COREIA DO NORTE E COREIA DO SUL: COMUNISMO E CAPITALISMO

No Brasil,  partidos comunistas tem surpreendente vitalidade e em seus programas de televisão se apresentam como caminho para um mundo ideal, onde todos são iguais e o progresso se disseminará pelo país.

Fatos históricos recentes como a dissolução da URSS e o fim do comunismo em todos os países da Europa Oriental, foram ignorados pelos marxistas brasileiros, ou seja, a experiência histórica do total fracasso do comunismo , de nada serviu para os que defendem essa ideologia.

O comunismo tem que ser avaliado pelo resultado que as tentativas de sua implantação produzem.  Hoje em dia, países comunistas sobrevivem na Coréia do Norte, em Cuba e na Venezuela.

Mas, a melhor forma de comparar comunismo e capitalismo que temos hoje em dia é com a Coréia do  Norte, porque é vizinha da Coréia do Sul que é um país capitalista e democrático.



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Comunistas são no discurso , defensores da democracia, mas a experiência mostra que democracia é incompatível com o comunismo. Isso vale para Cuba, onde Raul Castro passa dos 80 anos, e os Castro governam o país há mais de 50 anos. Vale para a Venezuela  onde Hugo Chávez iria se transformar em um presidente eterno, só não o conseguindo porque foi vítima de um câncer agressivo, tratou-se em Cuba e morreu.

E vale para a  Coréia do Norte,  um regime comunista,  sendo governada por sucessivos ditadores de uma mesma família, avô, pai e filho, isto porque avô e pai morreram.

Desde que assumiu o poder em 2011, o atual  ditador norte-coreano , Kim Jon-um já ordenou o aniquilamento de 72 militares.

Os motivos são os mais implausíveis.  Hyon Yong-chol, que era o ministro da Defesa , de 66 anos, teria cochilado durante um desfile e foi executado com disparos de ZPU-4 , um projétil que pode abater aviões a cinco mil metros de altitude e que a uma distância de apenas 30 metros estraçalha o corpo de uma pessoa e a deixa irreconhecível.

Outro foi flagrado bebendo álcool durante o luto de três meses do pai do atual ditador e foi assassinado com o uso de morteiros.

Um terceiro criticou o plano de Kim de fazer um prédio no formato da flor Kimilsungia, nomeada em homenagem a Kim Il-Sung, o avô de Kim . Músicos de uma orquestra e uma ex-amante foram para o paredão por terem participado de filmes eróticos.

Em 2014, Kim mandou executar o próprio tio , Jang Song-thaek , por causa de uma disputa pelo controle da pesca e da exploração de carvão.

A Comissão de Direitos Humanos da ONU divulgou em 17 de fevereiro relatório que coloca a Coréia do Norte como o país onde ocorre o maior número de crimes contra a humanidade no mundo.

O grupo que elaborou o texto com 400 páginas, diz também que há evidências suficientes para processar o ditador do país, Kim Jong-um, e outros membros do governo, no Tribunal Penal Internacional, mas essa possibilidade é remota, pois a Coréia do Norte não é filiada ao TPI e o Conselho de Segurança da ONU teria que aprovar uma ação judicial, e a China tem poder de veto no Conselho.



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O governo norte-coreano não permitiu a entrada dos inspetores da ONU e por isso a comissão compilou entrevistas com 240 desertores que moram na Coréia do Sul, nos EUA e no Reino Unido.

Segundo a comissão, há no país torturas sistemáticas, fome deliberada e massacres em níveis próximos a um genocídio. Os locais onde há maior violação dos direitos humanos são os campos de detenção onde estão entre 80 e 120 mil presos políticos.

Nesses campos, segundo os desertores, há homicídios, tortura, execuções e crianças aprisionadas desde o nascimento. Uma mãe teria sido obrigada a afogar o próprio bebê, e famílias teriam sido torturadas por terem assistido uma novela estrangeira. Em outras grávidas, fetos são arrancados à faca, antes da execução das mulheres. Cães de guarda estraçalham prisioneiras adolescentes.

Para o chefe da comissão, Michael Kirby, a situação prisional norte-coreana só tem paralelo no nazismo. “A gravidade, a escala e a natureza dessas violações revelam um estado sem precedentes no mundo contemporâneo”.  O relatório registra cerceamento da liberdade de expressão e da distribuição de alimentos para controlar o crescimento da população.

A Coréia do Norte realizou eleições em 9 de março e o governo teve 100% dos votos. Eleições? É um bom exemplo de como as coisas funcionam em um país comunista , onde  eleições são apenas um simulacro.

O resultado do pleito era conhecido antes mesmo do processo eleitoral, porque só havia um candidato para cada uma das 687 circunscrições para a Assembleia Suprema do Povo, todos indicados pelo governo.

Os eleitores só podiam optar entre “sim” e “não”. Quem quisesse votar “não”, deveria se dirigir a  outra cabine separada das demais. As “eleições” acontecem a cada cinco anos. O voto é facultativo, mas ninguém é louco de não comparecer.

Na Coréia do Norte , assistir ou ouvir mídia estrangeira é considerado crime contra o Estado , passível de trabalhos forçados, prisão e até morte. Existem níveis diferentes de punição. Se o cidadão for apanhado com um filme russo ou da indiana Bollywood, podem ser três anos. Mas se o filme for sul-coreano ou americano, pode ser a pena de morte.

Mesmo assim, a popularidade dos filmes e programas de TV internacionais – contrabandeados para o país em pendrives e CDs  e vendidos no mercado negro – não para de crescer.

A ONU aprovou uma resolução no dia 18 de novembro de 2014 , condenando as violações de direitos humanos na Coréia do Norte. A resolução que teve o surpreendente apoio do Brasil, abriu a possibilidade de membros do governo coreano, incluindo o próprio Kim, serem indiciados por crimes contra a humanidade, no Tribunal Penal Internacional.

A Coréia do Sul , país subdesenvolvido nos anos 70,  virou um país rico em três décadas.  Hoje é o sétimo exportador mundial graças à competividade de sua indústria. Em 2013, o país cresceu 3% a expectativa para 2014 é de expansão do PIB em, 4%.

A Coréia do Sul, que saiu de uma guerra contra a Coréia do Norte era em 1953 um país subdesenvolvido , em situação pior do que o Brasil . Daí em diante , fez as coisas certas e mostrou que o desenvolvimento era possível e o concretizou, colocando por terra análises equivocadas de teóricos do subdesenvolvimento que diziam que os culpados eram os países desenvolvidos e que por isso , os subdesenvolvidos jamais iriam conseguir se desenvolver.

De 1953 a 1961 , após a Guerra da Coréia, sob forte influência dos EUA, o país fez reformas agrária e da educação e privatizou estatais. Mesmo  mantendo um crescimento acelerado, o governo civil foi derrubado em meio a acusações de favorecimento nas privatizações.

Em 1962 se instalou uma ditadura militar que deu início ao período do nacional-desenvolvimentismo e ficou no poder até 1993. O regime nacionalizou bancos, mas manteve as empresas em mãos privadas. Aí está uma diferença básica. No Brasil, os militares tiveram a oportunidade de fazer a mesma coisa levando o país ao desenvolvimento, mas cometeram muitos erros e fracassaram.

Na Coréia , teve início uma fase de substituição de importação de bens de consumo leves, e depois na década de 1970 na indústria pesada: siderurgia, máquinas, automóveis, construção naval, química e eletrônica. A reforma na educação deu suporte a um salto tecnológico, coisa que o Brasil não fez.  Outro aspecto é que dado o restrito mercado interno  e à escassez de recursos naturais, o país, para obter divisas e operar em escalas eficientes, buscou as vendas externas, outra coisa que o Brasil não fez.  A indústria eletrônica se desenvolveu , atuando como fornecedora de indústrias japonesas de eletrônicos de consumo. Enquanto isso, os militares no Brasil , em plena era da informática, fecharam o Brasil e mantiveram sua indústria de informática na Idade da Pedra.

No início dos anos 1980 , a crise da dívida afetou bem menos a Coréia , do que o Brasil e países da América Latina. Não houve a interrupção de fluxos privados de financiamento externo. Houve um ajuste que passou pela privatização dos bancos , que foram incorporados aos grupos econômicos  ( “chaebols”), para novamente alavancar as exportações.

No final de década de 1980 , os “chaebols” começaram a buscar a internacionalização e já tinham suficiente dinamismo tecnológico e experiência em estratégias de comercialização e marketing e o mundo começou a receber marcas fortes como Hyndai, Samsung, entre outras.

A partir de 1994 , a democracia foi restabelecida, vitaminada pelo crescente sucesso das grandes empresas privadas. Mas houve a liberalização do sistema financeiro e dos fluxos de capitais  com o exterior , alavancando o endividamento externo levando a uma crise da dívida em 1997.

O Estado teve novo  papel decisivo, promovendo a fusão de grupos em dificuldades com os mais fortes e incentivando a concentração dos conglomerados em seus núcleos de negócios. Houve privatizações e internacionalizações no sistema financeiro.

O resultado é que o país , que hoje tem 50 milhões de habitantes, superou o subdesenvolvimento , atingindo renda per capita, infraestrutura , serviços públicos, consumo massificado e outras características que colocam um país subdesenvolvido em 1953 , em 2014 entre as nações mais prósperas do mundo.

 

 

 


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Edson Leal

Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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