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DILMA ROUSSEFF E A VITÓRIA DE PIRRO

 

 

 

No primeiro turno, Dilma Rousseff ampliou sua vantagem sobre os adversários nos municípios mais dependentes do Bolsa Família. Os 150 municípios com maior cobertura do programa federal (famílias atendidas em relação ao total de habitantes), deram à presidente uma votação média de 78% dos votos, ou 36 pontos acima da média nacional de 42%. Essa vantagem demonstrou claramente que a presidente não representava realmente a população brasileira porque parte significativa dos 42% de votos que teve é proveniente de pessoas que estavam votando em agradecimento pelo dinheiro que estão recebendo do governo federal, pois associam a presidente ao programa.

 

O governo petista se caracterizou por uma escalada de gastos com programas de transferência de renda. O total em 2014  chegou  a R$ 480 bilhões por ano, praticamente metade do Orçamento federal  se  tirado da conta os encargos da dívida pública e as transferências obrigatórias para Estados e municípios:

 

Aposentadorias INSS 2008 – 13, 4 milhões, 2013 – 17,4 milhões .

 

Pensões : INSS – 2008 6,3 milhões e 2013 – 7,2 milhões de usuários.

 

Seguro-Desemprego – 7,2 milhões em 2008 e 8.9 milhões em 2013. Gastos de R$ 19,4 bilhões em 2008 e R$ 31,8 bilhões em 2013.

 

Bolsa-Família – 10,6 milhões de famílias em 2008 e 13,8 milhões em 2013. Gastos de R$ 13,9 bilhões em 2008 e de R$ 18 bilhões em 2013.

 

Benefícios a deficientes e inválidos – 1,7 milhões em 2008 e 2,3 milhões em 2013. Gastos de R$ 11,1 bilhões em 2008 e de R$ 18 bilhões em 2013.

 

Benefícios a idosos – 1,3 milhão em 2008 e 1,9 milhão em 2013. Gastos de R$ 9,5 bilhões em 2008 e de R$ 15,9 bilhões em 2013.

 

Auxílio-Doença. – 1,1 milhão em 2008 e 1,4 milhão em 2013. Gastos de R$ 14,4 bilhões em 2008 e de R$ 17 bilhões em 2013.

Abono Salarial – 14,9 milhões em 2008 e 21,3 milhões em 2013. Gastos de R$ 7,9 bilhões em 2008 e de R$ 14,7 bilhões em 2013, aumento de 86,1%..

 

Como se pode ver, só se vê aumentos de beneficiários e de despesas. Com esse quadro, não era fácil mesmo um partido de oposição conseguir votos suficientes para tirar um partido que está fazendo uma política econômica desastrosa do ponto de vista das receitas, porque das despesas , como visto, elas só aumentam .

 

A presidente Dilma Rousseff conseguiu se reeleger no dia 26 de outubro em segundo turno, mas na disputa mais apertada da história na disputa pelo Planalto. Obteve 51,6% dos votos válidos , 54,5 milhões de eleitores e Aécio Neves ficou em 51 milhões de votos, 48,4% do total.

 

Mas a presidente venceu em um país dividido ao meio. Venceu em todos os Estados do Nordeste e na maioria dos do Norte, mas perdeu no Sudeste, Sul e Centro Oeste, exceto em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

 

Foi a melhor marca tucana desde FHC e a menor diferença observada entre dois finalistas de uma eleição presidencial desde o fim da ditadura militar e da redemocratização do país.

 

Dilma Rousseff venceu com uma pequena margem de votos e graças à grande votação no Nordeste onde venceu por 72 a 28%. Considerando que uma grande população do Nordeste  recebe o Bolsa Família, e  portanto é custeada com dinheiro do Estado a vitória se apequena, pois é um voto comprado.

 

Nas regiões onde a presença do Bolsa Família é bem menor, como no Sudeste  56 a 44 , no Sul 59 a 41 e no Centro  Oeste 57 a 43, a vitória de Aécio Neves é expressiva porque é a vitória de um candidato que não está financiando seus eleitores com recursos públicos.

 

Dilma Rousseff superou  Aécio Neves no Nordeste em mais de 12 milhões de votos, o que compensou sua derrota no Sudeste, Sul e Centro Oeste. Portanto, o país passou a ter por mais quatro anos, uma presidente que não representava a legítima vontade popular, mas uma presidente que se elegeu graças ao financiamento do Estado através do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida, entre outros.

 

Em 716 municípios nordestinos , a petista ganhou com mais de 80% dos votos. Dilma ganhou sobretudo em municípios menores , ou seja, é a presidente do país atrasado. Teve mais votos que seu adversário em 2.517 das 3.880 cidades com até 15 mil habitantes. Já Aécio ganhou em 7 dos 12 maiores municípios do Brasil e em 46 das 77 cidades com mais de 200 mil habitantes e em 100 das 179 cidades com mais de 75 mil e até 200 mil habitantes.

 

Onde Dilma Rousseff teve a maior votação proporcional? No Maranhão,  o Estado mais atrasado do Brasil e controlado há meio século pelo clã Sarney. Lá ela teve 78,8% em um Estado onde o lema é : ‘Há governo, sou a favor”. Mas , mesmo assim , é um Estado “ que colecionou, década, após década, recordes negativos. É o último, ou está entre os últimos no IDH, no saneamento, no ensino de português, de matemática…” (Eliane Cantanhede,  F S P , 30.10.2014, p. A-4) .

 

Reinaldo Azevedo apresenta o percentual de votos e o percentual de famílias atendidas pelo Bolsa Família. Assim, com dados do TSE e do Ministério do Desenvolvimento Social, nos 15 Estados onde Dilma venceu no segundo turno a relação é: Maranhão 78% (votos), 58% (famílias atendidas), Piauí (78- 54), Ceará (76-47), Bahia (70-47), Pernambuco (70-47), Rio Grande do Norte (69-40), Sergipe (67-49), Paraíba (64-50), Amazonas (64-43), Alagoas (63-53), Amapá (61-33), Tocantins (59-38), Pará (57-46), Rio de Janeiro (54-17) e Minas (52-21).

 

Os Estados onde Dilma perdeu com os mesmos dados: Santa Catarina (35-07), São Paulo (35-11), Acre (36-42), Distrito Federal (38-12), Paraná (39-13), Goiás (42-19), Mato Grosso do Sul (43-21), Rondônia (45-26), Mato Grosso (45-22), Rio Grande do Sul (46-13), Espírito Santo (46-19) e Roraima (42-47).

 

“É preciso ser intelectualmente desonesto para não constatar que existe uma óbvia relação entre o benefício e a fidelidade ao petismo , que é o coronelismo da hora…O percentual de famílias atingidas pelo programa na região, varia de 40%(RN), a 58%(MA)… A média de votos em Dilma nos mil municípios com mais beneficiários do Bolsa Família  foi de 73,1%; nos mil com menos, de apenas 28,2%. Nas mil cidades que concentram maior número de famílias com renda per capita igual ou inferior a R$ 70, a petista obteve 74,3% dos votos” . ( F S P , 31.10.2014, p. A-10) .

 

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país , a vitória de Aécio Neves foi avassaladora, obtendo 60% dos votos , contra 33% de Dilma, 15.284.964 votos contra 8.484.343,  ou seja quase dois terços dos votos.

 

Considerando o PIB por região, verifica-se como essa vitória é inexpressiva. Com dados de 2011, o Sul ( 16,2%), Centro-Oeste ( 9,6% ) e Sudeste( 55,4%), representam 81,2% do PIB nacional e o Norte ( 5,4%) e o Nordeste ( 13,4%), apenas 18,8% do PIB total.

 

Ou seja, considerando o PIB, Aécio Neves venceu por 81,2% a 18,8% e esse dado é significativo demais para ser desconsiderado. Esta realidade limita o significado da vitória de Dilma Rousseff e restringe o espaço de manobra que ela pode achar que tem como presidente.

 

O mesmo raciocínio foi feito por editorial da Folha de São Paulo com relação aos partidos. O PSDB governando , Goiás , Mato Grosso do Sul , Pará, Paraná e São Paulo, estará à frente de 72 milhões de pessoas, pouco mais de um terço da população nacional e em termos de receita estes Estados arrecadaram em 2013, um total de R$ 545 bilhões.  Os cinco que o PT governará ( AC,BA,CE,MG e PI), tiveram uma receita de R$ 114 bilhões  e os sete que o PMDB vai comandar ( AL,ES,RJ,RS,RO,SE e TO), computaram R$ 288 bilhões.

 

A cúpula do PSDB credita a derrota de Aécio ao  mau desempenho de Minas Gerais. Minas “falhou” com Aécio e foi o “calcanhar de Aquiles” na votação do tucano, que foi governador de 2003 a 2010. Os tucanos superestimaram o que seria o desempenho de Aécio no Estado porque ele saiu do governo com 92% de aprovação , segundo o Vox Populi de março de 2010 e estimavam uma “votação histórica”  com vantagem acima de 3 milhões de votos e ele perdeu por 412 mil votos no primeiro turno e 548 mil no segundo turno.

 

Aécio perdeu para Dilma em 8 das 12 mesorregiões de Minas e em 608 dos 853 municípios  ( 71% do total). Ganhou na Grande BH, centro, oeste e sul/sudoeste, região de influência de São Paulo , onde teve 57% dos votos , seu melhor desempenho e perdeu no Norte Mineira , área mais pobre, onde Dilma teve 71% das preferências.

 

Mas uma das razões já pode ser destacada. Em relação ao Bolsa Família, a cobertura média nas regiões em que Aécio venceu é de 14%  , e é de 27% naquelas em que o PT predominou. O Bolsa Família é o grande eleitor desta eleição.

 

Outro dado é  que 30,13 milhões de eleitores não votaram e 5,21 milhões anularam seu voto e mais os que votaram em branco , totalizam-se 37,27 milhões de eleitores, 27,44% do eleitorado.  Dos que não votaram muitos milhões não o fizeram porque estavam fora de seu domicílio eleitoral e por serem migrantes ou trabalhadores, é possível considerar que se votassem, a maior parte iria votar em Aécio Neves, e por esta razão, a vitória de Dilma Rousseff tem menos  significado ainda.

 

Na verdade, a vitória de Dilma Rousseff pode ser considerada uma vitória de Pirro. Para que tivesse realmente legitimidade, teria que ter ganho por larga margem . Mas em uma eleição na qual votam membros de famílias que totalizam mais de 50 milhões de pessoas que recebem dinheiro de graça do Estado por meio do Bolsa Família e que por agradecimento votam em peso no candidato oficial, uma diferença por margem apertada não significa nada.

 

Mas, para Dilma a vitória é incontestável:  “A lógica? É ele [ Temer] não ter 54,5 milhões de votos . Eu sou legítima. Ninguém, nem o impeachment transformará Temer num presidente legítimo. E ele vai carregar essa pecha até o fim”.

 

O estelionato eleitoral ficou evidente logo após o fim do segundo turno.  Os dados de que a miséria aumentou 3,7% no país e a informação que o desmatamento na Amazônia foi de 1.626 km2 em agosto e setembro, 122% a mais do que no mesmo período de 2013, demonstram que o governo sonegou informações negativas que estavam disponíveis, e que a população tinha direito de conhecer antes de decidir o seu voto.

 

Mas o que é particularmente grave para o PT são as investigações da Operação Lava Jato que podem comprovar que as contribuições “legais”, feitas por empresas, foram provenientes de ação criminosa da quadrilha que atuou na Petrobrás e portanto, entrou  dinheiro sujo no partido.

 

Marcelo Odebrecht em seu depoimento deixa claro que a relação entre a empresa e Dilma Rousseff era simbiótica, com  a presidente operando os interesses da empresa no governo e por isso  será difícil para Dilma escapar de condenação e cassação de seu mandato caso sobrevivesse ao impeachment .

 

Edson Leal
Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

5 comments

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