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Algumas questões sobre investimentos

Recentemente recebi uma mensagem de e-mail de uma ex-colega de faculdade. Na mensagem constava a seguinte indagação, em resumo: “Estou com um pequeno montante e quero investir em ações, pois quero aproveitar o atual cenário econômico no país. Tu podes me recomendar algo?”. A primeira vista, me senti muito orgulhoso. Afinal, entre tantos “entendidos” sobre o assunto, ela considerou a minha percepção sobre o tema como sendo algo útil. Automaticamente felicitei-a pelo seu pensamento empreendedor, dizendo que pensar no futuro é o melhor caminho.

Bem, respondendo ao questionamento dela, disse que poderia ajudá-la. Primeiramente, disse que eu não era um especialista de fato sobre o tema e que minhas recomendações se baseariam naquilo que aprendi ao longo dos últimos anos, assim, caberiam algumas limitações naturais. Operando no mercado sozinho, há cerca de dois anos, posso dizer que aprendi muita coisa – embora considere que ninguém possa aprender o suficiente. Aprendi que o caminho é longo, pedregoso e não menos desafiador.

Uma das coisas mais importantes que aprendi é não acreditar cegamente em “especialistas” e fugir dos “especuladores”. Não posso dizer como e, tampouco, o que deve ser feito para que uma pessoa se torne um investidor de sucesso. Na verdade, ninguém poderia, embora hajam publicações que sirvam de excelentes ferramentas de apoio à decisão. Entretanto, posso e devo dizer o que não devemos fazer. Entre mitigar riscos e aproveitar as oportunidades existentes no mercado, o caminho é longo e desafiador. Há sempre muito trabalho a ser feito.

Bem, vamos lá. Muito embora eu incentive as pessoas a aprenderem por si mesmas e às estimule a se “divorciarem” dos gestores de fundos mobiliários – estes que são verdadeiros abutres, vou fazer uma primeira recomendação: não acredite em “lucro fácil” ou em promessas de “ganhos certos e extraordinários”. Sucesso ou fracasso são divididos por uma linha tênue e tudo depende de que estratégia o investidor irá adotar. E independentemente da estratégia a ser utilizada, operar este mercado despido de “emoção” é o primeiro passo para se evitar problemas.

Há pouco tempo, resolvi “comprar” um serviço de educação em investimentos que me agregasse um conhecimento mais apurado sobre o tema. Realizei este “investimento” de forma pensada, ainda que já tivesse lido e ouvido algumas das melhores obras sobre o assunto já publicadas. Benjamin Graham e Warren Buffett foram meus pontos de referência logo de cara e, ainda, o são. E investir em mais educação sobre investimentos nunca é demais, pois como em qualquer tipo de Ciência, a educação continuada se faz vital.

Nesse sentido, a não ser que o indivíduo tenha um razoável conhecimento de mercado de capitais e de mercado financeiro, não é recomendável que ele opere sozinho no mercado de ações.  A recomendação mais óbvia para o investidor leigo seria iniciar suas aplicações em títulos de renda fixa – alguns teóricos dizem que o ideal seria cerca de, pelo menos, 70% do total de recursos aplicados nesse modelo. Outros diriam que uma “boa opção” seria investir em um fundo multimercado sob a gestão de algum banco sólido, pois isso traria uma suposta segurança. Entretanto, se as taxas administrativas desse fundo forem muito elevadas, comerão todo o potencial de lucro desse fundo – nesse caso, tudo irá para o “bolso” do gestor do fundo”! Por isso, a maioria dos produtos bancários não é lucrativo para o investidor.

Então, o que fazer? O 1º passo é pesquisar as taxas de corretagem, custódia e as taxas administrativas aplicadas pelas instituições financeiras. O 2º passo é comparar o potencial de ganho dos títulos (ativos) com o percentual do CDI – que é uma taxa de referência utilizada pelos bancos em qualquer espécie de operação. Quanto mais próxima ou superior ao CDI, maior o % de ganho com o título. Nesse caso, estou falando de títulos de renda fixa, claro. Os títulos de renda variável possuem outras definições, ou seja, o cenário é bem mais complexo.

Porém, para que o indivíduo possa operar com estes títulos, terá que contratar uma corretora que “abrigue-os”. Pode ser um banco ou uma corretora especializada. Tudo o que o investidor  tem que fazer é comparar as taxas aplicadas por cada uma destas instituições e selecionar àquela que seja mais conveniente com suas necessidades. Isso é muito importante para que o investidor tenha um parâmetro sobre o seu risco/retorno e o seu custo-benefício. É legal que ele faça o teste da BM&FBovespa relativo ao “perfil do investidor”. Inclusive, algumas corretoras exigem a aplicação desse teste antes da abertura de uma conta. Ali o indivíduo tem uma noção, uma base para saber onde ele se encaixa.

Uma excelente dica no momento é investir em “títulos públicos”. Eles tem um considerável retorno, alguns são protegidos da inflação e têm a solidez que é garantida pelo Governo. Em tese, são os “títulos” mais seguros do mercado. Dependendo do título e do momento da economia, o investidor pode ter um ganho líquido de 6%, 7%, 8%, 9% a.a ou mais. Para àqueles que desejam um retorno maior, o mercado de ações pode ser uma excelente oportunidade. Em contrapartida, há muito risco e muita incerteza envolvidos. Certamente, não é para cardíacos e nem para amadores.

Entretanto, isso não quer dizer que o mercado de ações seja um “cassino” ou um lugar restrito a poucos felizardos. Qualquer pessoas pode e deve investir nele, caso tenha um mínimo de conhecimento sobre investimentos. O essencial é saber que este tipo de mercado deve ser pensado no longo-prazo e que, embora muitos teóricos digam que é fundamental diversificar ativos, o início para o investidor leigo deve ser encarado com maior objetividade e clareza. A não ser que tenhamos uma quantia suficiente para colocar a filosofia da diversificação em funcionamento, não será possível exercê-la. E abrir mão dela em um primeiro momento, não é nada de absurdo.

Portanto, esses são apenas alguns pontos de um tema muito mais complexo. Há muito mais coisa a ser dita, e sempre haverá mais. Mas somente com muita prática, paciência, leitura e busca de conhecimento, podemos nos tornar pessoas mais fortes, conscientes, responsáveis e ativas sobre o nosso próprio destino. E pensar em investimentos é pensar em nosso futuro, no futuro de nossa família.

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Diego Felipe Borges de Amorim
em
Bacharel em Administração - Faculdade Equipe (FAE - Sapucaia do Sul RS). Especialista em Gestão de Negócios - Universidade Luterana do Brasil (ULBRA - Canoas RS), Consultoria e Planejamento Empresarial pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Pós graduando em Planejamento Empresarial e Finanças pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI). Atualmente é técnico administrativo da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS). Colunista da Revista N&C e do portal Administradores.com. Profissional com experiência na iniciativa pública e privada. Acredita no poder das novas tecnologias para o avanço do conhecimento e na ruptura da forma tradicional de aprendizagem. Também acredita no poder das tecnologias livres para maior liberdade, inclusão e progresso humanos e na extrema importância da disseminação do conhecimento através de plataformas de ensino livres.
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