A dança contínua dos juros e do câmbio

Atualmente a taxa Selic anda pela casa dos 14,15 %. De fato, elevar a taxa de juros ainda mais parece contrariar ao mais elementar bom senso. No entanto, é preciso disciplina nos gastos, coibir os desvios e as oportunidades especulativas no câmbio. Devemos lembrar que o Brasil emite moeda sem expressividade. Nos Estados Unidos, Japão, Inglaterra e em países da Europa, é outra coisa; eles emitem e podem espalhar o seu papel com juros insignificantes.

Nossos gestores provaram que não são confiáveis para gerir as estatais. Jogá-las na bacia das almas com preços aviltados seria criminoso. A privatização requer seriedade e que os recursos obtidos sejam aplicados para o bem do país.

Nesta fase de economia sanguinária, queimar os cartuchos da reserva em dólar seria puerilidade. Elevar os juros e continuar com as perdas com swap cambial é hemorrágico e enfraquecedor. As jogadas cambiais no mundo global se tornaram um danoso parasitismo para a economia, mas permanecem liberadas. É fundamental acabar com o desânimo e a liquidação do Brasil para fortalecer a economia, antes que o país acabe. Afinal, a quem interessaria essa desgraça?

Numa época tão difícil como a atual, os gestores não podem ser displicentes nem arrogantes. Eles têm de estar atentos nas finanças, na motivação da população, na seriedade e não deixar que tudo vá rolando para o abismo do quanto pior melhor. Falta competência e seriedade em muitos gestores que se aboletaram no confortável regaço do governo. Não querem perceber que foram colocados lá para construir a melhora, mas só pensam em si próprios. Gostam de interferir em questões que sem regulação funcionam melhor.



Curso de Constelação Familiar e Sistêmica

Estamos na era das incertezas. Além da vertiginosa velocidade em que as coisas estão acontecendo, as manobras astuciosas também não mais estão se concretizando na forma que os homens planejam. As indústrias foram transferidas para a Ásia buscando mão de obra farta e mais barata, inviabilizando a indústria nascente em países como o Brasil. Está surgindo um novo polo de acumulação financeira com base na moeda chinesa. Como rescaldo da crise, o mundo tende para a austeridade, afetando os planos da China, criando um novo impasse onde o aumento da miséria surge como possível consequência. Há uma grande capacidade produtiva instalada e ociosa. Sem uma adequada divisão do trabalho e mecanismos de estabilidade cambial, poderemos adentrar na ruptura da estabilidade financeira mundial. Quem sabe o que poderá vir após?

Aperfeiçoar o setor agropecuários, exportar commodities é importante; a grande burrada do imediatismo do Brasil foi nada ter feito para impedir a desestruturação industrial. Agora que o dólar voltou ao nível mais realista, a recuperação exige larga visão e grandes esforços dos estadistas no governo e da classe empresarial, mas é imperioso deter a expansão do apagão mental e desesperança que se espalham pela população.

Estamos arcando como as dificuldades inerentes à aplicação da austeridade econômica. A austeridade surge como a consequência de longo período de decisões egoísticas, tanto de gestores públicos como agentes do mercado. O filme A Grande Aposta mostra alguns aspectos dessa insensatez financeira, mas existem vários outros aspectos para serem focalizados, como as apostas com moedas que atingem profundamente populações inteiras quando a moeda de seus países se torna objeto de ataques especulativos. Quem sabe possa surgir um filme focalizando área do câmbio. O filme é bem feito, mas não dá para sair satisfeito do cinema porque não se trata de ficção, aconteceu realmente: ganho de poucos, desemprego, perda do lar, sofrimento e miséria para muitos, o oposto de tudo que os homens deveriam produzir.

A motivação deve ser permanente e positiva na busca de um mundo melhor. Temos vivido há décadas sob uma pressão de pessimismo e descrença. A energia das novas gerações não deve ser atraída para uma forma de vida sem sentido, mas sim ser canalizada para a construção beneficiadora


Curso de Psicanálise

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Benedicto Ismael Camargo Dutra

Graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

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