a ganhar destaque.

Ainda que o conceito de pensamento e administração estratégicos não tenha um único entendimento, alguns termos e requisitos o tornam comum por entre as diversas correntes e teorias que o envolvem. Alguns destes termos são o planejamento, o alinhamento e o longo-prazo estratégicos. Tudo passa a ser estudado estrategicamente, ou seja, caso a caso. Houve uma verdadeira proliferação de escolas de negócios, empresas de consultoria e coachs estratégicos, o que refletia a crescente necessidade e aceitação das teorias sobre planejamento estratégico. Um dos principais teóricos sobre o tema da estratégia à época foi o professor Michael Porter. Ele revolucionou o entendimento conceitual sobre estratégia e competitividade em seus estudos sobre o setor industrial através da teoria das cinco forças.

Iniciou-se uma revolução. Os estudos subsequentes procuraram identificar os principais desafios de gestão para a implementação de estratégias e a obtenção de vantagens competitivas. Questões sobre: como convencer os gestores a pensarem estrategicamente? Como garantir uma adequada resposta organizacional? Como enfrentar os desafios do ambiente externo? , foram abordadas. A ideia por detrás da estratégia reforçou o entendimento de que a organização precisa adotar a filosofia do planejamento, dividindo-o por etapas, alinhando os objetivos e metas à estratégia principal do negócio, reforçando a necessidade de contínua análise ambiental, inventariando recursos, identificando oportunidades e ameaças, forças e fraquezas, para assim determinar o grau de mudança necessário e decidir que estratégia será utilizada. Todo esse processo exige mensuração e controle.

Portanto, a busca pela vantagem competitiva continua. Isso requer novas competências, novas abordagens e novas culturas gerenciais capazes de traduzir o pensamento em ação estratégica. Requer muito trabalho e requer muita responsabilidade. E acima de tudo, exige gestores comprometidos com à ação.


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Diego Felipe Borges de Amorim

Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.

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