Conscientizar-se de que Faz Parte - Negócios e Carreiras
Home > Comunicação > Conscientizar-se de que Faz Parte

Conscientizar-se de que Faz Parte

Ao longo de nossos textos aqui no N&C, tornamos questões humanas nas corporações base de nossas discussões. O comportamento do colaborador constrói a imagem da empresa mesmo quando não está presente – por telefone ou computador. Empresas são feitas de seres humanos, ainda. Seres humanos têm reações, claro. Empresa têm reações, portanto. Conscientizar-se de que se faz parte de um todo é tarefa dificil

 

Comportamento Imagem Via MãoDesde que o departamento de RH começou a tomar forma nas empresa – e isso se deu partir do fortalecimento da tecnologia da informação -, foi tomando forma também sua importância no visual do traço do gráfico de desempenho corporativo. Admissão certa feita no momento certo no departamento certo pode alavancar aquele traço. Um erro pode forçá-lo para baixo.

Incluir-se numa empresa é bem mais fácil que manter-se nela, por mais experiência que se tenha e por melhor que seja o ambiente corporativo. E manter-se pode ter consequências boas. Ou não.

O Jornal Hoje de 01/02 passado dedicou quase oito minutos do preciosíssimo tempo do conglomerado da comunicação, as Organizações Globo. E não à toa. Vídeo esclarecedor está à disposição no link.

Lógica Não Assimilada Ainda

O ser humano é animal iminentemente sociável. O que você pensa é exposto em palavras, gestos e comportamento. Palavras, gestos e comportamento sempre influenciam outros seres humanos, por menor que seja a influência e seja qual for o caminho que ela tomar: para bem ou para mal.

Em 1997, os administradores de grande empresa química de expressivo município de S. Paulo sentiam que o bom desempenho das equipes de pré-venda e de venda poderia tornar-se ótimo. Talvez excelente. Na época, consideram-se “pré-vendas” contatos telefônicos e primeiras visitas presenciais a eventuais clientes.

Apesar da impressão, a linha do gráfico mantinha ascendência comum, sem sobressaltos, mas também sem alavancos consideráveis. Projeções da gestão diziam que, naquele ritmo, a empresa ocuparia a terceira colocação no ranking nacional de produção e eficiência em doze anos. Sabia-se que era possível ou chegar em oito ou ocupar a segunda colocação em doze.

Fizemos estudos profundos consideráveis. Conclusão: receio da passagem do milênio. O assunto que dominava conversas informais de todos os funcionários, especialmente aqueles com função específica de contatar clientes, era bug do milênio. Na época, a mídia começava a incluir o tema na pauta (isso foi se intensificando até o ano 2000 de forma alarmante).

Naquela empresa, havia um funcionário expert em esoterismo, outro assunto em auge daquela década. Bug do milênio era indissociável de conceitos esotéricos comprovadíssimos por experiências individuais irretratáveis. Não se falava em bug do milênio sem se falar no que o mestre X previu ou no que o mestre Y vaticinou.

Havia receio no ar do mundo. E no dos países sem nível de segurança virtual tecnológica aceitável. E no das pessoas. Portanto, no das empresas.

Aquele expert em esoterismo – por motivos que iam de pessoais a altruístas – incutia certo desalento na equipe com suas previsões lógicas infalíveis. Precisamos de muito esforço para mostrar à equipe gestora que um dos problemas de entrave de desempenho eram justamente suas previsões, discutidas no cafezinho, no almoço, ao telefone com clientes etc.

Em janeiro de 1998, ele foi transferido para setor mais ou menos isolado. Outras dinâmicas foram efetivadas: no jornal interno, matérias positivistas; no refeitório, vídeos interessantes sobre astronomia; mapa de visitas mais eficiente etc. Em 2005, a empresa entrou no ranking de melhores empresas para se trabalhar.

 

“Saber Se Comunicar, Saber Trabalhar em Grupo”

“Saber se comunicar, saber trabalhar em grupo pode ser fácil na escola, que você troca de grupo se não gosta da pessoa. Na empresa não tem essa, você tem que saber lidar com as diferenças, isso é muito importante”, expõe a orientadora educacional Idamar Carpinelli na matéria da Globo.

Edgar Schein - Foto: Divulgação

Edgar Schein – Foto: Divulgação

Parece realmente simples. Ocorre que há sempre um pequeno (ou enorme) embate entre o que pensamos e o que pensam. Edigar Schein (“Cultura representa para grupos e organizações o mesmo que caráter para indivíduos“), teórico americano considerado idealizador dos primeiros conceitos organizacionais, discute com frequência a importância do comportamento inconsciente perante equipes corporativas.

 

  •         Eventuais discussões no trânsito a caminho da empresa podem surtir efeito na rotina da equipe
  •         O beijinho de bom-dia entre o chefe e colega pode refletir de forma diferente em cada elemento da equipe
  •        Piadinhas sobre a TPM da menina da recepção podem ser desastrosas. Ou eficazes para o bom-humor do ambiente.
  •        O clip caído no chão há três dias pode impressionar de maneira diversa
  •        Conversas de pé de ouvido entre chefe e colaborador entrevistas pelo vidro da sala podem causar pânico na equipe

 

 

 

 

 

Pequenos Gestos, Grandes Resultados

O cérebro humano tem se construído para fixar grandes acontecimentos na memória.

·         Você não se lembra de como estava vestido em 11/09/2011, mas, à simples menção de “onze de setembro”, você se lembra das Torres Gêmeas

o   Contudo, pode ser que a maneira como estava vestido em setembro de 2011 tenha sido marco importante na construção de sua personalidade a partir de então. Sua roupa ou facilitou ingresso em grande empresa ou serviu de chacota ou ainda o deixou confortável e, portanto, de bem consigo mesmo. E você não se lembra disso

·         Você não lembra qual dia Fernando Collor tomou posse, mas lembra que ele é o primeiro presidente a sofrer impedimento oficial de ocupar a Presidência do Brasil

o   O dia da posse de Collor pode ter alterado seu estado de confiança na macroeconomia do Brasil e você pode ter tomado decisões importantes para sua vida. E não se lembra disso

Somos feitos de inconsciência mais do que consciência.  Muitos textos, estudos, conferências, pesquisas e discussões serão levado a cabo sobre o assunto. E pouco se terá conhecido.

Mas, observe atentamente se:

  • … seu humor se alterou depois do cafezinho
  • … sua simpatia ao atender o telefone é a mesma de horas antes
  • … a negociação com aquele cliente habitual se mostra mais difícil
  • … tem dificuldade para entender aquela brincadeirazinha ocacional pré-almoço
  • … aquela travadinha normal no computador resultou em dedilhar mais intenso sobre a escrivaninha

Estas e outras pequenas observações no seu dia a dia podem fazer diferença no momento de o chefe montar a lista de candidatos à promoção do mês seguinte.

Serg Smigg
Ex-professor de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Ensino (SP), jornalista e filósofo, o autor nasceu em S. Paulo em 1958. Escreveu "As Últimas Ovelhas" (1998, ed. Papel&Virtual), "Tempestades de Palavras" (2013, ed. Amazon), além contos e crônicas corporativos diversos em sites e jornais regionais. Atualmente, é redator e revisor/formatador de textos em geral em revistas e jornais e palestrante organizacional.

O que você achou do artigo? Comente!

Seu e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios está marcados *

*

Scroll To Top