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BRASIL: Enfim começou a decolagem

 

O Brasil agora tem governo. Depois de cinco anos de uma presidente que só se preocupou em aumentar os gastos, não fez nenhuma mudança estrutural , abusou de pedaladas e contabilidade criativa, foi reeleita com base no maior estelionato eleitoral da história e levou a dívida pública do país ao seu maior patamar, agora temos um presidente que está efetivamente comandando o país. Ironicamente, o governo Dilma Rousseff foi antecipado por Ronald Reagan em 1981 : “ Na crise atual, o governo não é a solução  para nosso problema; o governo é o problema”.

Mas, a crise provocada pelo desgoverno foi tão grande que ao assumir, mesmo adotando medidas sensatas, Michel Temer não conseguir reverter o quadro de crise, que continuou se agravando com  a inflação persistente em patamar elevado e o número de desempregados crescendo, chegando a 12 milhões.

Mesmo a retração econômica  não foi revertida, acumulando o Produto Interno Bruto dois anos de acentuada retração, 3,8% em 2015 e 3,5% em 2016.

Mas, enfim as boas notícias começam a aparecer e para o analista atento é possível visualizar que as medidas econômicas sensatas começam a fazer efeito e a economia brasileira enfim inicia sua decolagem.

A inflação oficial , medida pelo IPCA fechou 2016, com alta de 6,289%, e é a primeira vez desde 2014 que  a inflação não estourou o teto da meta de 6,5%

E foi uma queda significativa , pois a inflação em 2015 foi de 10,67%.Em dezembro o índice avançou 0,30%.

Alexandre Schwartsman destaca a impressionante queda da inflação de quase 4,5 pontos percentuais.

Parte reflete a desaceleração dos preços administrados , que subiram 6,6% em 2016, ante 18,5% em 2015, resultando em redução de três pontos percentuais no IPCA.

Houve também queda de dois pontos na chamada inflação de preços livres , de 8,5% em 2015, para 6,5% em 2016.

A média dos “núcleos” de inflação, recuou de 8,5%  para 6,3% no período.

Para se ter uma ideia como a inflação já refletiu efeitos da mudança da política econômica, em agosto de 2016, praticamente ainda sob a sombra de Dilma Rousseff a inflação estava em 9% . A partir daí começou a cair , para 6,3% em dezembro, portanto cedeu 2,7 pontos percentuais , cerca de 30% em apenas quatro meses.

E o IPCA-15, que é a prévia da inflação oficial confirma a tendência de queda  pois  subiu 0,31% em janeiro, acima da alta de 0,19% em dezembro, mas no menor  patamar para janeiro desde 1994, ano em que foi criado o Plano Real. Em 12 meses até janeiro, o IPCA-15 acumulou alta de 5,94%, nível mais baixo desde março de 2015 ( +5,90%).

A inflação está desacelerando como um todo e não apenas de um grupo.

A queda é portanto consistente e com a aprovação do teto para a despesa federal , a proposta da reforma previdenciária e a agora como a paralisia política ficou para trás, tudo isto proporciona a certeza de que a inflação vai continuar caindo, os juros também e isso é ótimo para a economia brasileira.

O Banco Central está prevendo que o centro da meta, de 4,5% será alcançado até o fim de 2017. O teto da meta terá intervalo de tolerância reduzido para  6% .

O avanço do desemprego e a perda da renda dos trabalhadores fez ceder as pressões que alimentavam a alta dos preços durante o ano.

E o Banco Central foi ágil e percebeu essa mudança de rota da inflação e  o  Copom surpreendeu o mercado ao reduzir a taxa básica de juros, Selic , em 0,75 ponto percentual , para 13% ao ano  no dia 11 de janeiro.

O BC avalia que o cenário de desinflação está disseminado  e a atividade econômica continua aquém do esperado , justificando um corte mais agressivo.

Isso sinaliza também que  o banco deve manter o ritmo mais forte de corte nos próximos meses.

O presidente do Banco Central , Ilan Goldfain confirmou no dia 17 de janeiro que a redução mudou: “Entramos num novo ritmo , de 0,75 ponto percentual “, ou seja, esse percentual deve se repetir mesmo nas próximas reuniões.

A queda da Selic terá peso significativo na diminuição do custo de carregamento da monumental dívida pública brasileira e vai causar diminuição geral de juros  no mercado. Estudos feitos mostram que o crédito no Brasil chegou a 61% do PIB, quando o nível ideal seria 40%.  Altamente endividadas, famílias e empresas com a Selic subindo e chegando a 14,25%  passaram a pagar muito em serviço da dívida e ficaram sem dinheiro para investir, fazer negócios e consumir.  É consenso no mercado que a diminuição no custo do dinheiro  vai destravar o crédito e aliviar empresas e famílias e com isso a roda da economia deve começar a voltar a girar e isso já é uma realidade.

A queda dos juros vai aliviar enormemente a situação das empresas  altamente endividadas que terão reduzidos os seus encargos com juros, e vão melhorar sua rentabilidade.

Juros em queda também  vão obrigar os investidores a alocar melhor o seu capital,  podendo aumentar os recursos destinados a investimentos. O crédito deve aumentar e ficar mais acessível com juros menores, podendo estimular fortemente o setor da construção civil que é forte gerador de empregos.

Neste sentido , Dilma Rousseff deve estar furiosa. Ao invés de acabar com o Minha Casa, Minha Vida o governo tenta fechar com as construtoras  um pacote de estímulo ao setor que envolva  o aumento do teto do valor dos imóveis que podem ser enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, novas regras para multas no caso de desistência pelo comprador  e melhoria nas condições de financiamento das incorporadoras. O objetivo é conseguir gerar 150 mil novas vagas

O economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, destaca que o  CDS do Brasil , que expressa o risco de calote da dívida estava em 600 pontos há um ano e agora está perto de 350 pontos. O câmbio saiu de R$ 4,10 para R$ 3,20 e já pode afirmar que  não saímos da recessão, mas estamos chegando ao fim. A queda nos juros vai ajudar o país a sair da recessão. O que o governo Temer está fazendo é um ajuste fiscal enorme, porque o gasto público vinha crescendo 6% ao ano , desde a Constituição de 1988.

Portanto por esta razão já  é possível inferir que começam a ser dadas as condições para a retomada da economia e de forma consistente.

Como vários economistas já salientaram, o sistema produtivo acumulou muita capacidade ociosa o que vai dar condições de uma retomada mais vigorosa.

A inflação está em queda , e a Selic também. Os juros menores vão aliviar o estrangulamento financeiro das empresas extremamente endividadas , além de contribuir para o aumento do crédito.

O governo federal não vai fazer loucuras e reformas estão em andamento, como a da Previdência e a Trabalhista, podendo também haver mudanças na área tributária.

O governo vai turbinar leilões da área do pré-sal, em rodovias, portos e aeroportos e com isso deverão aumentar os investimentos privados em infraestrutura e melhorar o ambiente de negócios , ou seja, estão dadas as condições para a retomada do crescimento.

Maílson da Nóbrega destaca  que o Brasil passou por uma revolução no campo. Enquanto a indústria do país definhou nos últimos anos, no campo aconteceu o contrário e houve um espetacular aumento de produtividade.

“Talvez sem paralelo no mundo, tornou-se  pouco ou nada dependente de subvenções e protecionismo . Sua competividade viria da tecnologia, do empreendedorismo e do enorme potencial dos cerrados e de outras regiões.

“A Embrapa ( 1973) e outras organizações públicas e privadas de pesquisa viraram fonte poderosa de inovação e de ganhos de produtividade. Desde 1975 , a área de grãos dobrou , enquanto a produção quadruplicou. O preço dos alimentos caiu 80%. O Brasil é um dos cinco maiores produtores de 36 commodities e o primeiro nas exportações de soja, açúcar, café , frango, carne e suco de laranja. O agronegócio é intenso usuário de tecnologia digital e de satélite, ombreando-se com países ricos”.

Ou seja, pode-se afirmar que o agronegócio salvou a economia brasileira.  E tudo isso à revelia do governo petista.  Pois , o que o governo mais fez  foi estimular a atividade de um  movimento comunista , o MST que , sustentado pelo governo federal, cansou de dizer que a propriedade rural era improdutiva e fez isso invadindo impunentemente propriedades, além de destruir diversos centros de pesquisa .

E ainda deve aumentar a participação da bioenergia sustentável na matriz energética. O consumo de biocombustíveis deve passar de 28 bilhões de litros atualmente para 50 bilhões de litros em 2030. Os investimentos na ampliação da oferta de etanol devem atingir US$ 40 bilhões e deverão ser gerados 250.000 empregos diretos e 500.000 indiretos.

A Rasip , empresa que cultiva frutas em Vacaria , na Serra Gaúcha  mostra como a tecnologia  aumenta a eficiência. Cada uma das 416 milhões de maças colhidas pela empresa é fotografada 200 vezes por um scanner que coleta dados como cor, peso, tamanho e eventuais defeitos. As informações alimentam um software que separa as frutas em 46 categorias, as mais gordinhas, as mais verdinhas, etc.

O intuito da seleção, fruto de um investimento de R$ 15 milhões, que substituiu o trabalho de 100 pessoas, é enviar a fruta certa ao mercado consumidor correto, seja no Brasil, seja  no exterior.

Nas fazendas, vacas leiteiras estão usando tornozeleiras eletrônicas que monitoram os sinais vitais e a movimentação dos animais.

Na produção de queijos, robôs giram lentamente as peças de 40 quilos de parmesão em processo de maturação , dando mais eficiência  a uma técnica desenvolvida há séculos na Itália.

Segundo um levantamento da empresa mineira de tecnologia para lavouras, Strider , com 3.000 fazendeiros de todas as regiões do país, mais da metade já está conectada na internet e entre as propriedade acima de 10.000 hectares , o índice é de 98%.  A grande maioria dos acessos é por antenas que usam sinais de satélite ou rádio e são mantidas pelo próprio produtor rural.

Entre as grandes fazendas, a maior parte já informatizou os sistemas de gestão financeira.

Cerca de 30% dos tratores e das colheitadeiras em campo, tem menos de cinco anos de uso.

Ainda no começo de 2017 deverão entrar em operação em lavouras de  soja do Paraná e de frutas em Pernambuco, os drones de baixo custo desenvolvidos pela americana Qualcomm em parceria com a Embrapa de São Carlos, num investimento de R$ 2 milhões.

Desde 2015, a consultoria finlandesa de engenharia Poyry , que atende principalmente ao setor de papel e celulose no Brasil, está desenvolvendo uma tecnologia de digitalização de florestas e de pinus para acelerar a captura de dados com o objetivo de prever o impacto das mudanças climáticas nessas áreas. A empresa, em parceria com a Klabin, tem colocado drones nas plantações para coletar imagens das árvores que depois são utilizadas na construção de modelos tridimensionais, como se fossem maquetes das plantações de eucalipto e pinus. Combinados com dados como os de microclima , é possível prever a dinâmica de evolução da floresta árvore por árvore.

Portanto, a agricultura está fazendo sua parte com brilhantismo e agora é preciso recuperar a indústria.

E o procurador-geral da República Rodrigo Janot  em Davos na Suíça participando do Fórum Econômico Mundial,  rebateu a tese de Lula e outros,   de que a Lava Jato afasta investidores , temerosos de serem alcançados pelos braços da operação.

Janot afirmou que é  e justamente o contrário . A Lava Jato atrai investidores ,porque gera segurança jurídica. Ao contrário, trata-se de defender a economia de mercado, porque tolerar a corrupção praticada por empresas leva inexoravelmente a um capitalismo de compadrio.

Esse tipo de capitalismo resulta obrigatoriamente em distorções na competição  – regra de ouro do capitalismo – porque os “ compadres” dos governantes de turno  tem preferências nas obras públicas, em troca de propinas.

Portanto , a Lava Jato de um lado , atuando  fortemente no combate à corrupção , permitindo que a atividade econômica possa ser desenvolvida sem a ação sorrateira de criminosos de colarinho branco e ao melhorar a imagem do Brasil no exterior , vai atrair os investidores.  De outro lado , um governo sensato, começa  a fazer as reformas estruturais de que o país precisa e faz isso com a preocupação básica de controlar suas contas.

O Brasil começa a mudar , a ser um país diferente, depois de 13 anos de populismo e esquerdismo e incompetência , que por pouco não transformaram o país em uma Venezuela chavista.

Edson Leal
Graduado em Ciências Sociais, Administração de Empresas, Pedagogia e Direito. Mestre em História Social pela UNESP de Assis. Atualmente Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

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