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Algumas questões sobre a privacidade no trabalho

O direito à privacidade no trabalho é uma questão muito importante. Há um latente conflito de interesses: de um lado, o poder do empregador; de outro, o direito individual do trabalhador. Ou seja, atualmente, existe um paradigma por entre os direitos dos funcionários que querem privacidade e os interesses das empresas que exigem conhecer mais sobre seus funcionários. Diante deste paradigma, surge uma questão: é correto invadir a privacidade dos funcionários a qualquer custo para garantir o uso adequado dos recursos organizacionais?

É sabido que as tecnologias estão em todo lugar, inclusive no ambiente de trabalho. Muitas empresas contam com essas tecnologias para realizar o monitoramento sobre as atividades exercidas por cada um de seus funcionários. Esses sistemas, tal como o sistema SAP, controlam as atividades de cada colaborador, discriminando sua produtividade em algum monitor de TV, geralmente situado no centro de algum setor produtivo. Cada funcionário é caracterizado por um número, que é a sua identificação. Cada um desses “números” encontra-se organizado em forma de escore que define sua posição em relação aos demais colaboradores. Detalhe: qualquer pessoa da empresa tem acesso a essas informações.

Segundo Stair & Reynolds (2011), uma recente pesquisa revelou que 78% das empresas monitoram seus funcionários no trabalho, de uma forma ou de outra. De acordo com outro estudo recente, quase um terço das empresas demitiram um funcionário por violar as políticas de e-mail corporativo. Estatísticas como essa aumentam as preocupações dos funcionários. Outros exemplos recorrentes apontam que o “trabalho” propriamente dito não se restringe à carga horária estabelecida pela empresa que o trabalhador precisa cumprir. E embora os funcionários cumpram sua jornada laboral, eles continuam sendo monitorados pelo empregador após o expediente. Como? Através de GPS e PDAs. Não obstante, seus “sonos” são monitorados pelos empregadores.

Isso pode parecer absurdo, mas é a realidade de muitos contratos existentes. E quando tais termos não estão inclusos em contrato, empregadores diversos não hesitam em agir pela “margem”, sem o menor pudor. Não bastasse os funcionários serem monitorados de perto pela tecnologia computacional, eles são mantidos sob vigília constante por seus supervisores. Em suas estações de trabalho são vigiados através de softwares remotos que captam absolutamente tudo o que os colaboradores fazem durante o expediente, inclusive o que deixam de fazer, pois o “sistema” rastreia suas ações diante de toques no teclado, monitora comandos executados e calcula, até, o número de vezes que cada indivíduo deixa de produzir.

Não será essa situação desumana demais? Segundo Baltzan & Phillips (2012), está crescendo entre os funcionários a preocupação de que infrações em relação às políticas das empresas, mesmo acidentais, venham a ser motivo para ação disciplinar. Por exemplo, erros de endereçamento de websites podem levar os funcionários a acessarem sites falsos, ocasionando desde situações como “perda de tempo” até situações de tentativas de “golpe e riscos à segurança da informação”. Nomes similares podem levar ao engano, por isso é importantíssimo identificar com clareza a extensão que está sendo utilizada: .gov, .org, .com, etc. Grande parte das situações de riscos à segurança da informação poderiam ser evitadas considerando esse detalhe.

Portanto, paradigmas relativos à privacidade no trabalho ou mesmo o direito à privacidade individual permeiam os mais diversos contratos sociais e gestões organizacionais modernas. Se de um lado há a preocupação de garantir o direito à privacidade individual, do outro, há a contínua necessidade de garantir a adequada gestão de riscos. Então, cada vez mais o monitoramento do funcionário não é uma simples questão de escolha; torna-se uma obrigação da empresa para garantir o adequado uso dos recursos organizacionais e da adequada manutenção de sua política de gestão de riscos. Agora, é preciso encontrar o verdadeiro e necessário equilíbrio entre direitos e deveres. Que a empresa precisa se resguardar, nenhum problema. Porém isso não a credencia à invadir a vida alheia a qualquer custo e ferir o direito à privacidade individual, o qual é caracterizado como um direito fundamental dos indivíduos.

Diego Felipe Borges de Amorim on Linkedin
Diego Felipe Borges de Amorim
Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.

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